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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A inteligência artificial está mudando o que entendemos por software

Sua empresa está pronta para a revolução dos softwares autônomos e dados fragmentados?

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Agentes Inteligentes: A Nova Era do Software Corporativo

A inteligência artificial está mudando o que entendemos por software IA — Portal Contábeis

Durante décadas, os softwares corporativos foram concebidos para cumprir uma função relativamente simples: registrar informações, organizar processos e aguardar comandos humanos. As empresas moldaram suas operações em torno dessa lógica. Pessoas tomavam decisões; sistemas executavam.

Essa dinâmica, no entanto, está começando a mudar.

Depois da corrida pela inteligência artificial generativa, uma transformação ainda mais profunda começa a ganhar forma. Em vez de apenas produzir textos, imagens ou responder perguntas, os sistemas passam a incorporar agentes inteligentes capazes de executar tarefas, interagir entre diferentes aplicações e tomar decisões operacionais dentro de parâmetros previamente definidos.

Estamos acostumados a pensar no software como uma ferramenta. Mas, pela primeira vez em décadas, começa a surgir uma geração de aplicações que se comporta mais como um operador digital do que como um sistema passivo. Para quem acompanha o desenvolvimento da inteligência artificial aplicada aos sistemas corporativos há muitos anos, essa mudança não representa uma ruptura inesperada, mas a evolução natural de uma tecnologia que finalmente alcançou maturidade para assumir um papel mais ativo nas operações. E isso tem potencial para redefinir a maneira como as empresas trabalham.

Se a computação em nuvem transformou a infraestrutura tecnológica das organizações nos últimos vinte anos, a ascensão dos agentes autônomos pode provocar uma mudança igualmente relevante na forma como a tecnologia é utilizada. Não se trata apenas de automatizar atividades. Trata-se de alterar a própria natureza do software.

Talvez por isso a pergunta mais importante para os próximos anos não seja “como implementar inteligência artificial?”, mas algo mais fundamental: nossa arquitetura tecnológica está preparada para conviver com agentes inteligentes?

Essa é uma discussão que ainda recebe menos atenção do que deveria. Grande parte das organizações continua tentando conectar tecnologias do futuro a arquiteturas concebidas para um passado em que os sistemas eram apenas repositórios de dados e ferramentas de execução.

Ao longo dos anos, empresas acumularam aplicações, integrações, customizações e exceções que sustentaram operações complexas e garantiram eficiência. O resultado foi a criação de ambientes tecnológicos cada vez mais fragmentados e difíceis de evoluir.

Esse modelo funcionava em um cenário em que os sistemas apenas armazenavam informações. Agora, quando a inteligência artificial depende de dados consistentes, integração entre aplicações e capacidade de adaptação contínua, a complexidade deixa de ser apenas um desafio operacional e passa a representar uma limitação estratégica.

Existe uma diferença importante entre adotar IA e estar preparado para operar em uma economia orientada por IA.

Agentes inteligentes não criam valor sozinhos. Eles amplificam aquilo que já existe. Se os dados estão fragmentados, se os processos são excessivamente complexos ou se a arquitetura tecnológica foi construída sobre sucessivas camadas de adaptações, a inteligência artificial tende a acelerar problemas na mesma velocidade em que poderia gerar ganhos de produtividade.

Esse talvez seja um dos maiores paradoxos da nova era da inteligência artificial. Enquanto o mercado discute modelos cada vez mais sofisticados, muitas empresas ainda convivem com estruturas tecnológicas que foram desenhadas para um mundo em que o software apenas esperava comandos humanos.

Não por acaso, a própria Gartner estima que mais de 40% dos projetos de inteligência artificial agêntica deverão ser abandonados até 2027, seja por expectativas irreais, seja pela ausência de valor concreto para os negócios. O dado revela que a próxima vantagem competitiva não estará necessariamente em quem adquirir mais ferramentas de IA, mas em quem conseguir construir plataformas capazes de evoluir continuamente.

Durante muito tempo, a transformação digital foi tratada como um projeto com começo, meio e fim. Mas a lógica da inteligência artificial aponta para outra direção. Essa mudança não começou com a popularização recente da IA generativa; ela é resultado de uma evolução tecnológica que vem sendo construída há anos e que agora passa a ganhar escala dentro das empresas. Em um ambiente em que tecnologia, dados e automação se renovam em ciclos cada vez mais curtos, a modernização deixa de ser uma iniciativa pontual e passa a ser uma capacidade permanente.

As empresas que lideraram a transformação digital nas últimas décadas foram aquelas que aprenderam a operar em rede. As que liderarem os próximos vinte anos provavelmente serão as que aprenderem a trabalhar ao lado de agentes inteligentes.

O desafio é que esses agentes já estão chegando. E, talvez, a maior ruptura provocada pela inteligência artificial não esteja na substituição das pessoas. Ela esteja na substituição do próprio conceito de software que conhecemos há décadas.

Por Paulo Secco, CEO da MIGNOW


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