A inteligência artificial já faz parte do dia a dia das empresas e, em muitos casos, avançou mais rápido do que as discussões sobre como utilizá-la com segurança. No Brasil, 88% das empresas já usam plataformas de IA, uma adoção que agora ganha outra dimensão com agentes capazes de executar tarefas e tomar decisões com maior autonomia. Para a liderança, o desafio é aproveitar esse potencial sem perder a capacidade de acompanhar o que acontece com os dados e, principalmente, as ações que esses sistemas podem executar em nome do negócio.
A adoção da nuvem trouxe um aprendizado que vale para este momento. Muitas empresas avançaram rapidamente e estruturaram sua governança quando aplicações e dados já estavam distribuídos por diferentes ambientes. Com a IA, podemos incorporar essa experiência desde o início, sem transformar segurança em uma barreira para a inovação. Isso significa entender por que uma nova ferramenta está sendo utilizada, quais benefícios oferece ao negócio e quais condições precisam existir para que seu uso seja adequado ao nível de risco que a empresa está disposta a assumir.
Com os agentes de IA, ficou mais complexo estabelecer esses limites, já que eles também começam a ser utilizados fora das áreas de tecnologia. Ferramentas acessíveis permitem que profissionais de marketing, finanças, vendas ou recursos humanos criem automações capazes de consultar informações, conectar aplicações e executar tarefas sem depender dos processos tradicionais de desenvolvimento. É nesse contexto que os shadow agents merecem atenção, porque o problema não está apenas no uso de uma tecnologia não homologada, mas na existência de sistemas capazes de agir sem que a empresa necessariamente saiba quais permissões possuem, quais informações acessam ou em nome de quem estão atuando.
Autonomia exige controle
Quanto maior a capacidade de atuação desses agentes, mais importante se torna saber quem está por trás de cada ação. Um agente conectado às credenciais de um profissional com acesso privilegiado pode herdar permissões muito superiores às necessárias para sua função. Identidade própria, acesso compatível com a tarefa, rastreabilidade e auditoria continuam sendo fundamentais, mas agora precisam considerar também identidades não humanas e uma escala muito maior de atuação.
O Model Context Protocol (MCP), que permite aos agentes de IA se conectar a sistemas, aplicações e dados da empresa, amplia ainda mais essa capacidade de atuação. Na prática, quanto mais acesso e autonomia esses agentes recebem, mais importante é definir com clareza o que podem fazer, quais informações podem acessar e quando uma ação exige supervisão humana. Novos agentes e integrações também podem surgir em um ritmo difícil de acompanhar com os processos manuais de segurança que as empresas utilizam hoje. Avaliação, monitoramento e controle terão de acompanhar esse ritmo, inclusive com o apoio da própria IA.
Nesse processo, a equipe de segurança identifica e contextualiza os riscos e trabalha com as demais áreas para entender a necessidade do negócio e encontrar um caminho adequado. A decisão sobre quanto risco aceitar diante de um ganho de produtividade, eficiência ou receita pertence ao negócio, que precisa ter informação suficiente para fazer essa escolha de forma consciente.
Algumas atividades podem ser executadas dentro de limites previamente definidos, enquanto decisões financeiras, acessos privilegiados, uso de dados sensíveis ou ações com impacto sobre clientes ainda exigem supervisão humana. O agente pode assumir o papel de copiloto em uma parcela crescente das operações, mas é a empresa que precisa definir até onde ele pode ir e quando uma pessoa deve permanecer no processo.
A criação de agentes tende a ficar mais simples e a alcançar diferentes áreas das empresas. Impedir esse movimento não é uma estratégia sustentável, assim como conceder autonomia sem visibilidade não é uma escolha responsável.
Para a liderança, será cada vez mais importante permitir que a IA gere valor sem abrir mão do controle sobre as decisões tomadas em nome do negócio.
Por Claudio Bannwart, country manager Brasil da Netskope












