x

Importância e Metodologia da Análise Contábil

Assim como um medicamento para ser eficaz precisa ser prescrito pelo médico, também as decisões empresariais de maior relevo requerem a assistência técnica

28/10/2007 00:00:00

2.565 acessos

Assim como um medicamento para ser eficaz precisa ser prescrito pelo médico, também as decisões empresariais de maior relevo requerem a assistência técnica de um especialista.

A orientação para investir, para que a prosperidade seja conseguida é, sem dúvida, a principal e mais significativa função do Contador posto que este é o cientista dos empreendimentos.

Não consegue, todavia, o profissional emitir opinião válida sem que a mesma deflua de um estudo das informações contábeis.

Uma análise, seja de que fenômeno for, necessita de método competente para que possa produzir conclusões apoiadas na verdade.

Existem situações ideais a serem tomadas como parâmetros, ou seja, um tipo de relação ideal competente para evidenciar se os procedimentos patrimoniais estão sendo corretamente seguidos em busca da eficácia.

Essas se espelham em modelos ou construções que indicam o que deve ser perseguido como meta.

Ao Contador cabe construir os modelos ditos "quantitativos" ou adaptáveis a cada caso, partindo de "qualitativos" que são ditados pela ciência.

Ou ainda, a teoria mostra a realidade a ser atingida e a prática deve preocupar-se em convertê-la em algo factível.

Podemos produzir modelos para corrigir falha já conhecida, encontrar alternativa de decisões administrativas a serem tomadas, realizar investimentos, obter financiamentos, realizar transformações societárias, regular a produção, dilatar a empresa, em suma, para muitos propósitos.

Nenhum modelo, todavia, pode alcançar seu escopo sem que seja construído através de uma análise competente de "relações lógicas" e sem que tenha como objetivo a ótica da "eficácia".

Se não se conhecem as razões que alicerçam a existência de um fato não se podem construir modelos válidos e nem analisar as razões referidas se não se parte de raciocínios lógicos fundamentais, especialmente os que possuem compromissos com a "essência".

Como lecionou Hegel, "A referência a si mesma na essência é a forma da identidade, da reflexão em si" e só a identidade entre "necessidade" e "meio patrimonial" (que são essências) pode ensejar a eficácia, meta primordial da finalidade do estudo da Contabilidade.

Embora a referência do emérito filósofo possa parecer restrita a algo pessoal, no sentido essencial geral, não é restritiva se relativamente e por analogia considerarmos a essência das coisas de forma holística e sob a ótica do objetivo.

Não se podem dissociar, para efeito analítico em Contabilidade, o que é necessário (como falta de riqueza para conseguir propósitos) daquilo que é apto para suprir a necessidade (riqueza patrimonial apta a ensejar a consecução do objetivo), sob pena de se perder a identidade do examinado.

Ou seja, a identidade da essência está na relação que entre ela mesma se faz a partir dos elementos de que se constitui.

A análise contábil requer a evocação originária ou geratriz do próprio patrimônio e que é a necessidade, para entendimento sobre o analisado, como já evocava Giovanni Rossi na segunda metade do século XIX (obra L´ente economico-amministrativo).

Tais reflexões, embora filosóficas, são determinantes na escolha da metodologia na prática.

A ciência, o modelo científico, partindo do essencial, somando-se aos demais aspectos (dimensional e ambiental), completa o caminho conveniente ao curso do pensamento aplicado ao analítico.

Quando se busca um modelo em Contabilidade deve-se deixar orientar por uma série de condições, dimanadas das fundamentais, mas que ditam a estrutura de qualquer fenômeno do patrimônio.

Tais diretivas se posicionam na doutrina neopatrimonialista a partir das denominadas relações lógicas e que são: essenciais, dimensionais e ambientais.

Todas as referidas influem sobre os fenômenos da riqueza das células sociais e nas funções do patrimônio, em forma sistemática.

Ou seja, necessário para analisar é considerar a gênese, a natureza, as medidas, as influências internas e externas que promovem o fenômeno patrimonial, tomando como paradigma a eficácia dimanada das funções sistemáticas dos meios patrimoniais.

Tudo isso de forma "holística", ou ainda, observando o procedimento da riqueza do empreendimento em conjunto com as forças que sobre o patrimônio influem para transformá-lo.

O racional é um estudo a partir de relações e ótica de sistemas, estes inseridos em universos.

Necessário ainda se faz ter em conta que todas as funções ou utilidades da riqueza vivem em interdependência, em concomitância, seguindo rumos comuns, recebendo ações que provocam movimentos.

A época atual exige exames integrados, analíticos, mas, também sintéticos, competentes para abranger a tão ágil mudança dos fatores que influem sobre a vida dos negócios.

Não se pode chegar a uma síntese confiável se não se parte de uma análise abrangente, considerando todas as relações lógicas que geram o fenômeno patrimonial, tendo em mira a interação e a natureza funcional que existe em tudo o que acontece com a riqueza dos empreendimentos humanos.

Antônio Lopes de Sá

MATÉRIAS RELACIONADAS
RECEBA CONTEÚDO EM SEU EMAIL cadastrar

O Portal Contábeis se isenta de quaisquer responsabilidades civis sobre eventuais discussões dos usuários ou visitantes deste site, nos termos da lei no 5.250/67 e artigos 927 e 931 ambos do novo código civil brasileiro.