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Artigo economia

Crescimento da economia em risco?

Entenda três principais fatores que impactaram o crescimento da economia nas últimas semanas.

30/07/2021 14:30:01

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Crescimento da economia em risco?

O início da semana passada revelou o primeiro “soluço” no crescimento das Bolsas norte-americanas: quedas consistentes somadas a derrubada das taxas de juros de longo prazo assolaram a maior economia do mundo – e criaram alguma desconfiança na cabeça dos investidores. Entender o que aconteceu é essencial para acompanharmos os acontecimentos e o perigo de uma freada brusca nos ativos de renda variável ainda neste ano.

Vários foram os motivos. Muito deles podem se estender para o longo prazo.

Variante Delta

O primeiro deles foi o efeito da variante delta do coronavírus. Esta, que foi descoberta na Índia, assola o mundo com seu poder de transmissibilidade, já está presente em 124 países e deve ser a dominante no mundo em breve. A delta fez com que o número de casos aumentasse nas últimas semanas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

Nos país estadunidense, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) revelou que mais de 83% dos novos casos no país já são resultantes da nova variante, assim como na França e na Ásia em geral. Até o Reino Unido, um dos primeiros países a avançar com a vacinação, já sofre com aumento do número de infecções.

A boa notícia é que o crescimento do número de casos não é proporcional ao de óbitos, o que comprova a eficácia das vacinas contra ocorrências graves. Novo estudo, publicado no dia 21 de julho, na New England Journal of Medicine, uma das mais importantes do mundo, confirmou que as vacinas contra o covid-19 da Pfizer-BioNTech e da Oxford- AstraZeneca são eficazes contra a variante: após duas doses, a efetividade da Pfizer foi de 88%, enquanto da Oxford, de 67%. Estes dados devem deixar os investidores mais tranquilos.

Resistencia às vacinas

Uma segunda preocupação é a resistência de uma boa parte dos norte-americanos em tomar as vacinas. Segundo uma pesquisa da rede ABC e do jornal The Washington Post 33% dos adultos norte-americanos não querem se vacinar contra o covid-19. O país, que já chegou a imunizar 4 milhões de pessoas, hoje, não passa de 1 milhão por dia, não obstante tenha vacina sobrando por todo o território.

Um dado interessante é que o Estado de São Paulo deve, em um curto espaço de tempo, ultrapassar a cobertura da primeira dose dos Estados Unidos, mesmo com as conhecidas restrições de vacinas que temos no País. Atualmente, mais de 99% das mortes são de não vacinados no país norte-americano. Em maio, por exemplo, das 18 mil mortes, apenas 150 pessoas eram vacinadas.

A soma de novas variantes e a resistência à vacina geraram uma certa desconfiança do mercado: estaria o mundo no pico do crescimento? Qual seria o risco de uma terceira onda? 

Inflação

Outro fator importante na diminuição do ímpeto dos investidores americanos – e mesmo mundiais –, é a inflação estadunidense. O índice do consumidor (CPI) já chega a 5,4% ao ano (a.a.), e o core, que extrai preços mais voláteis, já registra 4,5% a.a. As autoridades monetárias e fiscais continuam apostando em uma inflação temporária, de choque, como consequência da pandemia.

Contudo, um dado assustou o mercado: o índice, da Universidade de Michigan, de sentimento do consumidor norte-americano caiu de 85,5, em junho, para 80,8, na leitura preliminar de julho, basicamente pelo medo da inflação. O índice, tradicional, é uma medida de como a população do país enxerga o futuro da própria economia.

Aliado a todos estes fatores, a taxa de juros do T-Bond dos Estados Unidos, de dez anos, continua caindo consistentemente. Essa taxa é um indicador de como os norte-americanos acreditam que estarão as taxas de juros no futuro. A mais baixa significa que os agentes julgam que não haverá a necessidade de aumento de juros no futuro.

A leitura do mercado é que o crescimento pós-pandemia é muito dependente do reflexo das políticas monetárias e fiscais altamente expansionistas do governo estadunidense, e quando estas forem retiradas, os preços dos ativos e dos produtos não resistirão em nível muito alto.

Retomada econômica

Apesar do crescimento consistente e do otimismo do mercado, o quadro ainda apresenta fragilidades que justificam atenção. A volatilidade de mercados e a retirada dos estímulos podem levar a economia a uma parada mais brusca, o que atingiria, sem dúvida, as estruturas mais pobres. Contudo, o simples fato de o mundo desenvolvido não ter de subir os juros de uma maneira mais drástica pode ser positivo para os países em desenvolvimento. 

Em suma, o mercado demanda monitoramento constante, tal qual um doente que não apresenta sintomas, mas ainda vive com analgésicos. A pergunta é: como estará a doença após a retirada dos remédios? O paciente conseguirá desenvolver defesa suficiente sem eles? A resposta a esta questão é o que vai definir os próximos anos da economia mundial.

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