A rápida evolução da inteligência artificial, da automação de processos e das tecnologias de proteção de dados está mudando as prioridades de investimento no ecossistema de Justiça brasileiro. Essas mudanças impactam diretamente a produtividade, a continuidade dos serviços e a gestão de riscos institucionais. Pesquisas do setor indicam que até 70% das tarefas que são realizadas hoje podem ser automatizadas no futuro, deixando o papel humano mais voltado para a tomada de decisões, supervisão e responsabilidades jurídicas.
Esses temas foram discutidos no painel “Oportunidades de investimento em tecnologia na Justiça e Controle em 2026”, durante a 9ª edição do ExpoJud Digital. O evento foi transmitido ao vivo e reuniu lideranças de tecnologia de tribunais, do Ministério Público e da Defensoria Pública para debater o uso intensivo de tecnologia nos próximos anos.
Durante o painel, o advogado, ativista de inovação e CEO do J.Ex, Ademir Piccoli, destacou que a discussão sobre robótica e inteligência artificial já saiu do campo puramente teórico. “Quando falamos da combinação entre inteligência artificial e robótica, estamos falando de algo que deixou de ser ficção científica e agora faz parte da realidade das instituições”, afirmou Piccoli.
O diretor de Tecnologia da Informação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Fabio Correa Xavier, comentou que o debate principal deixou de ser técnico. Segundo ele, o foco agora não é mais se isso é possível, mas sim quando essas soluções vão se tornar eficientes, escaláveis e compatíveis com o ambiente institucional. “Os sistemas automatizados devem cuidar das tarefas repetitivas, enquanto o trabalho humano fica mais voltado para o julgamento, a criatividade e a elaboração de normas”, disse.
No Tribunal de Justiça de São Paulo, o secretário de Tecnologia da Informação, Marco Antonio Lopes Samaan, apontou que o volume processual impõe mudanças estruturais. “Para 2026, nossos três grandes focos são segurança da informação, modernização da infraestrutura e inteligência artificial”, afirmou, ressaltando que ganhos de produtividade dependem de uma adoção responsável dessas ferramentas.
A segurança da informação apareceu como eixo transversal das decisões. Para o assessor especial do Ministério Público de São Paulo e coordenador do CTIC, Laércio Carrasco Júnior, incidentes recentes aceleraram esse movimento. “Segurança deixou de ser vista como gasto e passou a ser tratada como investimento estratégico”, afirmou, ao destacar também o avanço do letramento em inteligência artificial dentro da instituição.
O diretor de Tecnologia do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Oswaldo J. Costa da Silva Leme, reforçou que a continuidade dos serviços é um fator crítico. “Sistema parado não gera valor. Disponibilidade, resiliência e segurança são pré-requisitos para qualquer avanço em inteligência artificial”, disse, ao citar investimentos em infraestrutura e apoio tecnológico aos servidores.
Na Defensoria Pública de São Paulo, o foco recai sobre o atendimento ao cidadão. “A ampliação do atendimento digital aumenta o acesso à Justiça, mas também pressiona a estrutura interna”, afirmou Douglas Schauerhuber Nunes, CIO da instituição. Segundo ele, a inteligência artificial, integração de sistemas e segurança da informação precisam caminhar juntas para sustentar esse crescimento.
O ExpoJud Digital marca a abertura da agenda de 2026 do J.Ex e tem como objetivo atualizar os participantes sobre tendências tecnológicas e preparar profissionais para o uso ampliado de tecnologia na rotina de trabalho e na vida cotidiana. A iniciativa reúne especialistas em inovação para debater transformações tecnológicas e seus impactos na organização da sociedade nos próximos anos.
Fonte: IT Comunicação Integrada













