A Reforma Tributária, aprovada após décadas de debates, inicia em 2026 um dos períodos de transição mais significativos da história fiscal brasileira, e as empresas já não podem mais adiar seus preparativos. A substituição de PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois tributos sobre o consumo, a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), inaugura o modelo do IVA Dual, um sistema que promete simplificação, transparência e maior racionalidade econômica. Mas essa transformação estrutural exige uma reorganização profunda nos processos contábeis, fiscais e operacionais das organizações.
Embora as novas regras convivam com o sistema atual até 2032, o início dos testes e da convivência entre os tributos antigos e novos já ocorrerá a partir de 2026. Para muitas empresas, isso significa lidar simultaneamente com duas lógicas distintas de apuração, emissão de documentos fiscais e gestão de créditos tributários, um desafio que, sem preparo adequado, pode comprometer a conformidade, competitividade e margem.
Setores com cadeias produtivas extensas e complexas, aqueles dependentes de incentivos fiscais regionais, além de atividades intensivas em mão de obra como saúde, educação, advocacia, contabilidade e demais profissões regulamentadas, serão especialmente impactados. Ainda que algumas dessas áreas contemcontem com reduções de alíquota previstas pela Lei Complementar nº 214/2025, o impacto operacional permanece expressivo. Já o comércio e varejo precisarão revisar sistemas, precificação e dinâmica de créditos, enquanto grandes empresas enfrentarão adaptações tecnológicas robustas para reestruturar controles contábeis e relatórios fiscais. Mesmo as empresas do Simples Nacional, embora menos afetadas inicialmente, precisarão acompanhar as mudanças, sobretudo pela influência que os créditos de IBS e CBS exercerão nas negociações comerciais.
No dia a dia operacional, a reforma alterará desde o preenchimento das notas fiscais até os critérios de determinação do local de cobrança, agora baseado no destino do consumo. As empresas deverão atualizar ERPs, softwares fiscais, parametrizações, leiautes e rotinas eletrônicas como NF-e, NFC-e e NFS-e, entre outros documentos fiscais.
O caminho para uma transição segura passa por medidas práticas que podem, e devem, começar imediatamente. Confira os passos essenciais para iniciar a adaptação:
Diante dos desafios atuais, nós, contadores, consolidamos nosso protagonismo. Nossa função primordial é interpretar a legislação e transformá-la em inteligência aplicável a cada negócio, orientando a transição e ajustando processos. Assim, atuamos como parceiros estratégicos, fornecendo o suporte necessário para que os empresários possam tomar decisões como readequações de regime, estruturação de créditos e revisão de margens e preços.
Àqueles que ainda não iniciaram a preparação, não há mais espaço para postergação. A reforma representa não apenas uma mudança tributária, mas uma transformação operacional que afeta todas as áreas da empresa. Começar agora é garantir tempo para simular, ajustar e corrigir rotas; é transformar um cenário de incertezas em oportunidade de profissionalização, eficiência e vantagem competitiva. A transição poderá ser complexa, no entanto, com antecipação e planejamento, será também o início de uma nova fase de maturidade tributária e empresarial no Brasil.
Silvio Costa, especialista tributário na Contmatic













