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Tecnologia e Emprego

Sem sombra de dúvida, a chaga do desemprego é uma das mais terríveis do sistema capitalista, somente quem passou ou está passando por uma situação assim

16/05/2007 00:00:00

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Sem sombra de dúvida, a chaga do desemprego é uma das mais terríveis do sistema capitalista, somente quem passou ou está passando por uma situação assim sabe quão ruim é a mesma. E numa economia globalizada como a atual, que preza a busca pela eficiência, via desenvolvimento tecnológico, a situação agrava-se mais ainda, pois como conciliar desenvolvimento tecnológico com geração de empregos? Como os formuladores de políticas publicam devem enfrentar esse desafio em benéfico da nação?

Não é novidade alguma que a tecnologia sempre vem para ampliar produtividade, reduzir custos, aumentar lucro, melhorar a qualidade dos produtos e serviços ao consumidor. Só que na maioria das vezes, as mesmas são poupadoras de mão-de-obra, ou seja, dispensam cada vez mais o homem em substituição da máquina. E aí muitos dizem, a tecnologia é perversa, aumenta o desemprego e piora a situação da classe trabalhadora, e a í eu questiono, se não desenvolver tecnologicamente, como competir neste mundo cada vez mais globalizado? Pois se não inovar tecnologicamente, as empresas podem ficar no sentido oposto do progresso e aí, ao invés de reduzir o número de trabalhadores, as mesmas empresas poderão quebrar e aí desemprega todos ao invés de uma parte. Realmente é um dilema esse paradoxo do desemprego e da tecnologia, que realmente dá muita "dor de cabeça" à sociedade.

As análises supracitadas não são absolutas e gerais, dependem de cada país, da condução da política macroeconômica e do estágio de desenvolvimento atingido, pois no caso de certos países europeus, o desemprego é mais do ponto de vista estrutural, ou seja, a estrutura da nação não comporta mais crescimento e fica muito difícil para os formuladores de pesquisa encontrarem alternativas para absorver essa massa de trabalhadores expurgada pela tecnologia. No caso do Brasil, a situação é bem diferente, a estrutura do País ainda comporta um crescimento inexorável. O nosso potencial é amplo e diversificado, a questão é puramente de (falta) vontade política em resolver a questão do desemprego, pois faltariam linhas para enumerar as oportunidades de empregos que poderiam ser geradas para abarcar a mão-de-obra desempregada. Balela é falar que a educação é a salvação do Brasil, pois o que adianta essa massa de educados lançados anualmente no mercado de trabalho numa economia estagnada, que não cresce há mais de duas décadas e com isso não gera emprego suficiente? È de fundamental importância a educação, desde a base até os níveis superiores, até para desenvolver pesquisas e deixar de importar os pacotes tecnológicos prontos da Europa e dos EUA que somente ampliam a dependência do País, mas complementarmente à educação, tem que ser implementado um programa de crescimento econômico, seguido de desenvolvimento, que leva em conta distribuição justa de renda e melhoria de bem-estar para a sociedade. Isso é muito difícil no estágio atual da economia brasileira, que se encontra vulnerável e dependente da política monetária recessiva, com taxas de juros estratosféricas, deixada nestes últimos anos.

A própria recuperação do enorme déficit que o governo tem perante a sociedade, em termos de saúde, educação, transporte, segurança, habitação, entre outros, já geraria uma enorme oferta de postos de trabalho. Associados a isso, o desenvolvimento do turismo e seu efeito multiplicador, bem como o agronegócio são potencias sub-explorados, ou seja, podem contribuir muito mais para o crescimento do País, logo, absorverá uma gama de pessoas expurgadas pelo desemprego tecnológico, que é uma tendência mundial e irreversível. Só que para implementar políticas públicas, o governo precisa de dinheiro e isso me preocupa muito, pois, como já mencionei várias vezes: os bilhões que são pagos de juros da dívida anualmente somados ao que é desviado com a corrupção e a sonegação empobrecem cada vez mais o caixa do governo que se vê de mãos atadas para implementar uma séria política keynesiana de intervenção para recuperar a economia, como fez Roosevelt nos anos 30 do século XX, para salvar a economia dos EUA da Grande Depressão de 1929.

Enfim, potencial para crescer o Brasil tem, pois a estrutura comporta e existem várias possibilidades, como as descritas acima que gerarão mais empregos e com isso, o desemprego tecnológico pode muito bem ser atenuado e a população poderá unir o útil ao agradável: usufruir dos benefícios da tecnologia, mas estando empregadas.

FERNANDO ANTÔNIO AGRA SANTOS é Economista pela (UFAL), Doutor em Economia Aplicada pela UFV, Professor Universitário em Juiz de Fora - MG (fernando.agra@yahoo.com.br)

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