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PIX E FINANÇAS

Mais da metade das chaves Pix de empresas já está em instituições de pagamento. O que isso muda para o saldo do cliente?

Dados do Banco Central mostram a mudança no mercado e as diferenças na proteção do dinheiro

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Mais da metade das chaves Pix de empresas já está em instituições de pagamento. O que isso muda para o saldo do cliente? Foto: Jonas Leupe / Unsplash

No fim de setembro de 2026 havia 51,2 milhões de chaves Pix registradas por pessoas jurídicas no Brasil. Os dados abertos do Pix, publicados pelo Banco Central, mostram onde elas estão: 51,1% em instituições de pagamento, 36,5% em bancos e 9,3% em cooperativas de crédito. Um ano antes, as instituições de pagamento tinham 48,0%.

A maior delas sozinha diz muito. O Nubank, cujas contas ficam na Nu Pagamentos, uma instituição de pagamento, tem 11,8 milhões de chaves Pix de empresas, ou 23,1% do total. É mais do que Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa somados (11,3 milhões).

As 12 instituições com mais chaves Pix de pessoas jurídicas em 30/09/2026 (em milhões de chaves e % do total):

Para o contador, isso não é só uma curiosidade de mercado. O tipo de instituição onde a empresa guarda o dinheiro define que proteção esse saldo tem se a instituição quebrar, e a diferença ficou concreta em 2026.

O que a chave Pix mostra (e o que não mostra)

Chave Pix não é conta nem saldo. Uma conta de pessoa jurídica pode ter até 20 chaves, e a mesma empresa pode ter contas em várias instituições. Mesmo assim, como o Pix é hoje um dos principais meios de recebimento das pequenas empresas, a contagem de chaves é o melhor dado público sobre onde elas mantêm a conta do dia a dia.

E a tendência é clara. Em 12 meses, as chaves Pix de empresas cresceram 22%. Nas instituições de pagamento o crescimento foi maior: Mercado Pago (+52%), Stone (+38%), InfinitePay (+31%) e Nubank (+29%). Nos grandes bancos de varejo, foi menor: Itaú (+19%), Banco do Brasil (+4%), Bradesco e Santander (+3%) e Caixa (−2%). A fatia das instituições de pagamento passou de metade em fevereiro de 2026 e ficou acima disso desde então.

Banco e instituição de pagamento guardam o dinheiro de jeitos diferentes

Banco recebe depósitos. Depósito à vista, poupança, CDB/RDB e LCI/LCA têm a garantia do FGC: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Para pessoa jurídica, vale a raiz do CNPJ, então matriz e filiais dividem o mesmo limite.

Instituição de pagamento não recebe depósitos. Ela oferece conta de pagamento, e o saldo dessa conta não é depósito bancário. Pela Lei 12.865/2013 (art. 12), os recursos das contas de pagamento formam um patrimônio separado do patrimônio da instituição: não servem para pagar as dívidas dela e não podem ser emprestados. É uma proteção real, mas é outra proteção. Não há FGC.

O caso do Will Bank mostrou a diferença na prática. Em 21 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, que estava sob regime especial desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. Sobre o saldo em conta de pagamento, o BC foi direto: "Esses valores não são cobertos pelo FGC". A devolução passou a depender do processo conduzido pelo liquidante, sem o prazo e o rito do pagamento do FGC.

Isso não quer dizer que instituição de pagamento seja arriscada por definição. A grande maioria funciona normalmente, e o patrimônio separado existe justamente para proteger o cliente. Quer dizer que o saldo parado numa conta de pagamento está protegido de outro jeito, e que a empresa nem sempre sabe disso.

O nome da marca não diz o tipo

Parte da confusão vem do nome. A conta PJ do PagBank fica na PagSeguro Internet, uma instituição de pagamento; a do Nubank, na Nu Pagamentos, também instituição de pagamento; já o C6 Bank e o Banco Inter são bancos. A Resolução Conjunta nº 17, de 28 de novembro de 2025, restringe o uso de "banco" e "bank" no nome, na marca e no domínio por quem não é banco, com exceções como empresas de um conglomerado que tem banco. O prazo para a troca do nome empresarial termina no fim de novembro de 2026, então ainda pode haver mudanças de nome.

A informação que resolve a dúvida é o tipo de instituição registrado no Banco Central, consultado pelo CNPJ de quem presta o serviço (aparece no contrato e no rodapé do aplicativo). O Encontre uma instituição, do BC, traz o cadastro. Para ver o tipo de cada instituição ao lado das chaves Pix que ela tem.

O que levar para a conversa com o cliente

O ponto não é mandar o cliente trocar de conta. A conta de pagamento costuma ser barata e prática para receber e pagar. O ponto é o dinheiro que fica parado: provisão de impostos, 13º e férias, reserva de capital de giro. Para esses valores, vale saber se estão numa conta de pagamento ou num produto coberto pelo FGC, e se o total no mesmo conglomerado passa de R$ 250 mil.

São três perguntas simples para o cliente: em que instituição está a conta onde o dinheiro fica parado? Ela é banco, instituição de pagamento ou cooperativa? Quanto costuma ficar lá ao fim do mês? Com essas respostas, a decisão sobre onde manter a reserva deixa de ser no escuro.

Como os números foram calculados

Os dados vêm das estatísticas de chaves Pix nos dados abertos do Banco Central (serviço Pix_DadosAbertos, consulta ChavesPix), posição do último dia de cada mês, de setembro de 2025 a setembro de 2026. Somei as chaves de pessoas jurídicas de cada participante e agrupei pelo segmento informado na própria base. Instituições de pagamento incluem as não sujeitas a autorização. Bancos incluem bancos múltiplos e comerciais, Banco do Brasil, Caixa e os demais bancos. Cooperativas são as cooperativas de crédito; o restante (financeiras, sociedades de crédito direto, corretoras e outras) somou 3,1%.

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