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Tributação de fundos exige cuidado na hora de movimentar os recursos

A mudança na tributação dos fundos de investimento - que entrou em vigor este ano, criando alíquotas diferentes de acordo com o prazo da aplicação - passou

21/11/2005 00:00:00

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A mudança na tributação dos fundos de investimento - que entrou em vigor este ano, criando alíquotas diferentes de acordo com o prazo da aplicação - passou a exigir mais cautela dos investidores na hora de movimentar seus recursos. A falta de atenção, mais que nunca, pode custar caro, gerando mais Imposto de Renda (IR) a pagar, explicam os analistas, que dão, abaixo, sugestões sobre como investir de maneira consciente. O ponto de partida é ficar atento à nova tributação. Os fundos hoje são divididos em curto e longo prazo e, quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menos IR o investidor pagará (antes, a tributação era unicamente de 20%). Aplicações inferiores a seis meses serão tributadas em 22,5%. De seis meses a um ano, cai para 20%. Entre um e dois anos, passa para 17,5% e, se os recursos ficarem aplicados por mais de dois anos, o IR será de 15%. Nos investimentos em ações e fundos de ações, a alíquota do IR caiu de 20% para 15% sobre os ganhos. Investidor pode decidir que parcela dos recursos sacar Imagine então que o investidor fez dois investimentos num fundo. O primeiro já completou dois anos (alíquota de 15%) e o outro tem menos de seis meses (IR de 22,5%). O que fazer na hora do resgate se está tudo no mesmo bolo? Segundo Leonardo Calixto, executivo sênior de Desenvolvimento de Produtos do HSBC Investment, alguns bancos, como é o caso do HSBC, permitem que o investidor decida que parcela quer sacar. Ou seja, não determinam que o saque seja feito automaticamente do investimento de mais longo prazo, que, em tese, seria mais vantajoso: - Por mais estranho que seja, recomendamos que o investidor saque a parcela aplicada há menos tempo, sujeita à maior alíquota. Embora ele vá pagar um imposto maior, o percentual incidirá sobre um ganho menor. Além disso, a fatia dos recursos que já conquistou os 15% de IR vale ouro, pois, se mexer no dinheiro, o investidor vai demorar outros dois anos para atingir essa faixa. Isso não é um bom negócio. Prejuízo passado pode ser deduzido de ganho futuro Gyorgy Varga, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da consultoria FCE, cita um outro caso. Considere que o investidor fez três investimentos isolados na Bolsa (hoje o Ibovespa está em 31.102 pontos) e pretende agora fazer um resgate. O primeiro, com o índice a 20 mil pontos, o segundo, a 31.200 pontos e o terceiro, a 15 mil pontos. Qual deles resgatar? - O segundo, com a Bolsa num patamar de preços mais alto que o atual, já que o Imposto de Renda só é cobrado sobre os ganhos que, neste caso, não aconteceram. O que costumamos ver é que muitas vezes o investidor, talvez por falta de hábito, não dá a devida atenção ao momento em que foi feita a aplicação, o que faz com que pague IR desnecessariamente - avalia Varga. Outra dica do professor da FGV é o mecanismo de compensação de perdas nos fundos, uma arma poderosa dos investidores. Ele explica que, embora a maioria não saiba, prejuízos passados podem ser deduzidos de ganhos futuros, o que permite ao investidor pagar menos Imposto de Renda. Basta que os fundos pertençam ao mesmo administrador (como Bradesco, Itaú, Mellon Brascan etc.). José Eduardo Araújo, sócio da Questus Asset Management, esclarece que, se o aplicador teve perdas de, por exemplo, R$ 200 num fundo, ao lucrar R$ 200 numa outra aplicação, não pagará IR. Se o lucro, porém, for de R$ 100, o investidor ainda terá um crédito de R$ 100 a compensar: - No entanto, devido às novas regras, os fundos precisam ter o mesmo tratamento tributário: longo prazo compensa com longo prazo, curto prazo com curto prazo e fundo de ação com fundo de ação. Compensação de perda pode ser feita até o ano seguinte Francisco Costa, sócio da consultoria Personal Investimentos, explica que a compensação pode ser feita até o fim do ano seguinte. - O investidor precisa ficar atento para não perder a oportunidade. Há quem troque uma instituição por outra, sem saber do benefício, e acabe perdendo o prazo. Marcos Villanova, superintendente de Investimentos do Bradesco, diz que, no banco, a compensação é automática. - Nunca fomos informados dessa possibilidade em nenhum dos bancos com que trabalhamos aqui na ONG. Essas opções deveriam ser divulgadas, para evitar o pagamento desnecessário de IR - reclama Marjorie Botelho, coordenadora da organização não governamental Sobrado Cultural.

Fonte: O Globo

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