A economia brasileira inicia o ano reiterando um padrão conhecido: cresce, mas insuficientemente para entusiasmar. O País tenta conciliar uma política fiscal expansionista — com aumento de despesas — com uma política monetária ainda restritiva. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter avançado cerca de 2,2%, desempenho aceitável, porém distante de qualquer transformação estrutural. Para 2026, a projeção gira em torno de 1,8%, praticamente alinhada com o crescimento potencial estimado em aproximadamente 2% ao ano (a.a.) desde os anos 1980. Em outras palavras, o Brasil continua avançando, mas sem alterar a sua posição relativa. A ausência persistente de ganhos expressivos de produtividade limita ambições mais sólidas e ajuda a explicar essa estagnação disfarçada de estabilidade.
Esse quadro decorre de uma combinação recorrente de políticas macroeconômicas desalinhadas. De um lado, o governo sustenta estímulos fiscais na tentativa de impulsionar a atividade. De outro, o Banco Central (BC) mantém postura cautelosa para assegurar a convergência da inflação à meta. Ainda que a taxa básica de juros possa recuar ao longo do ano, permanecerá em patamar elevado, restringindo o crédito e inibindo decisões de investimento. O impacto se reflete na dinâmica da dívida pública, que segue pressionada. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil figura entre os países que mais despendem recursos com juros em proporção ao PIB — um ônus que comprime o espaço fiscal, eleva o risco de inadimplência corporativa e agrava distorções distributivas. No fim, sobram menos recursos para políticas estruturantes e mais custos para empresas e famílias.
A inflação também espelha esse descompasso. Entre maio e dezembro do ano passado, a taxa anualizada permaneceu abaixo do teto da meta, sinalizando, à primeira vista, um ambiente mais benigno. A composição do índice, contudo, revela tensões. Enquanto os preços de bens registraram queda anualizada de 0,9%, os serviços avançaram 5,9%. Trata-se de uma inflação cindida: os bens, mais sensíveis ao crédito e ao câmbio, responderam ao aperto monetário; os serviços, dependentes de mercado de trabalho, renda e custos fixos, mantiveram trajetória elevada. Essa persistência preocupa a autoridade monetária, pois o segmento de serviços costuma indicar mais inércia inflacionária.
O risco de reaceleração, portanto, não deve ser descartado ao longo do ano. O segundo trimestre pode marcar nova inflexão, especialmente em um contexto de volatilidade cambial ou aumento das dúvidas políticas. Ainda que os bens industriais contribuam para moderar o índice geral, a pressão disseminada nos serviços tende a dificultar uma desinflação mais célere. Com o mercado de trabalho ainda resiliente, não há sinais claros de arrefecimento suficiente para garantir alívio consistente nesse componente no curto prazo.
Assim, o Brasil começa 2026 com crescimento modesto, inflação resistente — embora longe do descontrole — e uma estratégia macroeconômica marcada por tensões internas. Juros elevados, endividamento crescente e uma conjuntura externa pouco dinâmica compõem o pano de fundo. A trajetória dos preços, sobretudo a partir do segundo trimestre, será determinante para o ritmo da atividade e para as decisões de política econômica. Na ausência de reformas que elevem a produtividade e reequilibrem as contas públicas, o País tende a permanecer preso ao ciclo de expansão limitada, inflação persistente e instrumentos de política que operam em direções opostas.

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