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Seis razões para a academia e os profissionais de contabilidade ressuscitar o XBRL no Brasil

É incompreensível o abandono da linguagem XBRL no Brasil. Sem a intenção de secar o assunto, a ideia aqui é lançar um olhar sobre o tema com a intenção de mostrar o quanto o país está perdendo em oportunidades.

07/01/2020 09:35:02

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Seis razões para a academia e os profissionais de contabilidade ressuscitar o XBRL no Brasil

Viramos o século, mas antes da eminente virada, vimos o país adotando e implantando o IFRS (International Financial Report Statement) e o andamento dos primeiros trabalhos acadêmicos para adoção do padrão XBRL (eXtensible Business reporting language). Eram consenso e esperança na primeira década do século de que o projeto de adoção de uma taxonomia brasileira para o XBRL ajudasse na harmonização e na aderência das normas internacionais de contabilidade. O que se esperava ainda mais era a sedimentação do objetivo da linguagem como marco fundamental para ajudar na promoção de uma contabilidade multipropósito e que colocasse o país na vanguarda ou no mínimo junto dos melhores em termos de reporte financeiro e informações contábeis e econômicas gerais. É incompreensível o abandono da linguagem XBRL no Brasil. Sem a intenção de secar o assunto, a ideia aqui é lançar um olhar sobre o tema com a intenção de mostrar o quanto o país está perdendo em oportunidades. O tempo passou e o estado da arte em XBRL no Brasil não veio, motivo pelo qual lista-se abaixo seis razões, mas não as únicas para ressuscitar o projeto e colocá-lo em prática:

SPED contábil

Só serve para a administração tributária. É estático e estruturado em uma contabilidade meramente fiscal baseada em parte em conceitos contábeis anteriores a 2007. A taxonomia do SPED Contábil é totalmente diferente do padrão XBRL e é inútil tentar usá-la para extração de dados contábeis que respeitem o mínimo dos princípios e convenções previstos no IFRS. Qualquer forma ou tentativa de extrair informações financeiras do SPED contábil não passa de desperdício de tempo e de dinheiro.

Entidades governamentais

Ao que parece algumas autarquias querem ou já estão usando o XBRL para padronização das demonstrações contábeis visando melhorar a eficiência na comunicação das demonstrações contábeis; reduzir os custos com preparação de demonstrações e facilitar a análise das informações contábeis. Ora e esses mesmos objetivos na iniciativa privada?

Startups

Quem já é ou almeja ser o próximo unicórnio, deveria publicar seus resultados no padrão XBRL já desenvolvido e disponível. Muitas das startups em crescimento escalável perdem oportunidades de investimentos ou simplesmente se enrolam nas negociações por falta de “diálogo” financeiro ou por informações mal explicadas ou contaminadas pela legislação fiscal brasileira.

ERP e afins

Praticamente nenhum ERP ou software nacional de grande porte ou de prateleira consegue ou está preparado para gerar informações na taxonomia XBRL sem adaptações ou algum esforço extra. O ideal seria que a taxonomia brasileira estivesse disponível para consulta contendo verbetes e vocabulários próprios e prontos para uso.

Diferença entre IFRS e CPC

Passados mais de 10 anos da aceitação e implantação do IFRS no Brasil observa-se que há diferenças entre a taxonomia IFRS (International Financial Report Statement) e o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) quando comparados. Há um grau de dificuldade quando a ideia é converter as demonstrações financeiras para o padrão internacional. Contudo a utilização do XBRL nesse tempo passado poderia ter minimizado as diferenças e tornado as demonstrações financeiras brasileiras praticamente iguais ao padrão mundial. Acrescenta-se aqui que nem mesmo as normas internacionais são respeitadas pelas soluções existentes no mercado.

Barreiras para implantação

Talvez a diferença entre a taxonomia IFRS e o CPC seja a única barreira a transpor do ponto de vista técnico e obviamente o tempo a ser recuperado.

 

O XBRL é uma linguagem de marcação criada com o objetivo de facilitar a troca de informações financeiras entre os usuários no mercado e também para facilitar a análise de dados financeiros. Presume-se que o terreno esteja mais fácil para a implantação do XBRL já que na atualidade, existe uma janela de oportunidade onde é visível a vontade política para modificação da legislação e eliminação das demais normas de cunho hiperburocrático. O XBRL seria uma ferramenta interessante senão a única que pode ajudar na harmonização das demonstrações contábeis. Atualmente as demonstrações contábeis brasileiras são convergentes às normas internacionais de contabilidade mas não há ferramentas práticas para comparação e troca de informações entre usuários.

Marcos A. Canavezzi
Contador e Perito Judicial

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