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ARTIGO DE ECONOMIA

IPCA positivo e cortes no orçamento melhoram conjuntura em junho

Neste artigo, o especialista analisa o IPCA e o que os dados revelam sobre o cenário econômico do país.

11/07/2024 13:30

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IPCA positivo e cortes no orçamento melhoram conjuntura em junho

IPCA positivo e cortes no orçamento melhoram conjuntura em junho Foto: Jakub Zerdzicki/Pexels

A semana trouxe boas notícias para o cenário inflacionário. A alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA-IBGE) foi de apenas 0,21%, abaixo do 0,46% esperado pelo mercado. Mesmo assim, o índice em 12 meses subiu de 3,93% para 4,23%, em razão da baixa inflação registrada em junho do ano passado (-0,08%). 

A composição do indicador também apontou sinais positivos, com alta de 0,44% no grupo de alimentação, desacelerando em comparação ao aumento de 0,62%, em maio. Tanto os alimentos em domicílio (de 0,66% para 0,44%) quanto a alimentação fora de casa (de 0,50% para 0,37%) indicam menor pressão da inflação.

Esse resultado coincide com o anúncio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acerca de cortes de quase R$ 30 bilhões no orçamento federal, reforçando o arcabouço fiscal como disciplinador das contas públicas. Caso esses cortes se concretizem, a pressão sobre os serviços deverá diminuir, melhorando as condições para o restante do ano. 

Em junho, inclusive, já houve melhoria no segmento, conforme apuração da área de Estratégia da XP Investimentos, com queda de 0,40%, em maio, para 0,05%, em junho. Outro item relevante para o Banco Central (Bacen), os serviços intensivos em mão de obra, também apontou queda: de 0,49% para 0,38%, em junho. 

O núcleo da inflação, que exclui preços voláteis e é importante para medir a intensidade da demanda, está em 0,23%, já dentro da meta anual. Esses números compõem uma conjuntura de menor pressão de demanda, mesmo com um mercado de trabalho ainda aquecido. O ambiente inflacionário global também colabora para uma situação mais branda. 

Nos Estados Unidos, dados menos intensos de atividade, um índice favorável de preços ao consumidor e desaceleração dos aluguéis fazem o mercado considerar uma possível baixa de juros em setembro, antecipando o esperado anteriormente, que ocorreria somente em 2025. 

Além disso, os números da inflação na China, em junho, vieram abaixo do previsto, apontando diminuição no ritmo e excesso de produção no país asiático: os preços ao consumidor subiram apenas 0,2% em junho, na comparação anual, mantendo inclusive o risco de deflação. Já o índice de preços ao produtor ainda continuou no campo negativo, caindo 0,2%.

Em suma, o número do IPCA do mês passado é positivo, indicando inflação bem-comportada, não apenas no número cheio, mas também na sua abertura. Se os cortes no orçamento federal, de fato, ocorrerem e o contexto inflacionário se mantiver benigno, é possível que o mercado comece a vislumbrar, já no próximo ano, um novo ciclo de flexibilização monetária, mediante a queda das taxas. 

Para isso, é necessário que o governo mantenha disciplina fiscal e busque alcançar as metas do arcabouço. Assim, as perspectivas para juros mais baixos ficam cada vez mais próximas.

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