Uma empresa presta R$ 100 mil em serviços em janeiro. O cliente pagará em março.
Até agora, empresas que utilizam o regime de caixa podiam considerar, para a apuração mensal, os valores efetivamente recebidos conforme as regras vigentes.
A partir de 1º de janeiro de 2027, essa opção deixa de existir. A nova disciplina passa a considerar a receita auferida, vinculada, em regra, ao faturamento da operação.
Vender não significa receber
Esse princípio comercial passa a ter consequência tributária mais evidente. Empresas que trabalham com parcelamento, boletos a 30, 60 ou 90 dias, contratos empresariais, grandes clientes ou inadimplência precisarão aproximar gestão tributária e fluxo de caixa.
Prazo concedido ao cliente também custa
Conceder 90 dias pode ajudar a fechar uma venda. Mas a empresa continua pagando salários, fornecedores, aluguel, sistemas e tributos. Quanto maior o prazo médio de recebimento, maior tende a ser a necessidade de financiamento do ciclo.
Inadimplência deixa a diferença ainda mais evidente
Uma venda realizada não garante que o dinheiro entre no vencimento. Se o cliente atrasa, a empresa precisa administrar simultaneamente receita reconhecida, contas a receber e obrigações financeiras.
Crescer pode consumir caixa
O risco fica especialmente visível em empresas que crescem rapidamente. Imagine que as vendas subam 30%, mas o prazo médio de recebimento permaneça em 60 dias. A receita cresce antes do caixa.
Documento fiscal ganha ainda mais importância
A mudança também reforça a relação entre faturamento e documentação.
Política comercial passa a ser tema tributário
Na avaliação de Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores, empresas que trabalham com prazos longos não deveriam esperar janeiro para descobrir quanto a mudança altera seu ciclo financeiro.
A preparação precisa combinar faturamento, prazo médio, inadimplência e capital de giro.
FAQ
1. O regime de caixa continuará disponível em 2027?
Não para a determinação da base mensal nos termos da nova regulamentação divulgada pelo CGSN.
2. Vendas parceladas deixam de ser permitidas?
Não. A mudança é tributária, não uma proibição comercial de vendas a prazo.
3. Inadimplência deixa de existir para fins de gestão?
Não. Pelo contrário, seu impacto financeiro pode se tornar ainda mais relevante.
4. Empresas B2B precisam ter atenção especial?
Podem precisar, principalmente quando grandes clientes utilizam prazos extensos de pagamento.
5. O que deve ser simulado?
Faturamento, prazo médio de recebimento, inadimplência, despesas fixas, tributos e capital de giro.
Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade













