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A contabilidade em projetos de reflorestamento

A atividade de reflorestamento, muito importante para a economia nacional, está inserida no setor agrícola. Como qualquer empreendimento agrícola, deve ser

19/08/2005 00:00:00

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A atividade de reflorestamento, muito importante para a economia nacional, está inserida no setor agrícola. Como qualquer empreendimento agrícola, deve ser amparada por uma estrutura racional, porém embasada em técnicas que têm se mostrado adequadas em quaisquer outros setores: indústria, comércio, navegação, inclusive projetos agropecuários. Nesse contexto se insere a estrutura organizacional, baseada nas atividades setoriais. Reflorestar, é bom que se diga, não é como semear uma lavoura para colher dentro de poucos dias, ou, no máximo poucos meses. Nem é como engordar novilhos e envia-los para o frigorífico dentro de poucos meses. Muito menos como transformar pintos de um dia e com quarenta e cinco dias, ou mesmo 40, vê-los já no ponto de abate e envia-los para o abatedouro. Aqui a atividade é de ciclo muito longo. Em certas lavouras, como de café ou de laranja, o ciclo pode chegar a alguns anos. No reflorestamento é diferente. Dependendo da espécie plantada, o ciclo pode chegar a quinze, vinte, vinte e cinco anos. Ou seja, é uma lavoura a longo prazo, e assim precisa ser tratada.
Há necessidade de estruturar o projeto baseado nestas premissas: lavouras fundadas com horizonte longo, cuidados permanentes, trabalhos de plantio, capina, irrigação, adubação, uma atividade constante a perder de vista. Podemos dizer que o projeto é implantado girando em torno da safra fundada. Só depois, com a safra já consolidada, o projeto poderá englobar a atividade industrial e comercial. Não é atrativo para quem deseja resultados a curto prazo, mas, a longo prazo, poderá ser tão lucrativo como qualquer atividade produtiva bem administrada. Repetimos: bem administrada. Para isso, será preciso dotar o projeto de uma estrutura organizacional que seja adequada às necessidades: sem gigantismo e sem ineficiência.
A contabilidade merece destaque, por sua importância para subsidiar e orientar uma gestão eficiente. Há a preocupação com a composição dos custos que deverão ser assumidos pelo projeto. Por isso mesmo a contabilidade deverá refletir, de forma adequada e realista, a estrutura da empresa, incluindo as atividades-meio e atividades-fim. Daí poderá montar seu sistema de custos: quais atividades prestam serviços a quais lavouras, qual o custo desses serviços e quais os custos que irão se acumulando de tais e quais lavouras. Esses registros deverão se reportar a todo o período operacional, desde lavoura em formação e lavoura fundada até o período produtivo.
Semelhante projeto inclui setores importantes, como mecanização, irrigação, transportes, etc. Esses setores, em todos os meses, terão seus custos apropriados nas lavouras às quais prestaram serviço, segundo a unidade de serviço mais adequada. Pode ocorrer que um determinado projeto tenha suas lavouras implantadas em mais de uma propriedade. Nesse caso haverá necessidade de registrar as operações ocorridas em cada propriedade, bem como os custos de manutenção ocorridos em cada uma. Os custos apurados mês a mês deverão ser apropriados nas contas representativas das diversas lavouras. Isso passará de cada ano para o ano seguinte.
Há empresas que mantêm essas lavouras, já produtivas, como safra fundada. Outras promovem uma mudança na situação contábil. Uma vez que a lavoura tenha chegado ao período produtivo, passará a integrar o estoque de árvores aptas à colheita. Haverá, também, necessidade de separar o que são custos de plantio e de manutenção das lavouras e custos incorridos na colheita: corte e desbaste, transporte, etc. À medida em que a colheita irá se processando, seus valores deverão ser baixados na respectiva lavoura, seja ainda como safra fundada, seja como estoque de árvores. Serão classificados e registrados todos os dispêndios com as despesas administrativas, de vendas, tributárias, com pessoal (administrativo), financeiras, extra-operacionais e despesas diversas, não classificadas entre os demais grupos. Da mesma forma, as despesas da produção agrícola deverão ser contabilizadas e controladas, mês a mês, seguindo as mesmas rotinas adotadas em qualquer outro setor produtivo. Como estamos tratando de lavoura a longo prazo, esses custos irão se acumulando, como produção incompleta, sendo esta a contra-partida da lavoura fundada, até que esta entre na fase produtiva.
De igual modo serão apurados os custos industriais, que começam com o recebimento das toras em estado bruto. A não ser que o projeto se destine a vender somente as toras em seu estado natural, normalmente também haverá a atividade industrial, compreendida por uma serraria. Será ali onde as toras serão cortadas segundo os padrões aceitos pelos mercados interno e de exportação. Serão obtidos os produtos, como madeira pré-cortada, roliça, faqueada, serrada, sementes, etc. Os custos de produção deverão ser tratados com os mesmos cuidados adotados em qualquer outra indústria. Cada empresa adota o sistema que melhor atenda suas necessidades. O importante será a apuração dos custos em bases adequadas, de modo a fornecer as informações necessárias a uma boa gestão. E não poderia ser diferente, já que, conhecendo os custos incorridos, a empresa fixará o preço de venda dos seus produtos.
Haverá a separação, com rigorosa classificação, do que são materiais, mão-de-obra e gastos gerais de produção. A produção em processo deverá receber os custos que lhe forem imputados, e que tenham sido registrados nos grupos anteriores (materiais, mão-de-obra e gastos gerais de produção). A partir daí deverá haver o registro da produção obtida, mês a mês, com lançamentos no estoque e na linha de produção da serraria, e respectivas baixas no estoque de árvores em pé. O registro das vendas não apresentará nenhuma dificuldade, seguindo a rotina comum a diversos setores de atividade. Resumindo, os custos se acumularão em cada lavoura, desde safra em formação até safra fundada, entrando na fase produtiva, quando a produção será baixada do estoque de árvores em pé. Saindo da lavoura passarão ao estoque de toras brutas entradas na serraria, passando pelo processo industrial, que dará outras formas e padrões. Daí passará a integrar o estoque de produtos acabados, e, após comercializados, também serão baixados do estoque. O estoque de árvores passa, assim, ao estoque da serraria, e, após o processo, ao estoque de produtos acabados, de onde passará a integrar o saldo de contas a receber por vendas no mercado interno e pela exportação.
Há divergências nas práticas adotadas no setor. A principal delas está representada pela prática da depreciação. Há empresas que registram a safra fundada no imobilizado, por considera-la cultura permanente. Enquanto depreciar os bens do imobilizado constitui uma prática legal, aceita por todos, o mesmo não se poderá dizer de um bem que não é permanente e será objeto de comercialização. O estoque de árvores se formará a partir de lavoura em formação e lavoura fundada, acumulando custos ao longo do tempo até à fase produtiva. À medida em que a produção (colheita) irá se processando, seus valores irão sendo baixados do estoque de árvores, até zerar. Aí desaparecerá o caráter permanente que lhe tem sido atribuído. A ocorrência de possível saldo remanescente indicará os ajustes acaso necessários. O replantio já é, a rigor, a formação de uma nova lavoura, que só se tornará produtiva com mais 15, 20 ou 25 anos. Assim, depreciar uma lavoura que está crescendo, amadurecendo, aumentando seu valor, constitui prática inadequada. Mas, como não existe um conceito universalmente aceito, o mesmo podemos dizer dessa prática, que encontra quem as defenda, mas que também tem, talvez em maior número, quem a recuse, entre os quais me situo.A atividade de reflorestamento, muito importante para a economia nacional, está inserida no setor agrícola. Como qualquer empreendimento agrícola, deve ser amparada por uma estrutura racional, porém embasada em técnicas que têm se mostrado adequadas em quaisquer outros setores: indústria, comércio, navegação, inclusive projetos agropecuários. Nesse contexto se insere a estrutura organizacional, baseada nas atividades setoriais. Reflorestar, é bom que se diga, não é como semear uma lavoura para colher dentro de poucos dias, ou, no máximo poucos meses. Nem é como engordar novilhos e envia-los para o frigorífico dentro de poucos meses. Muito menos como transformar pintos de um dia e com quarenta e cinco dias, ou mesmo 40, vê-los já no ponto de abate e envia-los para o abatedouro. Aqui a atividade é de ciclo muito longo. Em certas lavouras, como de café ou de laranja, o ciclo pode chegar a alguns anos. No reflorestamento é diferente. Dependendo da espécie plantada, o ciclo pode chegar a quinze, vinte, vinte e cinco anos. Ou seja, é uma lavoura a longo prazo, e assim precisa ser tratada.
Há necessidade de estruturar o projeto baseado nestas premissas: lavouras fundadas com horizonte longo, cuidados permanentes, trabalhos de plantio, capina, irrigação, adubação, uma atividade constante a perder de vista. Podemos dizer que o projeto é implantado girando em torno da safra fundada. Só depois, com a safra já consolidada, o projeto poderá englobar a atividade industrial e comercial. Não é atrativo para quem deseja resultados a curto prazo, mas, a longo prazo, poderá ser tão lucrativo como qualquer atividade produtiva bem administrada. Repetimos: bem administrada. Para isso, será preciso dotar o projeto de uma estrutura organizacional que seja adequada às necessidades: sem gigantismo e sem ineficiência.
A contabilidade merece destaque, por sua importância para subsidiar e orientar uma gestão eficiente. Há a preocupação com a composição dos custos que deverão ser assumidos pelo projeto. Por isso mesmo a contabilidade deverá refletir, de forma adequada e realista, a estrutura da empresa, incluindo as atividades-meio e atividades-fim. Daí poderá montar seu sistema de custos: quais atividades prestam serviços a quais lavouras, qual o custo desses serviços e quais os custos que irão se acumulando de tais e quais lavouras. Esses registros deverão se reportar a todo o período operacional, desde lavoura em formação e lavoura fundada até o período produtivo.
Semelhante projeto inclui setores importantes, como mecanização, irrigação, transportes, etc. Esses setores, em todos os meses, terão seus custos apropriados nas lavouras às quais prestaram serviço, segundo a unidade de serviço mais adequada. Pode ocorrer que um determinado projeto tenha suas lavouras implantadas em mais de uma propriedade. Nesse caso haverá necessidade de registrar as operações ocorridas em cada propriedade, bem como os custos de manutenção ocorridos em cada uma. Os custos apurados mês a mês deverão ser apropriados nas contas representativas das diversas lavouras. Isso passará de cada ano para o ano seguinte.
Há empresas que mantêm essas lavouras, já produtivas, como safra fundada. Outras promovem uma mudança na situação contábil. Uma vez que a lavoura tenha chegado ao período produtivo, passará a integrar o estoque de árvores aptas à colheita. Haverá, também, necessidade de separar o que são custos de plantio e de manutenção das lavouras e custos incorridos na colheita: corte e desbaste, transporte, etc. À medida em que a colheita irá se processando, seus valores deverão ser baixados na respectiva lavoura, seja ainda como safra fundada, seja como estoque de árvores. Serão classificados e registrados todos os dispêndios com as despesas administrativas, de vendas, tributárias, com pessoal (administrativo), financeiras, extra-operacionais e despesas diversas, não classificadas entre os demais grupos. Da mesma forma, as despesas da produção agrícola deverão ser contabilizadas e controladas, mês a mês, seguindo as mesmas rotinas adotadas em qualquer outro setor produtivo. Como estamos tratando de lavoura a longo prazo, esses custos irão se acumulando, como produção incompleta, sendo esta a contra-partida da lavoura fundada, até que esta entre na fase produtiva.
De igual modo serão apurados os custos industriais, que começam com o recebimento das toras em estado bruto. A não ser que o projeto se destine a vender somente as toras em seu estado natural, normalmente também haverá a atividade industrial, compreendida por uma serraria. Será ali onde as toras serão cortadas segundo os padrões aceitos pelos mercados interno e de exportação. Serão obtidos os produtos, como madeira pré-cortada, roliça, faqueada, serrada, sementes, etc. Os custos de produção deverão ser tratados com os mesmos cuidados adotados em qualquer outra indústria. Cada empresa adota o sistema que melhor atenda suas necessidades. O importante será a apuração dos custos em bases adequadas, de modo a fornecer as informações necessárias a uma boa gestão. E não poderia ser diferente, já que, conhecendo os custos incorridos, a empresa fixará o preço de venda dos seus produtos.
Haverá a separação, com rigorosa classificação, do que são materiais, mão-de-obra e gastos gerais de produção. A produção em processo deverá receber os custos que lhe forem imputados, e que tenham sido registrados nos grupos anteriores (materiais, mão-de-obra e gastos gerais de produção). A partir daí deverá haver o registro da produção obtida, mês a mês, com lançamentos no estoque e na linha de produção da serraria, e respectivas baixas no estoque de árvores em pé. O registro das vendas não apresentará nenhuma dificuldade, seguindo a rotina comum a diversos setores de atividade. Resumindo, os custos se acumularão em cada lavoura, desde safra em formação até safra fundada, entrando na fase produtiva, quando a produção será baixada do estoque de árvores em pé. Saindo da lavoura passarão ao estoque de toras brutas entradas na serraria, passando pelo processo industrial, que dará outras formas e padrões. Daí passará a integrar o estoque de produtos acabados, e, após comercializados, também serão baixados do estoque. O estoque de árvores passa, assim, ao estoque da serraria, e, após o processo, ao estoque de produtos acabados, de onde passará a integrar o saldo de contas a receber por vendas no mercado interno e pela exportação.
Há divergências nas práticas adotadas no setor. A principal delas está representada pela prática da depreciação. Há empresas que registram a safra fundada no imobilizado, por considera-la cultura permanente. Enquanto depreciar os bens do imobilizado constitui uma prática legal, aceita por todos, o mesmo não se poderá dizer de um bem que não é permanente e será objeto de comercialização. O estoque de árvores se formará a partir de lavoura em formação e lavoura fundada, acumulando custos ao longo do tempo até à fase produtiva. À medida em que a produção (colheita) irá se processando, seus valores irão sendo baixados do estoque de árvores, até zerar. Aí desaparecerá o caráter permanente que lhe tem sido atribuído. A ocorrência de possível saldo remanescente indicará os ajustes acaso necessários. O replantio já é, a rigor, a formação de uma nova lavoura, que só se tornará produtiva com mais 15, 20 ou 25 anos. Assim, depreciar uma lavoura que está crescendo, amadurecendo, aumentando seu valor, constitui prática inadequada. Mas, como não existe um conceito universalmente aceito, o mesmo podemos dizer dessa prática, que encontra quem as defenda, mas que também tem, talvez em maior número, quem a recuse, entre os quais me situo.

(*) Nossos agradecimentos pela valiosa colaboração prestada pelo competente contador Bento Kaoru Hanai, da cidade de Cáceres, MT - cfsa_bh@terra.com.br

Sobre o autor: Carlos José Pedrosa é catarinense de Biguaçu, radicado em Alagoas. Tem formação em contabilidade, sendo um profissional autônomo oriundo da iniciativa privada. Com mais de 40 anos de atuação em banco, na indústria siderúrgica, metalúrgica, mecânica e de laticínios, no comércio, no setor jornalístico, em estatal de abastecimento e no setor público - www.cjpedrosa.webcontabil.com.br.

Carlos José Pedrosa
Maceió, AL
cjpedrosa@ig.com.br

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