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ARTIGO CONTÁBIL

Desconstruindo estereótipos de gênero na área contábil

Neste artigo, especialista explica como abordar e analisar de que forma o estereótipo de gênero se manifesta na área contábil.

17/01/2024 14:45:01

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Desconstruindo estereótipos de gênero na área contábil

Desconstruindo estereótipos de gênero na área contábil

A área contábil não está imune aos desafios sociais que permeiam nossa sociedade. O machismo, opressão contra identidades femininas, encontra espaço na contabilidade, área historicamente masculina e masculinizante e que reproduz ainda hoje, na maioria das vezes, a imagem da identidade associada a profissão contábil, referente ao homem, cisgênero, contador e empresário. 

Neste artigo, apresento uma forma de abordar e analisar como o machismo se manifesta na área contábil, destacando os impactos negativos que isso pode ter, tanto para profissionais da contabilidade mulheres trans, mulheres cis e travestis, quanto para o progresso da profissão contábil como um todo.

Sub-representação de identidades femininas

Uma das manifestações mais evidentes do machismo na área contábil é a sub-representação de Identidades Femininas (Mulheres trans, mulheres cis e travestis) em cargos de liderança. Embora haja avanços nas últimas décadas, as identidades femininas ainda enfrentam barreiras para ingressar e progredir nesse campo, principalmente as mulheres cis, trans e travestis negras e com deficiência. Questões culturais e estereótipos de gênero muitas vezes limitam as oportunidades de carreira para identidades femininas contabilistas, impactando para um desequilíbrio de gênero.

Fato este que, desde 1946 no Brasil, de 23 mandatos para a presidência do Conselho Federal de Contabilidade até 2023, apenas 2 mandatos foram presididos por uma mulher cisgênero de 2006-2009 e 21 mandatos foram presididos por homens cisgêneros. Além disso, atualmente, quanto às presidências dos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRC) mandatos de 2024-2027, de 27 Unidades Federativas/Presidências, apenas 10 são presididas por mulheres cisgêneras. Nunca houve a presença de mulheres transgêneras, travestis, homens transgêneros e pessoas não-binárias nas presidências do CFC e dos CRCs no Brasil.

Dificuldades no avanço profissional

Identidades Femininas contabilistas frequentemente enfrentam dificuldades ao buscar ascensão profissional. A falta de representatividade em cargos de liderança, combinada com preconceitos implícitos, pode resultar em uma desigualdade salarial persistente e atrasos na progressão na carreira. O machismo pode se manifestar em práticas de promoção que favorecem homens cisgêneros, muitas vezes baseadas em estereótipos e preconceitos.

Cultura organizacional e machismo

A cultura organizacional desempenha um papel crucial na perpetuação ou combate ao machismo na área contábil. Ambientes de trabalho que toleram piadas sexistas, comentários inadequados e discriminação de gênero impactam negativamente para a perpetuação do machismo. Empresas que não adotam políticas claras contra o assédio e discriminam a diversidade de gênero podem perpetuar desigualdades.

Conciliação entre vida profissional e pessoal

As identidades femininas contabilistas muitas vezes enfrentam o desafio adicional de equilibrar as demandas da vida profissional e pessoal. Pressões sociais e expectativas tradicionais muitas vezes recaem sobre elas, dificultando a busca de equilíbrio entre carreira e família. A falta de políticas de licença parental adequadas e práticas flexíveis de trabalho pode contribuir para a perpetuação do machismo na profissão.

Mudança necessária

Diante do exposto, combater o machismo na área contábil requer uma abordagem multidisciplinar. As empresas devem promover uma cultura inclusiva, investir em políticas de Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento (DEIP), além de criar oportunidades de mentorias e desenvolvimento para identidades femininas contabilistas. A conscientização sobre os impactos prejudiciais do machismo na profissão é crucial para iniciar conversas e impulsionar mudanças.

O machismo na área contábil é um desafio real que não pode ser ignorado. A promoção ao respeito e equidade de gênero é uma questão de justiça social, e uma forma de impulsionar a inovação e o sucesso empresarial. Ao reconhecer e enfrentar o machismo, a profissão contábil pode evoluir para se tornar mais inclusiva, equitativa e representativa, proporcionando benefícios tangíveis para todas as pessoas profissionais envolvidas.

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