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Artigo: O peso que o bolso tem

Você tem tudo o que pode ter? A grande diferença entre o ter e o não ter é saber o espaço que as pernas podem percorrer, sem conferir pressa ou devagarice. Reflita, realmente temos o que podemos ou podemos o que queremos?

29/01/2012 17:03

Se minha opinião, como articulista, valer de alguma coisa e se os leitores me dessem, de bom grado, o poder de apontar uma lei definitivamente intrigante, diria eu: oferta e procura. Pode o leitor desavisado não atentar para a amplitude desta, mas bem o sabem os mais afiados de estudo que tanto dentro como fora do sistema esta lei é a que manda. Digo fora, pois tenho estudado sua lógica há tempo suficiente para fazer associações, com solvência moral e científica, com fatos emocionais, políticos e sociais. A lei da escassez, como bem a alcunham, de fato, chefia as relações humanas com tranquilidade e propriedade, sendo, para este que escreve, uma das maiores leis que regem o homem.

Como divisora invisível de povos, países, estados, cidades, bairros e até mesmo de ruas, a oferta e a procura define seu modo de vida como, por exemplo, o que você come, o tipo de relação afetiva que você tem, se você vota em A ou B para presidente e que tipo de amigos o cercam. Traça, de forma tênue, um destino certo para os padrões de consumo, sendo decisiva para a escolha de algo com alto padrão de qualidade ou sem padrão nenhum. Dita preços, valores, cotações e cargas tributárias sem forçar nada a ninguém, só com o poder da mente e da ambição que toda alma vivente que conhece e atribui algum valor à moeda metálica possui.

Não vou disperdiçar caractéres explicando essa lei, os interessados que procurem se informar sobre ela (para o seu próprio bem). Sendo eu um cientista, também não vou ignorar a opinião contrária dos que dela pensam algo diferente de mim; façamos juntos, pois, uma bela síntese. O que proponho é que todos abram os seus olhos para o que está ao seu redor neste momento, pois a lei de que vos falo é também a chave para a compreensão de elementos elementares de finanças pessoais para formação de uma pequena ou guande fortuna.

Para quem tem a visão sadia, ao observar claramente o que rodeia sua existência, é possível saber o que cabe ou não em seu bolso. Aquela TV 3D comprada na promoção, o carro financiado e o consórcio da casa própria; o bilhete de loteria, os livros sobre a estante e o tablet. Para o bom entendedor meia palavra basta. Muitos são os que caem no erro de adquirir bens de consumo e serviços baseando-se num bom momento macro, sem pensar num bom momento micro; que trocam a estabilidade dos preços pela facilidade do crédito; que dão passos maiores do que a perna e tem o olho maior do que a barriga, seja por modismo, seja por luxismo, seja por "burrismo".

Pior, muitos pais de família compram um terno de vitrine em dezenas de parcelas, estando com a corda em seus digníssimos pescoços sem considerar o que terão na mesa à noite. Há mulheres que compram roupas em seus cartões de crédito que nunca pretendem pagar ou, se pretendem, o fazem no valor mínimo. Essas situações me dou a liberdade de nomear OVERPOWER FINANCEIRO e quem entra nisso não está bem como imagina. Para buscar um lugar ao Sol, devemos primeiro saber onde é o nosso lugar. Para ilustrar isso, gostaria de chamar o leitor a refletir sobre uma situação peculiar que ocorreu esta semana.

Hoje assisto em Belo Horizonte. Um grande hipermercado de minha região tinha o acesso às dependências dos sanitários abertas ao público. Usavam esses sanitários os clientes, os lojistas comodatários, os funcionários e diversos moradores de rua. O ambiente era terrível, sempre imundo, fedorento e com os faxineiros reclamando de cara amarrada. Não poderia pensar em usar uma privada, estavam todas sempre entupidas, assim como os mictórios. O espelho do banheiro estava sempre embaçado, pois o usavam até para fazer a barba. Esta semana instalaram uma catraca, colocaram ali um funcionário e começaram a cobrar 50 centavos para o acesso público. Tudo mudou. Vejam só o peso que uma moeda tem no bolso de quem nada tem.

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