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Consumidor: Você pede desconto?

Caro leitor, vou iniciar esse artigo com uma pergunta direta: você costuma pedir descontos na hora de comprar, sobretudo quando você tem o dinheiro para pagar

15/12/2006 00:00:00

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Caro leitor, vou iniciar esse artigo com uma pergunta direta: você costuma pedir descontos na hora de comprar, sobretudo quando você tem o dinheiro para pagar á vista? Se sim, você faz parte de uma minoria que sabe valorizar o dinheiro. Entretanto, boa parte dos consumidores não se atenta a essa prática.
Tenho percebido o quanto as pessoas precisam entender que não é vergonha alguma pedir descontos nas compras, sobretudo se as mesmas forem à vista. Muitos consumidores ficam acanhados só em pensar em pechinchar na hora da compra. Por outro lado existem aquelas pessoas que não costumam pedir desconto porque acham que 3, 4 ou 5% que vai ser abatido do preço é um percentual muito pouco. Isso acontece por causa da memória inflacionária que ainda existe no País. Caros consumidores, saibam que a caderneta de poupança rende em média 0,6% ao mês, o que equivale a 7,44% ao ano. Então se você consegue um desconto de 5% isso equivale a um rendimento de quase 8 meses da caderneta de poupança.
Para se ter uma idéia do quão é vantajoso pedir descontos, vou dar um exemplo do que aconteceu comigo outro dia. Fui fazer compras com alguns familiares e como de costume aproveitei para pedir desconto tanto para mim quanto para quem me acompanhava. Na primeira situação a compra totalizara R$ 61,80. Contudo, ao pedir um desconto, a mesma ficou em R$ 60,00. R$ 1,80 parece pouco, mas obtive um desconto de 2,91%. Num segundo momento, a compra era de R$ 24,90 e ficou por R$ 23,65. R$ 1,25 de desconto correspondeu a 5,02% nessa compra. Mais diante, outra compra realizada foi de R$ 64,97, que após a pechincha ficou por R$ 62,00. R$ 2,97 correspondeu a um desconto de 4,57%. Mas o melhor desconto ainda estava por vir. Cheguei numa loja na qual sou cliente há algum tempo e realizei uma compra de R$ 46,80. Como de costume, recebo um desconto de 10%, mas desta vez conversei com a gerente e ressaltei a fidelidade que possuo ao referido estabelecimento comercial e merecia um desconto maior nesse final de ano. Sendo assim, obtive um desconto de 14,53% e a minha compra ficou em R$ 40,00.
Em suma, contabilizando o gasto acima, caso eu não pedisse desconto, pagaria R$ 198,47. Entretanto, paguei R$ 185,65. Obtive um desconto de R$ 12,82. Parece pouco, mas não é. Vejamos: o desconto total foi de 6,46%. Esse percentual é quase o rendimento que a caderneta de poupança paga em um ano. Com R$ 12,82 a mais na carteira eu poderia abastecer meu carro com 8,97 litros de álcool, que daria para eu rodar cerca de 53,79 km. Ou ainda poderia aproveitar a promoção num supermercado e comprar 3 pacotes de 5 kg de açúcar cada, que custava R$ 3,99 e ainda sobraria R$ 0,85. E tem mais, os R$ 12,82 equivale a CPMF (que é de 0,38% sobre as movimentações financeiras) de R$ 3.373,68. Isso mesmo: se você passar um cheque nesse valor irá pagar R$ 12,82 só de CPMF.
Então, caro leitor, veja como é vantajoso e racional pedir descontos. O que pior pode acontecer é não conseguir o mesmo. Dificilmente um comerciante não concederá, sobretudo se o pagamento for à vista e em dinheiro. Essa modalidade propicia ao empresário um valor integral da venda e antecipa em 30 dias o que ele receberia caso a venda fosse no cartão de crédito. Com isso, ele economiza de 2 a 4% do valor da venda que pagaria à administradora do cartão. Com dinheiro na mão, o comerciante pode honrar alguns compromissos sem passar pelos bancos, o que poupa mais 0,38%.
Em suma, a vantagem é para ambas as partes: compradores e vendedores. E agora, caro leitor: você ainda vai hesitar antes de pedir descontos? Argumentos você tem de sobra.

Fernando Antônio Agra Santos é formado em Economia pela UFAL, Doutor em Economia Aplicada pela UFV - MG e Professor Universitário em Juiz de Fora - MG (agra.fernando@gmail.com).

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