Para responder a essa questão, é importante compreender a contabilidade como uma ciência social aplicada. Isso significa que seus métodos e critérios são desenvolvidos a partir da prática e da observação da realidade econômica das entidades, e não apenas de forma teórica. Ao longo do tempo, diferentes formas de registro e apuração dos resultados foram utilizadas, sendo aperfeiçoadas conforme demonstravam maior capacidade de representar a situação econômica das organizações.
Nesse contexto, os critérios adotados para o reconhecimento de receitas e despesas estão relacionados à necessidade de apurar o resultado de maneira mais coerente com os fatos econômicos ocorridos em determinado período. O regime de competência surge, portanto, como um modelo que se mostrou mais adequado para evidenciar o desempenho das entidades ao longo do tempo.
O regime de competência baseia-se no reconhecimento das receitas e despesas no momento em que ocorrem seus fatos geradores, independentemente do recebimento ou pagamento. Essa lógica permite relacionar, dentro de um mesmo período, os eventos econômicos que contribuíram para a formação do resultado, possibilitando uma análise mais adequada da performance do negócio.
Por outro lado, o regime de caixa considera apenas os recebimentos e pagamentos realizados no período. Embora seja útil para o controle financeiro, esse regime não demonstra de forma completa o desempenho econômico da entidade, pois não considera direitos e obrigações já existentes, mas que ainda não impactaram o caixa.
Dessa forma, a utilização do regime de competência está associada à necessidade de apurar o resultado com base nos fatos econômicos que o originaram, permitindo uma avaliação mais coerente da performance da entidade em determinado período.












