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Progressos Científicos na Análise do Lucro

O progresso científico da Contabilidade operado no século XX ensejou visões de maior amplitude sobre a lucratividade. Apoiando-se em teorias fundamentadas

19/12/2007 00:00:00

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O progresso científico da Contabilidade operado no século XX ensejou visões de maior amplitude sobre a lucratividade.

Apoiando-se em teorias fundamentadas em novas metodologias foi possível dar significativos passos à frente em relação ás doutrinas precedentes.

As concepções neopatrimonialistas acenaram para uma "Teoria dos Campos de Fenômenos Patrimoniais", esta fundamentada em analogia com a Física, a partir da observação de que fenômenos correlatos ocorrem sempre em um determinado espaço e em certo tempo.

O resultado proveniente da movimentação do capital é um fenômeno complexo que tem um sistema específico, inserido no universo patrimonial, mas, subordinado a ação de agentes externos e precedências de interações constantes.

Algumas vezes ao se estudar o que revela um balanço de resultados, mas, ao deixar de considerar as diversas ocorrências que conduziram à situação espelhada, prejudica-se a formação da opinião sobre a qualidade reditual.

É um demérito apreciável na formação de juízos sobre a rentabilidade a interpretação advinda apenas de uma evidência estática, limitada apenas à empresa em si, sem avaliar a evolução dinâmica e considerar a herança de fenômenos, o ambiente que cerca o empreendimento.

Quaisquer estudos contábeis, quando feitos para servir de base a uma orientação, missão esta primordial de uma consultoria, devem ter o aprofundamento necessário para que não sejam distorcidos os entendimentos.

Assim, ao estudar o "campo do lucro", o "campo do equilíbrio", o "campo dos créditos operacionais" etc. consegue-se meios para construir modelos de "lucro", "equilíbrio", "economicidade" etc. como parâmetros para a análise contábil e a conseqüente formação de opinião.

Isso porque um "campo de fenômenos", para efeito de estudo, deve abranger "continente" e "conteúdo" do que se examina, inserido em conjuntos e estes em universos de verificação sob a ótica de espaços e tempos.

Cada sistema de função patrimonial (liquidez, resultabilidade, estabilidade, economicidade, produtividade, invulnerabilidade, elasticidade e socialidade) abriga muitos campos e participa de todos os demais, ou seja, um fenômeno nunca ocorre de forma isolada, mas, sim integrado em todo o universo patrimonial.

A capacidade da riqueza em anular as necessidades diversas (pagar, lucrar, equilibrar-se, ter vitalidade, ser eficiente, proteger-se contra o risco, dimensionar-se e de inteirar-se com os entornos) é a que oferece a eficácia de cada um dos sistemas que visa a suprir o requerido.

É possível, pois, a partir de tal raciocínio, avaliar a importância que possui a questão relativa ao objetivo central da empresa e que é "lucrar".

Muitas vezes, todavia, em relação ao curso dos fatos no tempo, diante de precedências gravosas, até as "perdas" podem ser justificáveis se o planejamento estratégico as admite ou a elas se submete com a intenção de debelar crises.

Para que se opine sobre o recomendável é preciso que se considere o que se deve entender por efetivamente eficaz, ou seja, o que realmente é conveniente e possível como satisfação de necessidade.

A gestão eficaz volvida a "capacidade de lucrar" precisa fundamentar-se em modelos específicos de comportamentos, construídos a partir de informações e análises contábeis do "sistema da resultabilidade", ou seja, aquele que tem por objetivo satisfazer a necessidade de aumento efetivo do capital através das transformações deste.

Condição preliminar para o estabelecimento do paradigma que se expressa formalmente no modelo é o estudo das "correlações funcionais" dos componentes do rédito com as demais funções patrimoniais.

Como se harmonizam os componentes que produzem o lucro é condição essencial para saber como analisar a matéria.

Não basta saber que cada unidade de capital trouxe tantas unidades em lucro, pois, esta é uma visão parcial, apenas, monocular.

É preciso considerar como metodologia que o patrimônio é um complexo que se compõe de sistemas de funções, subsistemas, tudo envolvido por entornos diversos e sujeito a condições de espaço e tempo, a circunstâncias variáveis constantemente.

Desde as concentrações comerciais operadas no fim da Idade Média, os avanços trazidos pelos descobrimentos, a revolução industrial do século XVIII, um crescente volume de operações se tem realizado e a Contabilidade foi sempre assumindo novas responsabilidades perante o estudo da dinâmica do capital.

A evolução operada na segunda metade do século XX, todavia, quer a defluente da velocidade informativa, concentração de empresas e dilatação de mercados, exigiu maiores rigores técnicos ainda quanto à forma de produzir resultados, requerendo enfoque de natureza holística para a avaliação do comportamento empresarial.

O exame dos custos, este que desempenhou papel relevante em um passado recente, não mais possui condições de satisfazer plenamente a modernidade.

Ou seja, a análise de custos isoladamente passou a não mais satisfazer, impondo o exame da matéria através de todo o sistema da resultabilidade em interação com os demais conjuntos de sistemas de funções patrimoniais, tão como e igualmente com as relações dos entornos do patrimônio e que são as de ordem motora deste.

Tal percepção científica foi prenunciada pelos doutores da "Escola de Veneza" há cerca de meio século e o professor Lino Azzini (luminar da escola referida) a reforçou e desenvolveu em obra específica.

Também, dentre muitos outros, em 1959, o douto professor Amedeo Salzano, da Universidade de Catânia, teceu importantes advertências específicas em relação ao processo produtivo e de distribuição comercial, tão como sobre a necessidade do exame holístico dos fatos.

O genial professor da Universidade de Florença, Alberto Ceccherelli já fizera em 1950 estudos contábeis relativos à "gestão de lucros" e "prospecções dos mesmos" afirmando que não poderiam estar limitados apenas aos dos custos de produção.

Tais óticas, portanto, muitas décadas antes que os norte-americanos apresentassem como sendo seus os modelos PEF, ABC, Custo/benefício, Por processos etc. já estavam os princípios dos mesmos enfocados em excelentes doutrinas no continente europeu com maior abrangência.

Na atualidade, segundo a corrente cientifica do Neopatrimonialismo, a "gestão da resultabilidade", ou ainda, a da capacidade de lucrar, deve estar apoiada em "informações" e "explicações" defluentes de modelos contábeis estribados em exames de funções patrimoniais sistemáticas em interações, consideradas, ainda, as do entorno ou ambiente que gera fenômenos transformadores das riquezas.

Portanto, importante é se ter em conta que é da análise das correlações das funções dos diversos sistemas de funções patrimoniais face ao sistema específico da produção do rédito é que se devem colher os subsídios básicos para a construção dos modelos que servirão de suporte à gestão da capacidade lucrativa.

Antônio Lopes de Sá
Doutor em Letras, H.C., pela Samuel Benjamin Thomas University, de Londres, Inglaterra, 1999 Doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade Nacional de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil, Rio de Janeiro, 1964. Administrador, Contador e Economista, Consultor, Professor, Cientista e Escritor. Vice Presidente da Academia Nacional de Economia, 1º Vice Presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis, membro de honra do International Reserarch Institute de New Jersey, Prêmio Internacional de Literatura Cientifica, autor de 176 livros e mais de 13.000 artigos editados internacionalmente

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