O prazo ganhou fôlego. A Resolução CGSN nº 194/2026, publicada em 28 de setembro, prorrogou até 30 de outubro a decisão das empresas do Simples Nacional: manter o IBS e a CBS dentro do DAS ou levar esses tributos para o regime regular a partir de janeiro de 2027. Muita gente já decidiu às pressas, pressionada por planilhas genéricas e pela promessa de "aproveitar créditos". Outros ainda estão pensando em sair do Simples de vez até o fim do ano.
Para quem vende ao consumidor final, como óticas, lojas de roupas, calçados e eletroeletrônicos, o recado é direto: calma. Na maior parte dos casos, o Simples continua sendo o melhor abrigo fiscal desse tipo de negócio. E a boa notícia é que ainda existe margem para corrigir a rota.
1. O que já está decidido e o que ainda pode mudar
O Comitê Gestor do Simples Nacional antecipou o calendário de opções para 2027 e, com a Resolução CGSN nº 194/2026, estendeu parte dos prazos.
Ou seja, ninguém está preso a uma decisão tomada no impulso. Mas também não dá para empurrar a análise para dezembro.
2. A lógica do IVA Dual fora do Simples
A grande engrenagem da reforma, para quem está no regime regular, é a não cumulatividade plena. A empresa paga IBS e CBS sobre a venda e abate os créditos de tudo o que comprou: mercadorias, energia, serviços tomados e assim por diante.
Esse mecanismo funciona muito bem para quem vende para outras empresas. O cliente PJ aproveita o crédito que você destaca na nota, e isso vira argumento comercial.
E quando o cliente é pessoa física? Aí a história muda de figura.
3. Três motivos para o varejo B2C segurar o Simples
O consumidor final não toma crédito
Margem de agregação alta pesa contra
A carga dentro do DAS segue mais leve
4. Atenção ao calendário de transição: 2027 não é o "ano da alíquota cheia"
Aqui mora uma confusão comum. Muita simulação que circula por aí aplica 26,5% ou 28% de IVA já em 2027. Não é assim que a transição funciona.
Para uma ótica que sai completamente do Simples em 2027, isso significa conviver ao mesmo tempo com CBS cheia, ICMS pelo regime normal e IRPJ e CSLL fora da guia única. Vale a pena trocar a simplicidade do DAS por esse pacote? Para a maior parte do varejo B2C, a resposta é não.
5. Faturamento, teto e sublimite
Uma empresa que fatura algo em torno de R$ 3 milhões por ano está numa zona confortável.
Enquanto a receita bruta estiver abaixo do sublimite, o Simples segue entregando o que promete: simplificação e economia de caixa. Perto dessa linha, o monitoramento precisa ser mensal, não anual.
6. Quando o regime regular pode fazer sentido
Seria desonesto dizer que o Simples é sempre a melhor escolha.
Fora dessas situações, migrar por medo ou por modismo tende a sair caro.
Checklist para os próximos 60 dias
Cada empresa tem sua própria combinação de folha, margem e custos. Decidir enquadramento tributário com base em achismo, numa reforma desse tamanho, é o tipo de economia que costuma custar caro lá na frente.













