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Análise Contábil e Conhecimento Superior

O conhecimento sobre a movimentação do capital nas empresas é tarefa contábil de rara importância na orientação das decisões administrativas. Não basta,

13/10/2007 00:00:00

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O conhecimento sobre a movimentação do capital nas empresas é tarefa contábil de rara importância na orientação das decisões administrativas.

Não basta, entretanto, apenas a "informação", devendo-se considerar a mesma apenas como um elemento de utilização.

Assim, por exemplo, não é suficiente informar que a despesa financeira de um estabelecimento é de tantos reais, pois, não explicaria, por si só, se o montante seria exagerado, irrelevante ou adequado.

A análise das demonstrações contábeis é o caminho para se conhecer o comportamento dos capitais.

O que justifica a qualidade do conhecimento da Contabilidade é exatamente o estudo dos fatos.

Esse conhecimento, entretanto, requer base científica.

Uma análise deve-se processar através de "relações", pois, é assim que em todas as ciências se procede.

Uma coisa é ter sensibilidade para as práticas e outra é saber precisamente como praticar.

O homem do campo, inculto, sabe reconhecer a aproximação da chuva, apoiado em observações e hábitos, mas não consegue explicar o porquê o fato ocorre e nem estabelecer de forma precisa a previsão do mesmo.

Entre o "sensível" (instinto que existe até nos animais inferiores) e o racional (fruto de uma inteligência superior) existe apreciável diferença.

Há milênios o ser humano "percebe instintivamente", com alguma dose de inteligência, os fatos contábeis, mas, só os tratou "cientificamente" a partir do século XIX.

Assim, por exemplo, de Plínio, o moço (61 ou 62 a 114 da era cristã), principal auxiliar do imperador Trajano (53-117 da era cristã), ficaram cartas que evidenciam orientações sobre cortes de despesas, estas julgadas desnecessárias.

Infere-se, logicamente, que a conclusão do ilustre homem público derivou-se de análise de informações contábeis.

Tal fato, todavia, foi inspirado em estudos de natureza empírica, posto que na época, embora o sistema informativo romano fosse de boa qualidade, não há prova de que em Contabilidade se houvesse construído uma doutrina cientifica.

Os romanos possuíam muitos livros de escrituração e o Contador era dos funcionários públicos que obtinha a melhor remuneração, sendo, portanto, altamente valorizada a função do mesmo, mas, nenhuma obra doutrinária da época foi sequer referida por autores de outras conhecidas.

Ao longo dos milênios o conhecimento sobre os fatos ocorridos com o patrimônio foi sendo objeto de estudos racionais e o esforço para conceituar e logicamente disciplinar a matéria foi crescente.

Uma distinção relevante passou a existir entre a qualidade do conhecimento apenas informativo e aquele de ordem explicativa.

A doutrina construída em bases de inteligências superiores de grandes intelectuais transformou-se em poderoso apoio ao estudo analítico do movimento da riqueza dos empreendimentos e trabalhos notáveis foram editados.

Em meu livro há pouco tempo editado pela Juruá, "Moderna Análise de Balanço ao Alcance de Todos" procurei evidenciar todo o progresso referido, este que hoje vai alcançando seu ápice na produção de "Modelos Científicos Contábeis" para a tomada de decisões administrativas.

O processo evolutivo da Contabilidade na área da ciência foi tão acelerado no século XX que permitiu um critério holístico, este cuja metodologia prossegue em ritmo acelerado.

A análise, assumindo a verdadeira importância que deveras possui, deve inspirar-se em confiáveis informações, estas que no mundo atual estão às vezes ameaçadas face à má qualidade de algumas normas contábeis, estas não apoiadas em critérios científicos.

Antônio Lopes de Sá

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