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Inflação de janeiro mostra que o pior da recessão já passou

Em um patamar de 5,35% em 12 meses, índice justifica a manutenção do ritmo de cortes da Selic ou ampliação na intensidade das quedas, segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp

postado 09/02/2017 16:30:11 - 719 acessos

A inflação oficial medida em 12 meses continua mostrando forte desaceleração e a estimativa de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é que esse ritmo deve prosseguir ao longo do ano, devido à perspectiva de safra recorde - que seguirá exercendo pressão baixista sobre os preços de alimentos.

Além disso, o elevado grau de ociosidade da economia e o recuo da taxa de câmbio colaboram para uma inflação mais comportada. 

“É não somente o menor IPCA para janeiro desde 1979, mas muito abaixo do que o mercado previa. Com isso, é importante ressaltar que a taxa de 12 meses já está em 5,35%, o que certamente justifica a manutenção do atual ritmo de cortes da Selic ou, quem sabe, uma ampliação na intensidade das quedas. De qualquer maneira, fica cada vez mais evidente que o pior da recessão ficou para trás”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

Segundo economistas da ACSP, esse comportamento mais benigno mostra que a inflação poderá, depois de muitos anos, terminar 2017 bem próxima da meta de 4,5% ao ano, reforçando a disposição do Banco Central de realizar cortes de juros mais agressivos durante os próximos meses e preparando a economia brasileira para a retomada do crescimento.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,38% em janeiro, acelerando levemente em relação a dezembro (0,30%).

Essa foi a menor alta para o mês desde 1979, surpreendendo os analistas de mercado, que projetavam maior elevação. Esse resultado contribuiu para reduzir fortemente a inflação no acumulado em 12 meses, que passou de um aumento de 6,29%, observado em dezembro, para 5,35%.

Essa ligeira alta mensal se explica fundamentalmente pelos aumentos dos preços da alimentação, devido a fatores puramente sazonais, do transporte, devido aos reajustes das tarifas de ônibus urbanos e do grupo habitação.

No caso do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), na passagem de dezembro a janeiro, houve desaceleração de 0,83% para 0,43%, respectivamente. O recuo da inflação medida por esse outro indicador foi ainda mais intenso, na comparação com o primeiro mês de 2016 (1,27%).

Assim, no acumulado em 12 meses, o IGP-DI recuou de 7,18% em dezembro para 6,02% em janeiro, refletindo, mais uma vez, a intensa descompressão dos preços das matérias primas, medidos pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), seu principal componente, que diminuiu de 7,73% para 6,37%, respectivamente.

Essa descompressão pode ser explicada fundamentalmente pelo comportamento dos preços das matérias primas agrícolas que, na mesma base de comparação, de acordo com o IPA AGRO, passaram de uma alta de 9,91% para 4,94%, respectivamente.

Fonte: Diário do Comércio

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