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Conceitos em Contabilidade e Formação de Opiniões

O uso dos termos ou palavras que expressam idéias quando no campo da ciência e da tecnologia exige rigor. Um conceito deve subordinar-se, no caso referido, aos

20/10/2006 00:00:00

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O uso dos termos ou palavras que expressam idéias quando no campo da ciência e da tecnologia exige rigor.
Um conceito deve subordinar-se, no caso referido, aos preceitos da lógica formal.
Quando não há entendimento uniforme sobre o significado de uma expressão o normal é que os entendimentos se debilitem.
A Química moderna, por exemplo, só começou a ensaiar o seu progresso quando Antonio Lavoisier estabeleceu uma ordem nos conceitos.
De alguns anos para cá estamos a viver no campo contábil uma euforia de novas expressões que por não serem consagradas sugerem interrogações.
Ou seja, só as bem entendem os seus próprios autores ou um grupo de pessoas a estes ligadas.
O mimetismo tem sido o principal responsável pela questão, especialmente por parte dos submissos intelectualmente à literatura estadunidense que ainda pioram as coisas com traduções inadequadas.
A expressiva influência anglo-saxônia nas Normas ditas "internacionais" de Contabilidade (em realidade de influência de grupos dominantes) tem tornado quase compulsória a introdução de termos inadequados e incompetentes para traduzirem idéias que pudessem realmente ser aceitas como conceitos de qualidade.
Isso quando os imitadores não pioram o quadro sequer se dando ao cuidado de traduções, empregando a expressão da língua inglesa como se vernácula fosse.
Tal situação, extremamente desconfortável, além de romper a soberania nacional (na qual o idioma é lídimo elemento) em muito deprecia a qualidade cultural.
Como se não bastassem os defeitos da terminologia a estes se acrescentam os de imprecisão na ordem lógica das razões reunidas para a formação de um juízo sobre os fenômenos da riqueza dos empreendimentos.
Não faz muito tempo e surgiu a expressão "Contabilidade de Ganhos" derivada de uma dita "Teoria das Restrições".
Ao leigo foi lícito indagar que tipo de ganhos e restrição a que.
A um profissional, também, não foi estranhável indagar se sendo a Contabilidade ciência do patrimônio se havia outra só aplicada aos ganhos.
Indagações razoáveis de serem feitas por derivadas serem de subjetiva atribuição conceitual de Goldratt.
O referido autor, severo crítico do sistema de custos que também virou modismo, denominado ABC, considerou que em face do prazo em que as decisões devem ser tomadas é imprestável a análise de custo baseada em atividades.
Há tempos, todavia, questionada encontrava-se a matéria, pois, muito antes que os estadunidenses apresentassem como sendo deles a "criação" do critério este já estava alicerçado em doutrinas desenvolvidas na Europa por grandes doutrinadores como os italianos Domenico Amodeo, Teodoro D´Ippolito e Luigi Guatri.
Sequer poderemos imaginar por quanto tempo as opiniões estarão divididas e Goldratt, mesmo com razão, não foi o exclusivo e nem o pioneiro a protestar contra o processo de análise de custos por linhas de produtos.
A realidade é que a falta que faz a grande parte dos norte-americanos um maior respeito à doutrina cientifica contábil, sufocados que se acham pela pressão da euforia normativa, é a que provoca os problemas referidos.
Sem a construção de essência nos conhecimentos é natural que as formas pelas quais se manifestam percam o sentido de unidade.
Os ditos "modernismos" tendem a ficar empoeirados nas prateleiras do esquecimento (como muitos se acham) quando não possuem alimentação doutrinária apoiada pela lógica das ciências, fundamentados em realidades de cunho universal e duradouro.
A evolução é desejável, necessária, imprescindível mesmo, todavia, inspirada na generalidade e não em casos isolados e manifestações subjetivas.
O que o servilismo cultural está fazendo no campo da terminologia contábil é preocupante e difícil de aceitar-se como progresso se em conta se tiver o que se acha comprovado na história do conhecimento humano.

Antônio Lopes de Sá.

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