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'Crise se enfrenta com inovação'

Márcio Massao Shimomoto, novo presidente do Sescon-SP, fala sobre os desafios que o fisco vai impor às empresas neste ano de crise -e como uma boa gestão pode ser decisiva para se enfrentar essas dificuldades

postado 01/02/2016 07:54:41 - 672 acessos

Este ano será recheado de novidades fiscais e tributárias. Tem a ampliação do eSocial, a implantação do Sistema Autenticador e Transmissor de Cupons Fiscais Eletrônicos (SAT) e as mudanças no regimes de apuração do ICMS interestadualapenas para citar alguns exemplos. 

É em meio a tudo isso que o empresário contábil Márcio Massao Shimomoto, 51 anos, assume a presidência do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP).

Ele prevê um ano de muito trabalho para o profissional da contabilidade, principalmente porque essas novidades todas terão de ser implantadas em um ano de crise econômica acentuada.

“Implantar os sistemas será mais fácil do que mudar a cabeça do empreendedor, que estará preocupado com os efeitos da crise nos negócios e resistirá em fazer investimentos necessários para melhorar a gestão da empresa”, diz Shimomoto.

Para o novo presidente do Sescon-SP, que estará à frente da entidade até 2018, caberá ao contador orientar os empreendedores a tomarem as decisões mais adequadas. Essa função de consultor, aliás, segundo ele faz parte do novo perfil assumido pelo profissional de contabilidade.

Leia, a seguir, a entrevista concedida por Shimomoto ao Diário do Comércio:  

Diário do Comércio – Este será um ano repleto de novidades fiscais e tributárias. Tem a ampliação do eSocial, mudanças no ICMS e no Pis/Cofins. O que dará mais trabalho às empresas em 2016?  

Márcio Massao Shimomoto- Às vezes é mais fácil fazer a implantação de um sistema do que mudar a cabeça do empreendedor. Então estou prevendo um ano de muita conversa entre empresário e contador, porque além de todas essas mudanças fiscais e tributárias, o empresário estará preocupado com a situação econômica do país, que está afetando os seus negócios.

Em meio à crise, o contador precisará convencer o empreendedor a investir em soluções tecnológicas e mudar alguns processos para gerar informações mais adequadas. Claro que esse investimento, no futuro, pode ser revertido em melhores resultados para a empresa.

DC – Esse talvez seja o lado bom das mudanças trazidas pelo fisco?

Shimomoto – O que enxergo de benéfico nessas mudanças é que elas obrigaram o empresário a se organizar. Ao pegar as estatísticas do Sebrae feitas há cinco anos elas nos mostram que 80% das micro e pequenas empresas fechavam nos primeiros três anos de atividade.

Hoje, essas mesmas estatísticas mostram que esse percentual caiu para 50%. O que aconteceu nesse curto espaço de tempo? O empreendedor começou a se organizar, a melhorar a gestão dos negócios.

Por outro lado, o Sped e o eSocial são um emaranhado de informações, muitas vezes redundantes. Não sou contra essas novidades, desde que sejam eliminadas as obrigações repetitivas.

Além disso, com essas ferramentas o fisco conseguiu fazer um enorme banco de dados com informações dos contribuintes, mas ainda não consegue usar adequadamente o que tem em mãos.

Veja o exemplo da Emenda Constitucional 87, que jogou o ônus da coleta de informação para o contribuinte, quando o fisco poderia fazer isso facilmente. 

DC – A Emenda 87 afeta muito as empresas do Simples Nacional. Essas empresas menores têm acesso a uma contabilidade de qualidade? 

Shimomoto – Elas têm acesso sim, são o maior público das empresas de contabilidade. Essas empresas menores não têm condições de montar uma estrutura contábil própria, então recorrem às empresas de contabilidade.

O atendimento a elas precisa ser diferenciado. Muitas micro e pequenas empresas nos procuram para saber como se emite uma nota.

Pedindo para treinar funcionário da área administrativa. Recebo muitos desses pequenos empresários que querem somente  desabafar, comentando da dificuldade para pagar os impostos, dizendo que a estrutura da empresa custa muito.

Então atuamos como consultores, ajudando esses empresários a crescer, a tomar decisões mais adequadas. É por isso que hoje falamos que o contador é muito mais um amigo das empresas do que um profissional que cuida apenas de assuntos burocrático.

DC – Essa burocracia, essa bagunça no sistema tributário, não são boas para o contador? Trabalho não falta. 

Shimomoto – Em uma reunião com empresários do comércio em que eu explicava as complicações do eSocial falaram da plateia que essa complicação era coisa de contador, que estaria ganhando dinheiro com isso. Não é nada disso. O contador não vive da burocracia, somos sim afetados por ela, já que não conseguimos repassar seu custo para o cliente.

Muitos contadores diminuem a margem de lucro e assimilam a burocracia do Sped, do eSocial. O contador é uma ferramenta de gestão, não alguém para cuidar de burocracias.

DC – Quem era o contador dez anos atrás e quem é esse profissional hoje?

Shimomoto – Se voltarmos um pouco mais no tempo, na época da superinflação, quando os preços variavam 70% em um mês, a contabilidade perdia o sentido.

Apresentávamos balanços anuais para os empresários com defasagem de mil por cento. Então o contador ficava muito mais concentrado em resolver problemas com o fisco, quando deveria ser uma ferramenta de gestão para a empresa.

A inflação se reduziu, mas então vieram as novidades trazidas pelo SPED e pelo eSocial, que modificaram completamente o formato e a necessidade da contabilidade. Hoje o profissional de contabilidade tem de ser multidisciplinar, orientando o operacional das empresas para que elas não venham a ter problemas futuros com o fisco.

 DC – Como o senhor vê o aumento da importância das micro e pequenas empresas na economia do país?

Shimomoto – Antigamente se via muitas dessas empresas menores na informalidade, e muitos empresários eram céticos com relação a se formalizar.

Diziam que, por serem pequenos, o fisco não os enxergava e então continuariam trabalhando assim. Mas nesses últimos anos esse tipo de discurso acabou.

Esse negócio de que o fisco não me enxerga não existe mais, o fisco vê tudo hoje. Convencemos esse pequeno empresário de que o fisco não conhece a empresa por aquilo que ela vende, mas por aquilo que ela compra.

Se a empresa não se formaliza não tem como ser orientada por um contador, pois parte dos números não estará disponível. E a contabilidade só faz sentido se tiver acesso aos números totais.

A importância das micro e pequenas empresas na economia só vai crescer, principalmente com as mudanças no regime do Simples que estão em votação no Congresso, permitindo que as empresas mudem de faixa de faturamento sem grandes aumentos da carga tributária
 

DC – Esse contador que hoje trabalha para melhorar a gestão da empresa, que atua como consultor, que tem de lidar com novas tecnologias, é mais valorizado do que antigamente?

Shimomoto - Houve a valorização da classe sim. O profissional de contabilidade não é mais visto apenas como aquele parceiro que faz as guias de impostos no fim do mês e que só traz despesas.

Hoje o contador é visto como um investimento. Antes o contador atendia questões repetitivas, hoje estão pensando e analisando documentos.

A folha de pagamento das empresas de contabilidade se manteve, mas o número de pessoas trabalhando diminuiu. Isso significa que temos mais pessoas capacitadas, que custam mais, trabalhando.

DC – O senhor acredita em uma reforma tributária ampla ou vê mais futuro nas micro reformas? Qual seria a ideal?

Shimomoto - Reforma tributária ideal é uma utopia sem antes passarmos por uma reforma administrativa e política. Toda vez que se tentou fazer uma reforma ampla se caiu na briga dos estados por arrecadação, e isso emperra o processo no Congresso.

O que temos na prática são alguns solavancos, mudando um pouco aqui, um pouco ali. Mas como também sabemos que muitos países só conseguiram resolver essas questões importantes depois de passarem por momentos muito ruins, como os que enfrentamos hoje, acho que sairemos dessa crise com mudanças positivas.

O Brasil se aproxima muito da Itália de anos atrás. Estive na Itália recentemente e descobri que os italianos vêem que o Brasil de agora é a Itália do tempo da operação Mãos Limpas.

E como a Itália está saindo somente hoje daquela crise, eles enxergam esse mesmo movimento no Brasil, tanto que várias empresas italianas estão interessadas em vir para o país. Acho que, resolvendo esses problemas políticos e econômicos que temos agora, e despertando o sentimento de nação no país, vamos fazer a reforma tributária em um segundo momento.

DC – Quais serão as suas prioridades ao longo desse três anos à frente do Sescon-SP?

Shimomoto - Diferentemente da gestão publica, aqui no Sescon temos a tradição de continuidade nas ações realizadas pelos antecessores. Eu quero continuidade com inovação, o que parece não dar liga, não é mesmo?

O que quero dizer com isso é que vou manter os alicerces da entidade, mas dando um passo à frente, continuando a investir na educação continuada dos contadores, mas quem sabe partindo para as graduações agora.

Nada existe na vida que não possa ser melhorado. O país está em crise, e só se consegue enfrentar a crise com inovações, capacitando os associados para enxerguem oportunidades nesse período ruim, em vez de se retraírem, parando de investir e andando para trás.  

Fonte: Diário do Comércio - SP

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