Em meio à transição da Reforma Tributária, um dado ajuda a entender como as empresas estão lidando, na prática, com as mudanças: para quase 75% dos empreendedores, o contador é a principal, e muitas vezes única, fonte de conhecimento sobre o novo sistema. A constatação faz parte de uma pesquisa realizada pela GestãoClick, composta majoritariamente por micro e pequenas empresas.
O resultado não surpreende, mas revela um ponto de atenção. A Reforma Tributária amplia o uso de dados eletrônicos, aproxima a apuração do dia a dia da operação e reduz a margem para ajustes posteriores.
Nesse cenário, concentrar o entendimento das mudanças fora da rotina da empresa pode comprometer a adaptação prática, mesmo quando há orientação técnica disponível.
Quem traduz a Reforma Tributária para os empreendedores?
A informação de que 74,8% das empresas recorrem ao contador para entender a Reforma Tributária reforça o papel histórico da contabilidade como mediadora entre o fisco e o empreendedor. É o contador quem interpreta a norma, antecipa riscos e orienta sobre impactos fiscais.
Esse protagonismo, no entanto, convive com uma limitação estrutural. A Reforma não se resume à leitura da lei. Ela exige coerência entre o que a empresa vende, registra, emite em nota fiscal e reflete no financeiro. Grande parte dessas informações nasce fora da contabilidade, na rotina comercial e operacional.
Quando o conhecimento permanece concentrado apenas no contador, o empreendedor tende a entender o impacto de forma conceitual, mas tem dificuldade de traduzir a orientação em ajustes concretos de processo. O efeito aparece mais adiante, na forma de retrabalho, correções tardias ou inconsistências que poderiam ter sido evitadas na origem.
Múltiplas fontes de conhecimento: a garantia da manutenção e crescimento do seu negócio na Reforma Tributária
Outro dado do levantamento reforça essa leitura: apenas 8,5% dos respondentes indicam o ERP ou fornecedores de tecnologia como fonte de informação sobre a Reforma. Isso destaca que, para a maioria, a tecnologia ainda é vista como ferramenta operacional, e não como apoio à adaptação tributária.
Em um ambiente de mudança estrutural, depender de uma única fonte de conhecimento aumenta a vulnerabilidade do negócio. A Reforma impacta nota fiscal, obrigações acessórias, formação de preços e fluxo de caixa — áreas que exigem leitura integrada e decisões rápidas.
Distribuir o conhecimento entre contador, conteúdos especializados, comunicação institucional e ferramentas de gestão amplia a capacidade da empresa de antecipar riscos, testar cenários e tomar decisões com mais previsibilidade.
A pesquisa mostra, inclusive, que a maioria dos empreendedores continua no campo da intenção, sem ações concretas de adaptação.












