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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Os empregos de TI que mais vão mudar com a IA nos próximos três ano

De operação a supervisão: como a inteligência artificial redefine I&O

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IA agêntica e o futuro das profissões de TI: transformação

Os empregos de TI que mais vão mudar com a IA nos próximos três ano IA — Portal Contábeis

Grande parte das discussões sobre inteligência artificial gira em torno das profissões que vão desaparecer à medida que a IA otimiza, automatiza ou assume uma parcela cada vez maior das operações corporativas. Na minha visão, porém, em muitos casos veremos as funções evoluírem, e não desaparecerem. Já começam a surgir questionamentos sobre a viabilidade de substituir pessoas por sistemas de IA, principalmente porque os custos de processamento crescem rapidamente. O Gartner prevê que, até 2028, o custo do desenvolvimento de software com IA ultrapassará o salário médio de um desenvolvedor, à medida que o consumo de tokens aumenta.

No entanto, não há dúvida de que muitas profissões e funções passarão por uma grande transformação, e os cargos dos departamentos de TI estão entre os primeiros da fila. Os líderes de tecnologia precisam estar atentos, pois a forma como se prepararem, tanto do ponto de vista técnico quanto cultural, determinará o impacto dessas mudanças no médio prazo.

Já observamos uma transformação radical no processo de desenvolvimento de software. O próximo grupo a ser impactado, e que terá uma configuração muito diferente daqui a três anos, será o de infraestrutura e operações (I&O). Atualmente, essas equipes são responsáveis por manter os ambientes funcionando, atender a solicitações de serviço, provisionar recursos, aplicar atualizações, monitorar sistemas e solucionar incidentes. Grande parte desse trabalho segue processos previsíveis e baseados em regras, exatamente o tipo de atividade previsível e repetitiva para a qual os agentes de IA foram concebidos.

Nos próximos três anos, boa parte dessas tarefas será executada por sistemas autônomos capazes de atender solicitações rotineiras sob demanda, além de detectar, diagnosticar e corrigir problemas de forma independente.

Isso não torna essas equipes menos importantes, mas muda completamente sua missão. Em vez de administrar diretamente a infraestrutura, esses profissionais passarão a gerenciar os agentes responsáveis por operá-la. Essa mudança redefine as competências necessárias, priorizando supervisão, controle e capacidade de julgamento.

À medida que agentes de IA executam tarefas em segundos e resolvem problemas antes mesmo que uma equipe seja alertada, a velocidade das operações exige novos mecanismos de governança. Em ambientes com pouca ou nenhuma intervenção humana, é fundamental estabelecer limites claros para definir exatamente o que um agente está autorizado a fazer. Afinal, quando um incidente é detectado, o impacto já pode ter ocorrido. O mesmo agente capaz de restaurar um serviço ou encerrar um chamado também pode conceder um acesso indevido ou causar uma interrupção. É por isso que a segurança precisa fazer parte da arquitetura desses agentes desde sua concepção.

As equipes de infraestrutura e operações (I&O) terão responsabilidade direta por esses resultados. Embora seus cargos possam permanecer os mesmos, o cerne da função migrará da operação dos sistemas para a supervisão desses sistemas.

Uma nova disciplina está surgindo justamente para atender essa necessidade. Frequentemente chamada de engenharia de plataformas agênticas, ela se concentra na construção e governança das plataformas, dos mecanismos de controle e da observabilidade necessários para que grandes conjuntos de agentes operem de forma segura e confiável.

Os profissionais mais valiosos dessas equipes serão os responsáveis pela governança do comportamento dos agentes. Eles é que definirão como esses agentes devem atuar, identificarão quando um comportamento sair do esperado e aplicarão a experiência acumulada em incidentes passados – um conhecimento que nenhum modelo consegue reproduzir integralmente. Essa mesma transformação também valoriza quem decide o que realmente merece ser desenvolvido, porque, quando a execução deixa de ser o fator limitante, a capacidade de definir prioridades passa a ser o principal diferencial.

As equipes de I&O não serão as únicas afetadas por essa mudança, que se estenderá a qualquer atividade baseada em regras e processos padronizados. Em grande medida, as prioridades diárias das equipes de segurança também deverão girar em torno da garantia de que os agentes de IA incorporados às suas operações estejam se comportando exatamente como foram projetados.

As equipes de resposta a incidentes precisarão desenvolver uma compreensão mais profunda do comportamento desses agentes e adaptar seus playbooks para definir quais evidências realmente importam em uma investigação envolvendo IA agêntica. Da mesma forma, as equipes responsáveis por testes de estresse e validação de sistemas precisarão adquirir novas competências, pois identificar vulnerabilidades técnicas em uma aplicação é muito diferente de avaliar como um agente responde a instruções, manipulações e tentativas de indução a comportamentos inadequados.

Essa é a verdadeira transformação. Não se trata do desaparecimento dessas funções, mas da valorização dos profissionais responsáveis pela supervisão e pelo julgamento sobre os sistemas agênticos. Desenvolver essa capacidade desde agora será um diferencial para as empresas à medida que a IA agêntica amplia seu impacto sobre as operações e eleva o nível de responsabilidade na gestão desses sistemas.

Por Mike Anderson, CIO da Netskope

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