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PRODUTO OU EMBALAGEM: uma visão de marketing na aquisição do conhecimento

Certa vez, antes de começar a ministrar aulas, um amigo disse-me que escola era o melhor negócio do mundo, pois era a única "empresa", onde

19/08/2005 00:00:00

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Certa vez, antes de começar a ministrar aulas, um amigo disse-me que escola era o melhor negócio do mundo, pois era a única "empresa", onde o consumidor pagava caro e não fazia questão de levar o melhor produto. Naquela época demos boas risadas. Hoje, vejo-me à frente de "vários consumidores", tentando fazê-los conscientes e instigando-os a levar o melhor produto.

Na concepção de empresa citada pelo meu amigo, poderíamos dizer que uma universidade seria uma indústria de conhecimento. Ter-se-ia configurados os elementos básicos de custos, quais sejam: matéria-prima (os próprios alunos), mão-de-obra direta (os professores) e os gastos gerais de fabricação (diretoria, secretaria, gastos com energia etc...). Nota-se, então, um fato extremamente relevante, os consumidores, também são matéria-prima e o produto gerado, atenderá não só a esses que estarão com o produto incorporado, bem como ao meio ambiente que os cerca, uma vez que serão eles transformadores desse meio.

Como em todo processo produtivo, algumas premissas básicas têm que ser satisfeitas, entre essas, a qualidade do produto. E do que depende essa qualidade? De uma boa matéria-prima? De uma mão-de-obra especializada, eficaz e eficiente? De uma boa estrutura física? De iluminação adequada? De climatização adequada?

Poder-se-ia enumerar vários questionamentos, ou até mesmo identificar pontos negativos do processo, mas não é esse o objetivo deste ensaio, pois, o que se pretende é buscar uma reflexão de forma racional e objetiva, identificando caminhos para transformar "esse desejo de compra" e ao mesmo tempo inserir qualidade no produto final.

Imagino que a disputa por um "status quo" possa até impulsionar um aluno a freqüentar uma universidade em detrimento do aprendizado, mas uma vez dentro do processo, cabe ao corpo docente encantá-lo para o prazer da descoberta.

Imagino que até se possa pensar em propagandas, como as de cerveja, que induz a um consumo desenfreado por essa ou aquela. Já pensaram uma bela propaganda sobre o produto conhecimento, em cadeia nacional, instigando todos a adquirir esse produto?

Alguém pode até dizer que para alguns pode custar muito caro, mas essa não é uma verdade absoluta. Afinal, essa indústria pode existir com apenas um elemento. Basta que se queira. O auto-aprendizado vem simplesmente da vontade de aprender e essa vontade de conhecer o novo é que traduz a verdadeira essência do "processo industrial" citado anteriormente.

Não acredito que para ser um bom profissional na área contábil, por exemplo, tenha-se que necessariamente estudar na USP-Universidade de São Paulo. Ora, o produto final que podemos ter lá, advém de um conjunto de partes com o mesmo objetivo: conhecimento de qualidade. Então, se temos aqui em Eunápolis esse desejo e acredito que este venha em primeira mão daqueles que se devem querer e deixar transformar, teremos um produto final tão bom quanto. Uma prova é a recente pesquisa publicada em mídia nacional sobre a difusão verificada do conhecimento no Brasil, que hoje não mais está centrado no eixo Rio-São Paulo.

A grande alegação de que falta base para os alunos, em minha opinião não é justificativa, falta, mesmo, um verdadeiro esforço. Palavra talvez que incomode, mas que reflete o que todos aqueles que querem algo utilizam. Um exemplo está nas Olimpíadas, no caso específico do Vanderlei; caso ele não se esforçasse, jamais teria sequer chegado a correr na Grécia. Na realidade, ficamos todo o tempo presos a muletas: trabalho muito, tenho filhos, não tenho tempo etc...

Esse mecanismo de defesa e ao mesmo tempo de autojustificativas propicia terreno fértil para a lentidão de idéias e pensamentos e perda do espírito criativo / revolucionário que proporciona a sede de descobertas.

Talvez, caiba aos professores inserir um elemento novo às suas didáticas: o marketing do conhecimento. Passaremos a ser os "Duda Mendonça" e "Washington Oliveto" da educação. Quem sabe assim esse produto tão carente de demanda, torne-se alvo de um consumo desenfreado? Pelo menos estaremos utilizando a propaganda para algo extremamente ético e socialmente responsável que é criar valor pela educação.

Numa sociedade onde ao mesmo tempo em que a mídia procura massificar o consumo, surge a customização como elemento de diferenciação e valorização do produto. Cabe-nos, então, inserirmo-nos nesse processo e passarmos a valorizar o conhecimento, não como uma "grife" ou "marca de cigarros", mas algo que cujo consumo quanto maior, mais valor agregado traz.

Neste momento onde se discute a inserção dos menos favorecidos no meio acadêmico e o número de universitários no país, torna-os representantes de uma "casta", nada melhor que esse processo de valoração de algo tão intangível quanto particular que é o conhecimento.

Carlos Nascimento
Economista
Contador
Especialista em Gestão de Negócios
Gerente de Administração no Banco do Brasil
Professor da Unisulbahia
can64@superig.com.br

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