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17
Jul 2018
21:54

Empresarial

Auditoria Contábil como Instrumento de Gestão para as Pequenas e Médias Empresas

O presente trabalho teve como objetivo demonstrar a relevância da auditoria contábil como instrumento de gestão para as pequenas e médias empresas (PME'S), efetuando uma análise dos resultados através das informações obtidas.

16/05/2018 08:30

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INSTRUMENTO DE GESTÃO PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

O presente trabalho teve como objetivo demonstrar a relevância da auditoria contábil como instrumento de gestão para as pequenas e médias empresas (PME’S), efetuando uma análise dos resultados através das informações obtidas. Conforme a metodologia utilizada, desenvolveu-se uma pesquisa na forma descritiva, com abordagem qualitativa, exploratória e analítica sobre o tema, empregando a pesquisa bibliográfica pautada em livros, por meio de interpretações de autores e especialistas no assunto, revistas, sites, sendo realizado o levantamento de dados e informações acerca das gestões dos empreendimentos. Em decorrência da crescente expansão das PME’S no cenário nacional, devido ao agravamento da crise econômica a partir do ano de 2015, onde os vários trabalhadores perderam seus empregos formais e não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho, encontrando no empreendedorismo uma alternativa para superar as dificuldades impostas pelo desemprego. Entretanto, constatam-se um alto índice de mortalidade destas empresas nos primeiros anos de vida devido à falta de planejamento, administração, estrutura, capacitação, recursos, falha na gestão, inexperiência e outros fatores que levam a ocorrência de erro e fraude dentro da organização, problemas determinantes que culminam no encerramento das operações. Diante do exposto, verificou-se que a auditoria tanto a interna quanto a independente, unidas à área contábil, utilizando-se em conjunto um sistema de controle interno, são importantes ferramentas de apoio e auxilio aos empreendedores. A auditoria, por ser uma atividade de assessoramento e consultoria, proporciona um bom planejamento que é imprescindível para as PME’S, atua como uma finalidade preventiva, detectando problemas, propondo alternativas e possíveis soluções, contribuindo na reestruturação das empresas. O controle interno também é de fundamental relevância nas organizações, pois atua para um desempenho operacional eficaz, traçando metas, servindo de suporte aos empreendedores no gerenciamento dos negócios e na tomada de decisões, capacitando sua equipe para um desempenho efetivo quanto à realização e execução das tarefas, contribuindo para a prevenção de erros e irregularidades. Observa-se que estas ferramentas são essenciais para o sucesso, crescimento saudável e longevidade do empreendimento.

 

INTRODUÇÃO

Na atual conjuntura sócio-econômica, o crescimento das pequenas e médias empresas (PME’s), pode ter fator de desempenho de um papel de suma importância para o desenvolvimento econômico do País. Porém, por estarem inseridas num cenário altamente competitivo, pesquisas tais como o SEBRAE (2017), apresentam altas taxas de mortalidade, fato este atribuído há diversas causas, tais como, falta de estrutura, planejamento, falha na gestão e outros fatores que levam a ocorrência de erro e fraude dentro da organização, problemas determinantes que culminam em seu fechamento. Diante dessa situação, a auditoria contábil apresenta-se como uma ferramenta de verificação, análise e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações e a prática das demonstrações contábeis das PME’s, que pode auxiliar na preservação de adversidades que podem ocorrer e levar a empresa ao encerramento de suas atividades.

Assim, surge o interesse em desenvolver um estudo buscando evidenciar a importância da auditoria na gestão das pequenas e médias empresas e o quanto podem colaborar para seu desenvolvimento.

Desta forma, será apresentado o controle administrativo, buscando identificar sua relevância na identificação de erros e fraudes, bem como apresentar a função de assessoria, apresentando como apoio para as tomadas de decisões. Deste modo, busca-se identificar se com estas atitudes poderá ocorrer a continuidade das operações.

Considerando-se o descrito, as perguntas norteadoras deste estudo são as seguintes: O trabalho de auditoria pode contribuir no processo de gestão das pequenas e médias empresas (PME’s) reduzindo a taxa de mortalidade? E quais os benefícios que o trabalho do auditor pode proporcionar a essas empresas?

No sentido de encontrar as respostas a estas indagações, o objetivo geral do referido trabalho reportará sobre os trabalhos da auditoria contábil, interna ou independente, sua relevância para as pequenas e médias empresas, e se com a utilização destes recursos, pode-se reduzir o risco de falências.

Os objetivos específicos consistirão em apresentar indicadores de taxa de mortalidade das PME’s no País, identificando pesquisas sobre as principais causas das mortalidades, evidenciando as funções e os benefícios da auditoria para a gestão das empresas e destacando como o trabalho da auditoria contábil interna ou independente pode contribuir para resultados positivos no futuro.

A pesquisa terá um caráter qualitativo, exploratório, descritivo e analítico sobre o tema, fazendo uso da pesquisa bibliográfica pautada em livros, por meio de interpretações de autores e especialistas no assunto, revistas especializadas, sites periódicos, coletando dados e informações acerca das gestões das pequenas e médias empresas, com o propósito de resolver as questões que foram dispostas neste estudo e alcançar os objetivos propostos.

1 CENÁRIO ECONÔMICO DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS (PME’S)

As pequenas e médias empresas (PME’s) apresentam grande relevância na economia brasileira no que se refere à geração de emprego e renda. Conforme a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que foi promulgada em dezembro de 2006 e atualizada pela Lei Complementar nº 147/2014, considera-se empresa de pequeno porte (EPP), a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas.

Em decorrência das alterações no Simples Nacional que foi atualizado pela Lei Complementar 155/2016 e Resolução 135/2017 do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), que entrou em vigor a partir de 01 de Janeiro de 2018, houve mudanças relevantes para empresas optantes deste regime detributação, tendo o ingresso de novas atividades, novos limites de faturamento e redutor da receita, além de alterações nas alíquotas. Referentes aos limites anuais de faturamento para a opção e permanência no Simples Nacional, destacam que no caso da empresa de pequeno porte, poderão ser auferidas em cada ano-calendário receitas entre R$ 360 mil até o limite de R$ 4,8 milhões.

Entretanto, os limites para recolhimento do ICMS e do ISS no regime do Simples Nacional permaneceram em R$ 3,6 milhões. Deste modo, uma empresa com receita entre R$ 3,6 milhões e R$ 4,8 milhões poderá fazer opção pelo Simples Nacional, porém simultaneamente, deverá cumprir suas obrigações referentes ao ICMS e ao ISS no devido Estado, Distrito Federal ou Município.

Segundo a LC 155/2016 e Resolução 135/2017, foram determinadas regras de transição para as empresas que em 2017 obter faturamentos acima de R$ 3.6 milhões até R$ 4,8 milhões as quais poderão permanecer integrando o Simples Nacional em 2018, sob alguns requisitos, porém impossibilitadas de efetuar o recolhimento do ICMS e ISS.

Conforme análises dos últimos relatórios e pesquisas desenvolvidas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), 2016 e a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), 2016 em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve uma expansão de novas empresas no Brasil. Fato este ocorrido principalmente devido a intensificação da crise econômica a partir do ano de 2015, onde vários trabalhadores perderam seus empregos formais, não conseguindo uma recolocação no mercado de trabalho. Desta forma, encontraram no empreendedorismo uma alternativa para contornar as dificuldades impostas pelo desemprego.

De acordo com Chaves Júnior (2003, p.08):

(...) por causa das transformações no mercado de trabalho, o seguimento das micro e pequenas empresas no Brasil vêm despertando interesse cada vez maior, observando, notadamente, através da atuação dos legisladores e dos governos municipal, estadual e federal.

O crescente ingresso dessas novas empresas na economia nacional faz com que estas colaborem positivamente com a diminuição do nível de desemprego, gerando um significativo aumento da renda da população e a elevação na arrecadação de impostos. Entretanto, um fato negativo tem chamado atenção com relação a este fenômeno, o alto índice de mortalidade destas empresas nos seus primeiros anos de vida, em média dois anos.

Entretanto é importante frisar, segundo Drucker (1984), que o sucesso pode não ser permanente, pois as empresas são criações humanas desprovidas de permanência real, devendo estas sobreviver além do período de vida de seu fundador, prestando a contribuição que deve a economia e a sociedade.

De acordo com levantamento de dados no SEBRAE (2017), os principais fatores que contribuem para o encerramento prematuro das atividades destas PME’s, inseridas num atual cenário bastante competitivo, estão relacionados à falta de administração, estrutura, planejamento, capacitação, recursos, falha na gestão, inexperiência, motivos econômico-financeiros, despesas excessivas e outros fatores que levam a ocorrência de erro e fraude dentro da organização, problemas condicionantes que culminam em seu fechamento.

Mediante as considerações expostas, a auditoria surge como uma importante ferramenta de apoio e auxilio à gestão das pequenas e médias empresas, pois efetua a verificação, análise e avaliação sistemática das transações, procedimentos, operações e a prática das demonstrações contábeis, resguardando o acontecimento de algumas situações que possam ocorrer e levar a empresa ao seu eventual declínio.

2 AUDITORIA COMO FERRAMENTA DE GESTÃO

A auditoria aliada à área contábil assume um papel de suma importância para a permanência das empresas no mercado, por ser um instrumento de gestão, pode ser fator de auxilio na detecção de falhas e riscos que levam ao comprometimento das atividades, analisando permanentemente quais os pontos de melhoria para o negócio, emitindo opiniões e sugestões, solicitando possíveis correções, visando manter a empresa sempre atualizada, agindo proativamente para o crescimento e o sucesso do empreendimento.

De acordo com Sá (2002, p. 21):

Auditoria contábil é uma técnica que se utiliza da revisão da pesquisa para fins de opinião e orientação sobre orientações patrimoniais sobre uma entidade, verificando, a veracidade dos relatórios apresentados, bem como certifica-se de que foram feitos baseados nas regras e conceitos contábeis.

Entretanto, a auditoria possui um papel de extrema relevância, por ser uma atividade de assessoramento e consultoria, possui uma finalidade preventiva, contribuindo para a melhoria da eficácia dos processos de gestão e controles, auxiliando os gestores nas tomadas de decisões, sendo primordial para que as organizações alcancem seus objetivos.

Conforme evidencia Crepaldi (2002), a auditoria estuda o exame dos documentos, livros e registros contábeis, inspeção e obtenção de informações, internas e externas, ligadas ao controle do patrimônio, focando constatar a perfeição desses registros e suas demonstrações contábeis.

Diante do que foi mencionado, pode-se observar que a auditoria não é voltada apenas para as grandes organizações, mas também está sendo amplamente difundida nas pequenas e médias empresas.

Segundo Hoog(2007, p. 65), define auditoria da seguinte forma:

É o procedimento científico relativo à certificação dos elementos da riqueza aziendal, normalmente contabilizados nas fundações, associações, sociedades empresária e simples. Assegurando a credibilidade das informações das peças contábeis e a integridade do conjunto de bens e obrigações e da situação líquida, visa a minimização ou eliminação dos riscos fiscais, societários, ambientais, trabalhistas, previdenciários, sistêmicos ou não da ambiência.

Desta forma, observa-se a importância da auditoria como instrumento de gestão para as empresas, independente do tamanho ou segmento de atividade, pois quando bem executada, permite que eventuais problemas e irregularidades sejam detectados com primazia, atuando como um facilitador na tomada de decisões, trabalhando na constante busca de melhorias e assim contribuindo para um funcionamento eficiente e eficaz da organização, fazendo com que os objetivos almejados sejam alcançados.

3 AUDITORIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA REDUZIR A TAXA DE MORTALIDADE DAS PME’S

Existem várias modalidades de auditorias que são utilizadas em benefício das empresas acerca de todos os segmentos de atuações. A auditoria em geral possui um conteúdo bastante extenso, então o presente estudo enfatizará a auditoria contábil, financeira, operacional e de gestão, como ferramentas de suporte e auxilio para os empreendimentos.

Esses tipos de auditorias mencionadas podem ser denominados de auditoria interna e externa ou independente. Suas utilizações pelos gestores são valiosas para a redução da taxa de mortalidade das pequenas e médias empresas, sendo um relevante instrumento para o sucesso na tomada de decisões, contribuindo para o crescimento das organizações.

De acordo com Castro (2010, p. 382), a auditoria assumiu um expressivo papel de assessoramento e consultoria “com finalidade de garantir que os controles fossem adequados, corretamente executados e que as informações geradas fossem fidedignas, espelhando a realidade financeira e econômica da entidade”.

Segundo a Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n/° 560/83, que trata das prerrogativas da profissão contábil, estabelecidas pelo Art. 25 do Decreto-lei 9.295/46, a execução de trabalhos de auditoria interna ou independente, são atribuições privativas de contador devidamente habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade a que estiverem sujeitos.

Embora ambas as auditorias tenham o mesmo objetivo, onde suas atuações servem de suporte e auxílio para a gestão empresarial, assessoram a administração na tomada de decisões e previnem a ocorrência de certos problemas cruciais que acarretam na falência das PME’S. São importantes recursos a serem utilizados pelos os empreendedores e possuem finalidades semelhantes. Porém existem algumas peculiaridades que as distinguem, as quais serão expostas nos próximos tópicos, onde serão abordadas suas características e funções.

3.1 AUDITORIA INTERNA

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas e Profissionais, (NBC TI 01) e (NBC PI 01), onde versam sobre as Atividades e os Procedimentos de Auditoria Interna e sobre as Normas Profissionais do Auditor Interno respectivamente, considera-se que a auditoria interna é realizada por um profissional que possui relação de dependência com responsabilidade trabalhista com a empresa, sua execução é facultativa e de interesse da própria empresa, verifica se as normas internas estão sendo seguidas e se há necessidade de novas normas internas, executa auditoria contábil e operacional.

Conforme Almeida (2003, p. 29): 

O auditor interno é um empregado da empresa, e dentro de uma organização ele não deve estar subordinado aqueles cujo trabalho examina. Além disso, o auditor interno não deve desenvolver atividades que ele possa vir um dia a examinar (como, por exemplo, elaborar 30 lançamentos contábeis), para que não interfira em sua independência.

A auditoria interna tem como objetivo assessorar a administração quanto ao desempenho das atribuições definidas para determinadas áreas da empresa, aferindo os controles internos da organização e a qualidade dos registros, avaliando a eficiência e eficácia de outros controles, observando, indagando, questionando, checando e propondo alterações e procedimentos, trabalhando na detecção e prevenção de fraudes e erros.

Segundo as considerações de Attie (1986), auditoria interna é uma atividade independente, tendo como intuito fazer a averiguação e avaliação dos serviços internos da instituição, ajudando os gestores a desobrigarem de suas responsabilidades, fornecendo a eles suporte, assessoria e as divulgações das atividades examinadas.

Conforme expõe Castro (2010, p. 385), a auditoria interna:

 Compreendem os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos.

Portanto, percebe-se que a auditoria interna é uma exímia ferramenta de gestão para as pequenas e médias empresas, onde obtém, analisam, interpretam e documentam as informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais para dar suporte aos resultados de seu trabalho, devendo informar à organização sobre quaisquer indícios ou confirmações de eventos que ocasionam adversidades para que sejam devidamente sanadas, tendo como produto final emitir um relatório de recomendações e sugestões à administração, permitindo que as empresas possam atingir os seus objetivos e vislumbrar boas perspectivas para o futuro.

3.2 AUDITORIA EXTERNA OU INDEPENDENTE

Em consonância com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas e Profissionais, (NBC TA 200) e (NBC PA 01), que tratam dos Objetivos Gerais do Auditor Independente e sobre as Normas Profissionais do Auditor Independente, evidenciam que auditoria externa é realizada através de um profissional de forma independente da empresa auditada, com responsabilidade civil e a sua contratação é feita por período pré-determinado, em determinadas empresas a auditoria externa é obrigatória e a sua execução é de interesse das próprias empresas, órgãos governamentais, credores e investidores em geral.

Conforme ponderações de Franco (1982, p. 174), a auditoria externa “é aquela realizada por profissional liberal, auditor independente, sem vinculo de empregado com a entidade auditada, e que poderá ser contratado para auditoria permanente ou eventual”.

Deste modo, observa-se que a auditoria externa possui um maior grau de independência, não possui vínculo empregatício com as organizações, executa auditoria contábil e seu objetivo é opinar sobre as demonstrações financeiras com base nos Princípios de Contabilidade, tendo como produto final, emitir um parecer sobre as mesmas.

Segundo Almeida (2003, p. 29), considera que:

O auditor externo, além de sua opinião ou parecer sobre as demonstraçõescontábeis, passou a emitir um relatório comentário, no qual apresentava sugestões para solucionar os problemas da empresa, que chegaram a seu conhecimento no curso de seu trabalho de auditoria. Nisso, o auditor externo passava pouco tempo na empresa, e o foco era a auditoria das demonstrações contábeis.

Contudo, verifica-se que a execução do trabalho de auditoria independente é essencial para gestão das PME’S, não é realizada para a detecção de erros e fraudes, ou interferir na administração da empresa, não cabe ao auditor a incumbência para a precaução dessas possíveis distorções, não podendo ser atribuída responsabilidade ao mesmo. Entretanto, seu trabalho deve ser executado estimando o risco desses acontecimentos, para que haja a possibilidade de detecção daqueles que influenciam diretamente as demonstrações contábeis.

Portanto, ao detectar algumas dessas situações, o auditor externo tem o dever de comunicá-las à administração das organizações, sugerindo procedimentos e medidas para a devida correção, informando sobre os possíveis efeitos na emissão do seu parecer, caso elas não venham a ser implementadas. Desta forma, evidencia-se a importância da auditoria independente como uma ferramenta de auxilio para uma gestão eficiente e eficaz. A existência da auditoria externa e interna são extremamente necessárias para as pequenas e médias empresas, pode-se haver um trabalho em conjunto de ambas, visto que uma complementa a outra.

4 BENEFÍCIOS E CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO DE AUDITORIA NO PROCESSO DEGESTÃO DAS PME’S

Mediante análises anteriormente realizadas, de acordo com pesquisas do SEBRAE (2017), percebe-se que a realidade empresarial no cenário contemporâneo do País é composta por PME’S, que atualmente são as grandes responsáveis pela a movimentação da economia brasileira. Devido à expansão do empreendedorismo, surge a preocupação com a permanência destas empresas no mercado, visto que há um alto índice de mortalidade nos primeiros anos de vida, geralmente dois anos.

Vários aspectos desencadeiam o fechamento prematuro de um negócio, como a falta de estrutura, gestão, planejamento, crise econômica para um determinado setor de atividade e outros elementos decisivos que culminam em falências das organizações. Segundo Palermo (2002), afirma que o crescimento e a sobrevivência de uma empresa dependem dentre outros fatores do desenvolvimento de uma gestão eficaz e proativa.

De acordo com o que foi evidenciado, o trabalho de auditoria interna ou independente, surge como um recurso que tem muito a contribuir no processo de gestão das PME’s. A auditoria é uma atividade profissional executada nas empresas, onde englobam a apuração de informações, verificando a produção, os rendimentos, os custos operacionais, analisando o desenvolvimento estrutural e patrimonial da empresa, abrangendo a situação econômico-financeira para a expansão dos empreendimentos.

Segundo considerações de Franco e Marra (2001, p.31), a auditoria:

É o conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio administrado, os quais compreendem registros contábeis, papeis, documentos, fichas, arquivos e anotações que comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos da administração, bem como sua sinceridade na defesa dos interesses patrimoniais. A auditoria pode ter por objetivo inclusive, fatos não registrados documentalmente, mas relatados por aqueles que exercem atividades relacionadas com o patrimônio administrado, cuja informação mereça confiança, desde que tais informações possam ser admitidas com seguras pela evidência ou por indícios convincentes.

Contudo, percebe-se que são diversos os benefícios proporcionados pelo o uso da auditoria e que possui um papel de suma importância no contexto organizacional. A prática dos recursos da auditoria nas pequenas e médias empresas tem como objetivo auxiliar a administração na execução efetiva de suas funções e responsabilidades, identificar falhas e irregularidades no sistema operacional, realizar procedimentos elaborando fluxogramas e organogramas para que facilite a visualização da distribuição de funções e circularização de documentos que possam prejudicar o controle da organização, elaborar diagnósticos que possibilitam visualizar e avaliar a situação da empresa de acordo com o desempenho relativo ao funcionamento e ampliação dos negócios.

Boynton, Jhonson e Kell (2002, p. 30,31), definem auditoria como:

Um processo sistemático de obtenção e avaliação objetivas de evidências sobre as afirmações a respeito de ações e eventos econômicos para aquilatação do grau de correspondência entre afirmações e critérios estabelecidos, e de comunicação dos resultados a usuários interessados.

Deste modo, a auditoria analisa a proporção que os recursos colocados ao dispor dos empreendedores estão sendo executados de forma eficiente e eficaz, realiza atividades colaborando nas reuniões de diretoria, comitês operacionais e financeiros, grupos comprometidos com projetos de qualidade, controles internos, reorganização de funções, emite opiniões acerca do cumprimento das funções dos gestores, a lucratividade da empresa e conclui se os resultados obtidos por eles foram ou não satisfatórios.

De acordo com Sá (1998, p. 25), a auditoria é:

Uma tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, demonstrações e de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, visando a apresentar opiniões, conclusões críticas e orientações sobre situações ou fenômenos patrimoniais da riqueza aziendal, pública ou privada, quer ocorridos, quer por ocorrer ou prospectados e diagnosticados.

Conforme a Resolução Nº 1.203/2009, item 3 que aprova a NBC TA 200:

O objetivo da auditoria é aumentar o grau de confiança nas demonstrações contábeis por parte dos usuários. Isso é alcançado mediante a expressão de uma opinião pelo auditor sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com uma estrutura de relatório financeiro aplicável. No caso da maioria das estruturas conceituais para fins gerais, essa opinião expressa se as demonstrações contábeis estão apresentadas adequadamente, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro. A auditoria conduzida em conformidade com as normas de auditoria e exigências éticas relevantes capacita o auditor a formar essa opinião.

Diante do exposto, a auditoria possui uma vasta gama de meios que contribui para a gestão das PME’S. Segundo considerações de Costa (2014), tem como função a verificação e apuração dos registros e lançamentos contábeis, a fixação de políticas e objetivos, estabelecimento de planos, normas e procedimentos para que alcancem suas pretensões, atua na organização e no controle da empresa a fim de que possam de fato operar, verificando a forma como os referidos planos, normas e procedimentos estão alcançando seus objetivos, formando uma opinião acerca de todas as informações obtidas, que servirá como suporte para conduzir os melhores caminhos a serem seguidos pelos seus gestores.

Segundo afirma Gil (2000, p. 82), para que se obtenha sucesso:

É fundamental que o auditor, antecipadamente, tenha em mente o tipo de fraqueza que a técnica de auditoria irá demonstrar via determinação de prova documental em termo de: fraudes de processos e produtos/resultados dos negócios organizacionais; não conformidade de processos e produtos/resultados dos negócios organizacionais; necessidades de otimização e processos e produtos/resultados dos negócios organizacionais.

Portanto, a auditoria é uma grande aliada na gestão das pequenas e médias empresas, sendo uma ferramenta de suma importância utilizada pelo o auditor para o assessoramento e suporte das organizações, contribuindo para o desempenho das atividades, auxiliando as pessoas responsáveis dentro da empresa auditada, verificando as formas como desempenham suas funções, o grau de comprometimento das mesmas, os controles praticados, tanto em níveis operacionais quanto na gestão dos negócios, pois são fatores cruciais para a emissão de um parecer correto, preservando eventuais problemas, sendo fundamental para obtenção do sucesso empresarial.

5 CONTROLE INTERNO NAS PME´S

De acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas de Auditoria Independente (NBC TA 315.4 C), controle interno é o processo planejado, implementado e mantido pelos responsáveis da governança, administração e outros funcionários para fornecer segurança razoável quanto à realização dos objetivos da entidade no que se refere à confiabilidade dos relatórios financeiros, efetividade e eficiência das operações e conformidade com leis e regulamentos aplicáveis. O termo “controles” refere-se a quaisquer aspectos de um ou mais dos componentes do controle interno.

Segundo Almeida (2009, p. 42):

Controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa.

Franco e Marra (2001, p. 267), consideram controle interno como:

Todos os instrumentos da organização, destinados a vigilância, fiscalização e verificação administrativa, que permitem prever, observar, dirigir ou governar os acontecimentos que se verificam dentro da empresa e que produzem reflexos em seu patrimônio.

As atividades de controle dentro das organizações são ferramentas de fundamental importância, pois atuam no planejamento, traçando metas, auxiliando os empreendedores no gerenciamento dos negócios e na tomada de decisões, capacitando sua equipe para um desempenho eficaz quanto à realização dos trabalhos, desenvolvendo procedimentos de execução das tarefas, contribuindo para a prevenção de erros e irregularidades nas empresas.

Conforme menciona Attie (2000, p. 114):

Um sistema de controle interno bem desenvolvido pode incluir o controle orçamentário, custos-padrão, relatórios operacionais periódicos, análises estatísticas, programas de treinamento de pessoal e, inclusive, auditoria interna. Pode também, por conveniência, abranger atividades em outros campos, como, por exemplo, estudo de tempos e movimentos, e controle de qualidade.

Entretanto, observa-se que a utilização de um sistema de controle interno é um instrumento de fundamental relevância para a gestão das pequenas e médias empresas e para uma administração bem-sucedida, colaborando para a obtenção de resultados satisfatórios, proporcionando um maior desempenho operacional e sua sobrevivência no mercado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O material evidenciou a importância dos trabalhos de auditoria contábil interna e externa, agregadas a um sistema de controle interno, vem se destacando nas organizações, independente do porte, ou ramo de atividade dos empreendimentos e o quanto podem colaborar para seus desenvolvimentos.

No atual cenário econômico altamente competitivo, onde estão inseridas as pequenas e médias empresas, faz-se necessário a adoção de ferramentas a fim de prolongar suas permanências no mercado, projetando resultados positivos para os negócios.

As perguntas norteadoras deste estudo foram se o trabalho de auditoria pode contribuir no processo de gestão das pequenas e médias empresas (PME’s) reduzindo a taxa de mortalidade? E quais os benefícios que o trabalho do auditor pode proporcionar a essas empresas?

Deste modo, observou-se que as aplicações destes recursos de auditoria e controle nas organizações são importantes instrumentos de gestão, visto que atuam diretamente no planejamento, prevenindo e detectando problemas, propondo soluções, colaborando efetivamente para a reestruturação, reduzindo significativamente as taxas de encerramentos prematuros das operações.

Portanto, verificou-se que a auditoria interna ou independente, unidas a um sistema de controle interno, quando desempenhadas de forma eficiente, são exímias atividades de gestão, assessoramento e auxilio, abrangendo mecanismos de suporte para os empreendedores, proporcionando diversos benefícios para a redução de riscos e a continuidade dos negócios.

Conclui-se que as utilizações destas ferramentas são de suma relevância para as PME’S, pois analisam o desenvolvimento estrutural e patrimonial das organizações, atuam na apuração de dados, verificação e prevenção de falhas e irregularidades que levam a ocorrência de adversidades, como erros e fraudes e fornecem informações preciosas aos administradores para tomada de decisões, assegurando que as metas sejam alcançadas com eficácia, contribuindo para o crescimento, sucesso e longevidade, almejando perspectivas satisfatórias para o futuro dos empreendimentos.

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TEIXEIRA, Paulo Henrique. Manual auditoria interna

Escrito por

Aline Braga

Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Católica Dom Bosco (2012). Especialista em Docência Superior pela AVM Faculdade Integrada (2013). Especialista em Auditoria e Perícia Contábil pela Universidade Católica Dom Bosco (2018). Extensão em Reforma Trabalhista 2017, Auditoria Digital, Educação a Distância ELearning, Didática do Ensino Superior, Oratória e Apresentação em Público, Imposto de Renda Pessoa Física, Orçamento Público, Simples Nacional, Microempreendedor Individual, Nota Fiscal Eletrônica, Certificação Digital e SPED Contábil e Fiscal. Atualmente Proprietária de Escritório de Contabilidade e Professora de Cursos Preparatórios para Concursos Públicos com Ênfase nas Áreas de Contabilidade Geral, Teoria da Contabilidade, Empreendedorismo, Fundamentos de Contabilidade Pública, Análise das Demonstrações Contábeis, Contabilidade de Custos, Controladoria, Fundamentos de Auditoria e Perícia Contábil, Administração Financeira e Orçamentária.

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