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Por que mesmo entendendo de ativos e passivos, muitos contabilistas não conseguem poupar e investir?

O artigo aborda os problemas financeiros enfrentados por muitos contabilistas, que apesar de competentes para orientarem e ajudarem seus clientes a enriquecerem suas empresas, não aplicam essa competência em suas vidas pessoais.

07/02/2020 08:55:01

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Por que mesmo entendendo de ativos e passivos, muitos contabilistas não conseguem poupar e investir?

Ao término da leitura do livro Pai Rico Pai Pobre de Robert Kiyosaki, muitos leitores podem ter a impressão de que a maioria dos contabilistas está, ou pelo menos deveria estar, propensa a enriquecer.

Essa impressão é gerada, pois conforme consta em tal livro, o caminho para o enriquecimento depende, e muito, do entendimento de ativos e passivos. Ora, e quem melhor do que um contabilista para entender sobre isso?

Mas se entender de ativos e passivos é uma das premissas para enriquecer, por que existem contabilistas com problemas financeiros?  Tenho convicção de que tanto os colegas endividados como os que possuem estabilidade financeira, conhecem bem a diferença entre ativos e passivos.

Nesse momento poderíamos pensar em explicações que vão desde o desemprego, até os baixos salários que corroem seus poderes de compra. Não esquecendo dos juros praticados pelos credores e da alta carga tributária, imposta sobre os salários e os bens de consumo. No entanto, se somente esses motivos justificam os problemas financeiros de parte dos contabilistas, por que encontramos colegas que ganham o mesmo salário com situações financeiras completamente diferentes?

Acredito que a falta de controle financeiro de alguns colegas, vá muito além do conhecimento de ativos e passivos contábeis. O problema não é apenas teórico ou prático, ele é também cultural.

Viemos de uma cultura consumista onde o ter é mais desejado do que o ser.  Há ainda, a questão do imediatismo e do pensamento de que o futuro pode não chegar, fazendo com que muitos vivam somente o hoje.

Dessa forma, gasta-se para ter um conforto imediato, sem pensar que essa atitude sacrifica o conforto futuro. São milhares de pessoas, com casas, carros e outros bens de consumo parcelados com juros altos, situação que os obrigam a trabalharem exageradamente sem perspectiva de liberdade financeira.

Tudo isso pode ter origem, na baixa educação financeira que recebemos em nossos anos de formação escolar.

Até mesmo os cursos superiores de contabilidade, pouco abordam o tema finanças pessoais e investimentos, focando grande parte do aprendizado, somente em finanças empresariais. Assim, os alunos saem desses cursos, sabendo orientar os empresários a diminuírem custos e obterem lucros em suas empresas, mas pouco sabendo orientar sobre o que fazer com lucro obtido depois de transferido para suas pessoas físicas.

Independente dos motivos que levam contabilistas e outros profissionais, ao constante desgaste de terem que trabalhar diariamente apenas para pagar as contas do final do mês, é importante ressaltar que essa cultura pode estar com dias contados.

Apesar de não vermos ainda, grandes movimentos nas universidades no intuito de modernizar o plano de ensino para a inclusão de finanças de pessoas físicas (o que ajudaria não só os contabilistas, mas também os empresários que deles tomam serviços), já conseguimos observar entre os alunos, uma busca por conhecimento financeiro fora das salas de aulas.

Hoje não é raro vermos alunos de cursos de contabilidade, que ao invés de conversarem sobre a compra do primeiro carro parcelado, falam em poupar dinheiro para fazerem um intercambio ou curso profissionalizante. Muitos já descartam a possibilidade de obterem imóveis financiados para moradia, preferindo morarem de aluguel enquanto poupam e investem suas economias, para uma futura compra de seus imóveis à vista.

Influenciados pelo movimento que muitos financistas estão fazendo no mundo da internet e nas salas particulares de cursos livres, os jovens contabilistas aos poucos, estão aprendendo a usarem o conhecimento de ativos e passivos não somente para enriquecerem empresas, mas também, para enriquecerem a si próprios.

Concordo com o livro de Robert Kiyosaki, que diz que o caminho para o enriquecimento passa pelo entendimento do que são ativos e passivos. Mas esse caminho na sociedade brasileira, também deve passar por uma mudança cultural. Não podemos depender somente das escolas para aprender finanças. Podemos e devemos buscar o aprendizado, também fora das salas de aula, onde atualmente, os acessos a conteúdos de qualidade são amplos e acessíveis.

Quanto ao ensinamento do livro Pai Rico Pai Pobre, sobre ativos e passivos, que nós contabilistas conhecemos tão bem, nos cabe aplica-lo e divulga-lo ao máximo de pessoas possíveis: ativos colocam dinheiro em nossos bolsos, enquanto que passivos tiram esse dinheiro. Então, foco nos ativos colegas!

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