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Microempreendedores Individuais e a Contabilidade em um ambiente de crise.

Infelizmente os quase 6 milhões de MEI registrados no país não irão contribuir como poderiam contribuir para ajudar o país a superar este momento de crise.

postado 28/03/2016 07:41:12 - 3.985 acessos

O Brasil conta hoje com quase 6 milhões de Microempreendedores Individuais (MEI) , segundo dados estatísticos disponíveis no site do empreendedor, só em janeiro deste ano foram criadas pouco mais de 137 mil empresas nesta modalidade,

Este número seria motivo de comemoração por parte do governo e da sociedade, uma vez que diante da crise econômica em que o país vive, crise que se aprofunda a cada dia que passa. Com a criação de novas empresas teríamos a criação de novas vagas de emprego e geração de renda, ajudando o país a superar este momento de crise.

Contudo, na pratica a realidade é outra, o que vemos é o surgimento de milhares de empresas (MEI) por necessidade, diante do crescente numero de desempregados no Brasil, só em fevereiro deste ano foram registradas quase 2 milhões de demissões em todo o país.

Com tantas pessoas desempregadas e precisando arrumar uma ocupação que permita gerar renda, a solução encontrada pela maioria dos desempregados tem sido apostar em um velho sonho, ter o próprio negocio.

 Para criar o próprio negocio a maioria das pessoas escolhe a modalidade MEI, por ser a mais simples, menos burocrática e não exigir Contabilidade formal.

Com as empresas em funcionamento aqueles que estavam desempregados passam a ser empresários e voltam a ter renda, podendo manter o sustento de suas famílias, manter as dividas em dia, enfim custear a vida própria e de sua família.

Por não exigir Contabilidade formal, e como milhares das novas empresas enquadradas como MEI estarem sendo criadas por necessidade, vemos que quase todas as empresas nesta situação não observam os princípios contábeis, e um deles em especial esta diretamente relacionada às empresadas criadas nestas condições, o Principio da Entidade.

O Principio da Entidade, prevê a autonomia patrimonial, ou seja, que haja diferenciação entre o patrimônio particular do empresário e o patrimônio da empresa.

Ao não observarem este princípio básico da Contabilidade, parte destas empresas estão condenadas ao fracasso, reforçando as já conhecidas estatísticas de mortalidade de empresas nos dois primeiros anos de vida, e aquelas que sobreviverem, irão sobreviver e não crescer, prosperar, gerando empregos e renda pois diante da confusão patrimonial estas empresas não coseguem ser financeiramente sustentáveis.

Entendo que as empresas enquadradas como MEI devem ser o primeiro passo, embrião, das empresas que futuramente irão ser enquadradas no Simples Nacional, Lucro Real ou Lucro Presumido, mas para tanto estas empresas devem estar, desde o primeiro dia de atividade, preparadas contabilmente para deixar de ser MEI.

O empreendedor deve entender que ao abrir uma empresa, passa a ter um papel perante a sociedade, devendo gerar emprego e renda, contribuindo para a atividade econômica do país.

Os Contabilistas devem mostrar ao MEI que a parceria com um profissional da Contabilidade e execução da contabilidade de sua empresa irá contribuir para o crescimento de seu negócio, esta é uma tarefa árdua, principalmente porque os empresários veem o Contabilista como um gasto desnecessário. Mas a realidade é que o MEI que quiser crescer e deixar de se MEI deverá ter como parceiro um bom Contabilista, que trabalhe em prol do crescimento de sua empresa.

Cabe aqui uma ressalva a esta “facilidade” concedida ao MEI, à dispensa de Contabilidade formal, a consequência dessa dispensa é um numero cada vez maior de empresas abertas e que não conseguem manter-se em atividade por muito tempo, pois os empresários são ótimos comerciantes, prestadores de serviços ou industriários, mas poucos têm a habilidade de projetar financeiramente o futuro de suas empresas, a capacidade de separar a empresa da pessoa do empresário. São estes empreendedores que tem em mãos empreendimentos incríveis, mas que por não ter o suporte de profissionais qualificados como Contabilista, por exemplo, veem seus empreendimentos irem para o fundo do poço em pouco tempo.

Infelizmente os quase 6 milhões de MEI registrados no país não irão contribuir como poderiam contribuir para ajudar o país a superar este momento de crise, por um motivo simples e que tem passo despercebido, eles estão dispensados de Contabilidade Formal, o que os impossibilita de terem uma visão geral das finanças do empreendimento que criaram.

 

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