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Taxa de Juros, Inflação e Câmbio

Na última quarta-feira, 18 de abril, o Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da economia (SELIC,

21/04/2007 00:00:00

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Na última quarta-feira, 18 de abril, o Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da economia (SELIC, Sistema Especial de Liquidação e Custódia). A mesma caiu de 12,75 para 12,5% ao ano. Essa taxa remunera os títulos do Governo, bem como serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Vale ressaltar que essa taxa é nominal e para encontrarmos a taxa de juros real, ou seja, aquela que realmente importa tanto para os investidores quanto para os especuladores, temos que descontar a inflação. Caso a mesma em 2007 chegue aos 3%, a taxa real de juros será de 9,22% ao ano. Apesar da taxa nominal vir caindo há vários meses, a taxa de juros real ainda é uma das mais altas do mundo. Senão a mais alta. Isso tem sido um sério problema que tem travado o crescimento da economia brasileira. Taxas de juros altas tornam o crédito mais caro para o investidor e inibe o consumo. Somente favorece aos especuladores financeiros (bancos e similares). Para se ter uma idéia de quão alta é a nossa taxa de juros, basta observar que grandes empresas não têm interesse em vender à vista com desconto. Prefere embutir juros e vender a prazo, ou seja, além de vender a mercadoria, vende também empréstimos. E para corroborar como o dinheiro tem ficado ainda mais caro, basta verificar que as taxas de cheque especial chegam à casa de 7% ao mês e a do rotativo do cartão de crédito a quase 12% ao mês, em média. Sendo assim, o consumidor tem que tomar cada vez mais cuidado com seu orçamento doméstico e evitar dívidas que não poderão honrar.

Apesar dos índices de inflação estarem baixo, na casa de 0,11% no mês de março, é bom lembrar que os mesmos representam uma média, ou seja, há preços que estão sendo reajustados bem acima desses índices oficiais. Aqui em Juiz de Fora (MG), onde resido atualmente, a passagem de ônibus passou de R$ 1,55 para R$ 1,75, um aumento de 12,90%, apesar de peritos não terem encontrado base para tamanho reajuste. Com isso, a população chega a acreditar que se está governando para as elites empresariais e não para o povo. E tem mais, o atual prefeito, assim que foi eleito prometeu reduzir o preço das passagens. Promessa nunca cumprida. E para piorar ainda mais, a energia elétrica teve um reajuste de mais de 6% na semana passada. Com isso, fica muito difícil creditar que a inflação está controlada e a classe trabalhadora vem observando seu poder de compra cada vez mais corroído por esse imposto inflacionário (perda do poder de compra da moeda para a inflação).

Paralelamente, tem-se observado cada vez mais um processo de apreciação cambial, com o dólar caindo cada vez mais. Acredita-se que se continuar assim, em breve US$ 1,00 custará menos de R$ 2,00. Isso tem acontecido por causas das elevadas taxas de juros reais da economia brasileira e também por conta dos sucessivos superávits comerciais (exportações maiores do que importações). Esses fatores contribuem para uma entrada maciça de dólares na economia e com isso observamos a velha e conhecida Lei da Oferta e da Procura. Excesso de oferta de dólares na nossa economia contribui para uma queda do preço do mesmo. Como é um fenômeno decorrente do próprio mercado, chama-se de apreciação cambial. Se fosse por intervenção do governo seria chamado de sobrevalorização cambial. Isso favorece as importações, que ficam mais baratas e prejudica as exportações, que perdem competitividade no mercado internacional, pois nossos produtos ficam mais caros. E no mercado interno, a indústria nacional se vê a mercê da concorrência com os produtos importados que entram aqui mais baratos. Isso tem contribuído para o fechamento de muitas empresas e de muitos postos de trabalho. Para o governo, isso acaba sendo bom, pois o mesmo passa controlar a inflação (que não está tão sob controle) com a taxa de câmbio apreciada. Instrumento chamado de Âncora Cambial.

Em suma, os rumos da política econômica precisam ser melhores observados, pois juros altos e câmbio apreciado contribuem para certo controle da inflação (isso no ambiente concorrencial, pois como observamos nos exemplos acima, de pouca ou nenhuma concorrência, a inflação não está sob controle), mas prejudica a geração de empregos.

Fernando Antônio Agra Santos é formado em Economia pela UFAL, Doutor em Economia Aplicada pela UFV e professor em universitário em Juiz de Fora - MG (agra.fernando@gmail.com)

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