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Variação do Capital e Demonstração Financeira

A variação que o capital suporta por efeito da atividade é um "rédito", ou seja, contabilmente um acréscimo algébrico de valor. Assim os clássicos

25/12/2006 00:00:00

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A variação que o capital suporta por efeito da atividade é um "rédito", ou seja, contabilmente um acréscimo algébrico de valor.
Assim os clássicos da ciência contábil aceitaram e desta forma a doutrina tem desenvolvido o tema.
Nem sempre, entretanto, tal mutação, representa uma comparação entre vendas e custos.
Uma empresa pode ter rédito sem realizar operação mercantil.
Mesmo não comerciando, nem recebendo aporte dos sócios, sequer realizando um movimento financeiro diretamente proporcional ao resultado, o patrimônio pode variar para mais ou para menos.
Isso, por exemplo, é o que ocorre quando do plantio de mudas para florestamento, criação de aves e gado, semeaduras, tudo motivando crescimento.
Da mesma forma, sem ação administrativa uma geada destrói uma plantação, raios matam o gado, pestes dizimam aves, reduzindo a riqueza.
Fatores que não se derivam diretamente da ação do homem, portanto, podem resultar em variação aumentativa ou diminutiva de um capital.
Temerário é, pois, confundir "fenômeno administrativo" com "fenômeno patrimonial", assim como o é mesclar conceito de "fenômeno reditual" com "fenômeno financeiro".
É inadequado dizer que uma demonstração de resultado, logo reditual, é uma demonstração financeira.
Impróprias são as denominações genéricas quando a tudo não conseguem abranger.
"Demonstrações financeiras" não equivalem a "demonstrações contábeis", pois, aquelas só se referem à espécie que é a circulação do dinheiro e estas à generalidade e que é a riqueza em sua totalidade.
O "financeiro" é contábil, mas, nem tudo o que é contábil é financeiro na essência.
O fato de se medir um fenômeno em moeda não o faz, por natureza, monetário.
O conceito de "financeiro" provém de "termo de vencimento de obrigação" que no século XIII na França começou a ser empregado como sinônimo de "pagamento" e que se aplicou no século XIV em Contabilidade do Estado no mesmo País para significar renda ou recebimento em dinheiro por arrecadação.
O termo foi ampliando a extensão de seu uso, mas, conservou o caráter de movimentação monetária no sentido de pagar e receber, ou seja, fluxo de dinheiro.
Os fenômenos patrimoniais, todavia, possuem variadas características próprias, embora todas avaliáveis monetariamente.
Isso exige o que no campo da ciência é requerido, ou seja, objetividade.
Objetivo epistemologicamente é o que se relaciona à essência do fenômeno.
Uma coisa é a liquidez, outra a rentabilidade, ainda outra a produtividade etc.
Por analogia pode-se considerar que o fato de se pesar e traduzir em quilos quantidades de chumbo, estanho, zinco, alumínio, ferro, não elimina de cada um desses elementos a sua propriedade e nem lhes modifica a estrutura.
O mesmo ocorre com o patrimônio; o fato de se avaliar tudo em moeda não tira a cada componente a natureza de sua função.
É preciso ter em foco igualmente que as forças que agem como modificadoras do patrimônio são também específicas e nem sempre defluem da ação direta do pessoal que age sobre a riqueza.
Muitos são os agentes modificadores do capital dentre os quais se incluem: natureza, seres viventes, mercado, ciência, sociedade etc.
O fenômeno patrimonial é deveras complexo e o estudo do mesmo demanda visão holística, sem desprezo da consideração específica em relação a cada natureza de fenômeno.

Antônio Lopes de Sá

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