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Oportunidade, continuidade e efeitos correlativos entre custos fixos, produção e mercado

Grandes empreendimentos requerem em geral imobilizações maiores, especialmente em determinados ramos nos quais só estas permitem uma eficaz operacionalização.

07/12/2007 00:00:00

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Grandes empreendimentos requerem em geral imobilizações maiores, especialmente em determinados ramos nos quais só estas permitem uma eficaz operacionalização.

Em certos casos chegam a ser vultosos os referidos investimentos, colocando, inclusive em risco também proporcionalmente maior os que investidores.

Essa tem sido uma das razões que leva a concentração de capitais e cuja complexidade pode criar outros tantos problemas.

Ou seja, a vocação dos grupos que assumem maiores riscos é sempre a de desejarem maiores controles sobre o comando das empresas.

Um dos grandes estudiosos do tema, professor da Universidade de Roma, o excelso doutor Pietro Onida produziu obra magistral no que tange à matéria, conseguindo que a mesma o fizesse um "clássico" no assunto.

O mestre leciona ostensivamente que maiores imobilizações resultam em maiores custos fixos e estes inevitavelmente absorvem os lucros, exigindo uma gestão especial para poder extrair do mercado consumidor o suficiente para pelo menos durante algum tempo garantir o equilíbrio.

Como a conquista do utente e as condições em que trabalha nem sempre permite a este que pague o preço imposto, mas, sim, o conveniente, ocorre um problema de compatibilização.

Portanto, ao realizar inversões maiores o produtor dos bens ou dos serviços pode não conseguir imediatamente seus resultados lucrativos imediatos.

A implantação de um negócio requer visão em longo prazo quando são vultosos os investimentos.

Não significa, pois, tecnicamente erro administrativo o fato de não se obter imediatamente proveitos financeiros, pois, a continuidade tem prevalência sobre a oportunidade quando se tem em mira a implantação de uma grande empresa.

A própria prática de preços menores para a conquista de mercado e garantia de sobrevivência pode justificar eficácia administrativa.

Onida é taxativo, em sua obra mestra sobre a "dimensão do capital das empresas" lecionou na primeira metade do século XX que a transformação de custos fixos em custos variáveis só se consegue com alguns sacrifícios e que apenas o aumento de produção pode reverter o peso das altas imobilizações.

A constituição, a expansão das imobilizações técnicas, portanto, deve ser compensada com o aumento da produção, mas, este só pode ser mantido se conquistados mercados no quais grandes consumidores assegurem uma permanência de operacionalidade.

Os referidos fenômenos patrimoniais, portanto, são de incidência concomitante sobre a operacionalidade empresarial e representam um desafio administrativo.

Nem sempre, pois, menores preços, com ausência de lucros podem ser interpretados como "ineficiência" de gestão ou "ineficácia patrimonial".

Os fatos devem, pois, ser observados com uma séria relatividade e cautela em relação ao "tempo da lucratividade", associado ao regime de "tempo da continuidade" de um empreendimento.

Assim leciona o grande mestre e assim a prática consagra.

A união de grupos para exploração de grandes empreendimentos precisa levar em conta os efeitos dos resultados intersocietários, também afirma o grande mestre e assim entendo deva ser orientada a análise face ao conjunto que se ligou para viabilizar um macro negócio.

Ademais é preciso considerar que é natural que o interesse da empresa em um grupo não seja apenas o dela e que se lhe permitido foi realizar algo ciclópico depende da força de coalizão.

Poderosa usina de energia, grande ferrovia, siderurgia de expressão, fábrica de veículos, extração de metais raros, refino de petróleo, indústria de construção naval, são alguns dentre muitos exemplos que exigem grandes esforços de investimentos e requerem análises complexas, sob a metodologia da relatividade.

Pela importância que representam na infra-estrutura das economias das nações tais empreendimentos devem ser considerados de forma especial e a necessidade de dissolver custos fixos muito responsabiliza o volume de produção e este o do comportamento especial perante o mercado.

A doutrina contábil do Neopatrimonialismo face a tal situação oferece importante metodologia cientifica.

Fundamentando-se em uma visão holística as doutrinas da referida abrangem não só as análises dos grupos de investidores, os ambientes em que as empresas operam, o tempo e o espaço das ocorrências, ou seja, as condições particulares atadas às sociais e naturais que estão diretamente conectadas com os grandes empreendimentos.

As eficácias dos sistemas da "resultabilidade" e da "economicidade" devem-se realizar com prevalência de interações, exigindo que a dissolução dos custos fixos se efetive na razão direta dos investimentos.

Antonio Lopes de Sá

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