Isso é muito mais comum do que você imagina, especialmente no início do estágio, e não significa falta de capacidade. A dificuldade não está na teoria em si, mas no fato de que os softwares contábeis não explicam a lógica por trás dos lançamentos, apenas executam.
A chave para destravar contas devedoras e credoras é parar de pensar no botão do sistema e voltar sempre para a pergunta contábil básica: o que aumentou e o que diminuiu no patrimônio da empresa? No SCI, quando você faz a baixa de um pagamento, o sistema nada mais faz do que registrar essa movimentação. Por exemplo, ao pagar um fornecedor, o dinheiro do banco diminui (Banco é conta do Ativo, diminuição = crédito) e a dívida com o fornecedor diminui (Fornecedor é Passivo, diminuição = débito). O SCI apenas traduz isso em telas, mas a lógica é exatamente essa, independentemente do software.
Um erro comum de quem está começando é tentar “decorar” se clica em débito ou crédito. Isso quase nunca funciona. O caminho correto é sempre identificar primeiro qual conta está sendo movimentada e qual o efeito dessa movimentação. Ativo aumenta no débito e diminui no crédito; Passivo e Patrimônio Líquido aumentam no crédito e diminuem no débito; Receita aumenta no crédito; Despesa aumenta no débito. Quando você entende isso, qualquer baixa no SCI passa a fazer sentido, porque o sistema apenas automatiza essa regra.
No dia a dia do SCI, pense assim: se você está dando baixa em um boleto pago, pergunte a si mesmo “o que saiu?” (dinheiro do banco) e “o que acabou?” (a obrigação). Se está lançando um imposto, “o que nasceu?” (uma despesa) e “o que ficou pendente?” (um passivo). Essa leitura antes de clicar é o que transforma teoria em prática.
Para reforçar isso fora do trabalho, recomendo buscar vídeos que mostrem lançamentos contábeis na prática, não só teoria. Procure no YouTube por termos como “lançamentos contábeis na prática”, “débitos e créditos com exemplos reais” ou “contabilidade aplicada ao dia a dia”. Canais focados em rotina contábil costumam ajudar muito mais do que aulas puramente acadêmicas.
Com o tempo, você vai perceber que o SCI (ou qualquer outro sistema) muda a interface, mas a lógica contábil é sempre a mesma. Quando isso “vira a chave”, a confusão com débito e crédito praticamente desaparece.