Nos últimos anos, a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) tem divulgado avanços tecnológicos, integração de sistemas e iniciativas voltadas à desburocratização do ambiente empresarial. No papel, o processo de abertura, alteração e regularização de empresas tornou-se digital. Na prática, porém, a realidade enfrentada diariamente por empresários e profissionais da contabilidade está longe da eficiência prometida.
A abertura de empresas no Estado de São Paulo, especialmente nos municípios integrados à REDESIM, tornou-se um processo cada vez mais dependente da análise de viabilidades e da comunicação entre diversos órgãos públicos. O problema é que essa integração, frequentemente apresentada como solução, tem se transformado em um dos maiores gargalos do sistema.
Atualmente, não são raros os casos de protocolos de viabilidade que permanecem sem qualquer atualização por dias ou semanas. O usuário não recebe informações claras sobre pendências, não encontra prazo de conclusão e tampouco dispõe de canais eficientes para solução do problema.
O resultado é simples: o processo não avança.
Enquanto isso, o empresário aguarda.
O contador é cobrado.
E a economia deixa de girar.
A falsa sensação de modernização
Vivemos uma era em que bancos digitais abrem contas em minutos, certificados digitais são emitidos remotamente, contratos são assinados eletronicamente e processos judiciais tramitam integralmente pela internet.
Ainda assim, um procedimento básico para
É difícil compreender como, em um dos estados mais ricos e desenvolvidos do país, a abertura de uma empresa possa enfrentar obstáculos semelhantes aos observados há duas décadas.
Na prática, muitos profissionais relatam que determinados processos apresentam níveis de morosidade incompatíveis com a tecnologia atualmente disponível.
A sensação é de que houve digitalização da burocracia, mas não necessariamente modernização da gestão.
Canais de atendimento que não atendem
Outro ponto frequentemente criticado pelos usuários refere-se aos canais de atendimento.
Telefone.
Fale Conosco.
Chamados eletrônicos.
Na teoria, mecanismos destinados a auxiliar o cidadão.
Na prática, muitas vezes funcionam apenas como registradores de reclamações, sem capacidade efetiva de resolução.
O usuário busca respostas.
Recebe protocolos.
Busca prazos.
Recebe mensagens padronizadas.
Busca solução.
Recebe silêncio.
A consequência é um ciclo de desgaste permanente entre empresários, contadores e órgãos públicos.
O impacto econômico da ineficiência
Cada processo parado representa muito mais do que um protocolo pendente.
Representa uma empresa que não consegue iniciar suas atividades.
Representa empregos que deixam de ser gerados.
Representa contratos que deixam de ser firmados.
Representa tributos que deixam de ser arrecadados.
Quando um empreendedor decide investir, ele espera encontrar um ambiente minimamente favorável para formalizar sua atividade.
O que não se espera é que o próprio Estado se torne um obstáculo ao desenvolvimento econômico.
A burocracia excessiva já é um desafio histórico do Brasil.
A burocracia digitalizada, porém ineficiente, consegue ser ainda mais frustrante.
A ausência de transparência
A principal crítica dos profissionais da área contábil não se resume à demora.
Demoras podem ocorrer.
Sistemas podem apresentar instabilidades.
Demandas podem aumentar.
O problema surge quando não existe transparência.
Quando não há informação.
Quando não há previsão.
Quando não há comunicação.
A falta de respostas gera insegurança jurídica e operacional, comprometendo a credibilidade dos próprios órgãos responsáveis pela gestão empresarial.
O que precisa mudar
A discussão não deve ser sobre culpar servidores, analistas ou profissionais que atuam na linha de frente.
O debate deve ser sobre gestão pública.
Governança.
Eficiência.
Prestação de contas.
Empresários e contadores não pedem privilégios.
Pedem previsibilidade.
Pedem respeito.
Pedem eficiência.
Conclusão
São Paulo concentra uma das maiores economias da América Latina. Não é razoável que empreendedores enfrentem obstáculos incompatíveis com a realidade tecnológica do século XXI para realizar procedimentos básicos de registro empresarial.
A digitalização só faz sentido quando entrega resultados.
Sem eficiência, transparência e capacidade de resposta, a tecnologia deixa de ser solução e passa a ser apenas uma nova forma de burocracia.
O empreendedor paulista merece mais.
E a contabilidade, que diariamente sustenta o funcionamento desse sistema, também.













