A Reforma Tributária já entrou no radar das empresas, mas ainda é acompanhada por um volume relevante de incertezas práticas.
Uma pesquisa realizada pela GestãoClick com empreendedores brasileiros mostra que as principais dúvidas não estão na interpretação da legislação, mas na forma como ela será aplicada no dia a dia.
Entre as questões mais citadas estão o possível aumento da carga tributária (37,2%), como emitir notas fiscais com os novos tributos (30,3%) e como organizar a operação para evitar retrabalho (12,4%).
Os dados apontam que a principal preocupação não é apenas interpretar a Reforma, mas conseguir operá-la na prática sem comprometer resultados, tempo e controle.
Aumento da carga tributária, emissão de NF com novos tributos e como ajustar rotinas e sistemas: o que está por trás das dúvidas?
As dúvidas apontadas pela pesquisa refletem três preocupações centrais: custo, execução e organização.
O receio de aumento da carga tributária indica que muitos empreendedores ainda não conseguem prever como o novo modelo afetará seus preços e margens. Embora a Reforma prometa simplificação, a percepção de risco financeiro permanece elevada, especialmente em um cenário de transição.
Já a dúvida sobre emissão de notas fiscais com IBS e CBS mostra onde o impacto tende a se materializar primeiro.
Mais do que formalizar a venda, a nota fiscal começa a reunir dados que influenciam diretamente a forma como o imposto é apurado. Emitir corretamente deixa de ser uma etapa operacional e passa a ser parte da estratégia fiscal do negócio.
Por fim, as questões relacionadas à organização da operação, incluindo ajustes em sistemas e integração de processos, revelam uma preocupação menos visível, mas igualmente relevante.
Afinal, a Reforma exige que dados comerciais, fiscais e financeiros estejam alinhados. Quando essa estrutura não existe, o risco não está na regra, mas na forma como ela é executada.
Quais dessas questões mais afetam as empresas em 2026?
Embora todas as dúvidas sejam relevantes, a pesquisa indica que o impacto tende a se concentrar primeiro na execução.
A emissão de notas fiscais e a consistência das informações operacionais aparecem como os pontos mais sensíveis no curto prazo, justamente por estarem ligados ao registro imediato das transações.
Na prática, isso significa que erros não ficam mais restritos ao fechamento do período. Eles passam a influenciar a apuração quase em tempo real, afetando crédito tributário, formação de preços e fluxo de caixa.
Ao mesmo tempo, o receio de aumento de custos continua sendo o pano de fundo das decisões. Sem clareza sobre como a carga será distribuída, muitos empreendedores adotam uma postura mais cautelosa, o que pode atrasar ajustes necessários.
Nesse cenário, as dúvidas funcionam como indicadores de onde estão os principais riscos da transição. Elas mostram que o desafio não está apenas em entender a Reforma, mas em garantir que a operação esteja preparada para sustentá-la.
Sistemas de gestão preparados para a Reforma tendem a ganhar relevância nesse processo ao ajudar a integrar dados, padronizar cadastros e apoiar a emissão correta de notas fiscais. Reduzindo, assim, a distância entre o entendimento da regra e sua aplicação prática.
Os dados da pesquisa reforçam uma leitura clara: as dúvidas dos empreendedores não são teóricas, são operacionais. E é justamente nelas que a Reforma começa a ser sentida no dia a dia das empresas.













