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Inovação também passa pela área contábil

Para que um negócio se fortaleça e se torne saudável economicamente, o trabalho do contador é fundamental. Afinal, os registros

20/01/2010 00:00:00

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Para que um negócio se fortaleça e se torne saudável economicamente, o trabalho do contador é fundamental. Afinal, os registros irão fornecer informações sobre custos, giro de Capital e dos encargos e tributos. O profissional participa do desenvolvimento da empresa desde sua constituição, acompanhando o registro na Junta Comercial ou no cartório civil e providenciando a regularização em vários órgãos, como Receita Federal, INSS e prefeitura.

Nesse contexto, a contabilidade também deve ser vista como ferramenta de gestão, para que possa projetar os resultados da empresa a partir de metas. O contador tem como desafio oferecer as ferramentas para contribuir com planejamento, com informações rápidas e corretas, na velocidade dos negócios, diminuindo as chances de perda.

Para o contador Tiago Jacobsen, da TDF Contabilidade, a categoria está se transformando no quesito inovação. Os profissionais estão em uma constante busca por atualização, interação e avanço tecnológico (integração entre sistemas, internet, suporte, ferramentas de gestão, trainee e facilidade de relacionamento humano). Um contador empreendedor, para ele, tem como imagem sua própria empresa, as dificuldades e as conquistas do dia-a-dia, experiências que contribuem para o desenvolvimento de sua Carteira de clientes.

"O papel do contador é essencial desde o início de uma empresa", reforça Viviane Ferran, da Gerência de Empreendedorismo e Inovação do Sebrae. Para ela, um profissional da contabilidade é aquele que irá decodificar as necessidades burocráticas e traduzir essas ferramentas para o empreendedor. Para fazer uma empresa ser sustentável financeiramente, não há mágica. Porém, os anos de experiência e a prática com o treinamento de equipes mostraram a Viviane que a inovação associada a comportamento empreendedor, gestão e planejamento tem mais chance de levar uma iniciativa ao sucesso.

Planejamento é fundamental
Estreante no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, a casa noturna Divina Comédia teve um início facilitado pela estratégia dos sócios Estevão Zalazar, Sandro Salgado e Marcelo Cabral Correa. Realizado o planejamento orçamentário, os proprietários decidiram facilitar os trâmites burocráticos e compraram a empresa que já existia antes no local, dessa forma, o alvará e os registros já estavam prontos e foi feita uma Economia de tempo de dois a três anos. A procura por um bar novo vinha há mais de três anos. Há três meses, eles encontraram o local.

Para Zalazar, a Expansão veio de uma necessidade pessoal e profissional de crescimento e da visualização de oportunidade para o mercado do entretenimento. "Quem determina o rumo dos negócios é a lei da Oferta e da procura", assegura. Em um mês, toda a documentação ficou pronta. Segundo Zalazar, para fazer um empreendimento dar certo é preciso observar como premissa básica a questão da qualidade. "Além de cuidar da estrutura interna, produto e atendimento, no ramo da noite é preciso ter criatividade". Como em boa parte de restaurantes e bares noturnos, a parte de contabilidade da empresa é terceirizada, para que os empresários não tenham que se preocupar com os aspectos financeiros.

Zalazar espera que seu contador esteja sempre atualizado, para que ele e seus sócios possam se ocupar com a qualidade do serviço que oferecem. Como empreendedores, não podem deixar de dar atenção a nenhum detalhe. "A proposta estética do bar, o estilo musical, o espaço da casa, a localidade, o conhecimento de mercado, o alimento, a bebida, a divulgação, tudo deve ser observado para que nosso negócio seja sustentável."

Responsável pelo sucesso do bar Paraphernália, que está há sete anos no mercado, ele já viu fechar outro bar, o Sierra Maestra, que teve uma decadência devido a problema de gestão e falta de acompanhamento das mudanças do cenário político e social de Porto Alegre. "O empreendedor deve mudar junto com o mercado", afirma.

Fechar empresas é mais complicado do que abrir
Com as facilidades trazidas pelas novas tecnologias e pela modernização dos órgãos do fisco, hoje está mais fácil abrir do que fechar uma empresa. A afirmação é do professor e coordenador do curso de Administração da ESPM-RS, Antônio Ricardo Monteiro Marinho. Segundo ele, é fundamental ter clareza sobre o que se quer com a empresa, pois as obrigações serão cobradas mesmo que a companhia esteja inoperante.

Entre os fatores que dificultam o fechamento de uma empresa estão o extravio de documentos e a falta de entrega de obrigações acessórias, e, sem estar em dia com o Fisco, não se pode abrir uma nova empresa.

O professor afirma que o contador ainda é visto por muitos empreendedores como um controlador do Fisco e que essa visão parcial do profissional contábil resulta no uso inadequado das informações. "Ao lado de um contador capacitado, o empreendedor tem muito mais chances de ver seu negócio crescer de forma sustentável. A qualidade de informação vai ajudar a evitar problemas futuros."

Segundo Marinho, quem lida com negócios costuma ser inquieto e não levar em consideração o que diz o contador. "O empreendedor ganha muito, mas também perde muito. É importante tentar mostrar a ele a importância dos números e dos controles e criar uma cultura do uso de sistemas e ferramentas de gestão."

Marinho aponta que um dos erros clássicos cometidos pelos brasileiros é achar que se sabe administrar sem ter qualificação técnica. "A gestão empresarial hoje é uma área tão técnica quanto a medicina ou a engenharia. Muitos acham que, para administrar, basta bom senso, mas a questão é muito mais complexa."

A falta de planejamento, dificuldade de negociação e desconhecimento do cliente são algumas das causas que levam as empresas a fecharem antes do tempo, conforme aponta a supervisora da Gerência de Empreendedorismo e Inovação do Sebrae, Viviane Ferran.

Outros aspectos são a falta de conhecimento da gestão, ausência de fluxo de caixa, falta ou atraso de pagamento e estabelecimento equivocado de Preço de venda.

Tecnologia ajuda a diminuir a burocracia durante os trâmites
A informatização dos procedimentos contábeis foi um dos fatores que facilitou a vida dos contadores e ajudou a diminuir a burocracia na hora de abrir uma empresa. Entre os aspectos que foram facilitados com as novas tecnologias estão os procedimentos e a Homologação dos registros, que, na maioria das vezes, são realizados pela internet.

Segundo o sócio da TDF Contabilidade Tiago Jacobsen, hoje o prazo para registro de uma empresa no Estado demora até 15 dias úteis, o que foi possível por meio de convênios firmados entre União, Estado e município. "Acredita-se que o prazo fique ainda menor."

Alguns empreendedores que têm o olhar muito focado na lucratividade e no resultado costumam encontrar algumas dificuldades para lidar com o gerenciamento das contas. Nesse sentido, Jacobsen destaca que os principais desafios do empreendedor iniciante são entender a quantidade de impostos que incidem sobre suas operações, organização financeira e adequação de um sistema do porte da empresa. "O empreendedor tem como objetivo desenvolver suas atividades com lucratividade, mas para isso necessita planejar-se."

O contador ressalta ainda que, no inicio de um relacionamento com o escritório contábil, é importante o aproveitamento das tecnologias disponíveis, dadas entre integração dos sistemas financeiro e contábil.

E se falar em empreendedorismo soa estranho para os que lidam com números, contas e balanços, Jacobsen esclarece que o contador deve apropriar-se das tecnologias disponíveis e ir além do livro-caixa, tornando-se peça-chave na administração. "Sendo a contabilidade uma ferramenta de gestão, o contador passa a ser um dos responsáveis junto aos gestores administrativos pela tomada das decisões estratégicas da empresa, nas áreas societária, fiscal, de recursos humanos, pessoal e contábil."

Como administrar o fim
O contador Charles Tessmann, diretor-geral da T&ssmann Assessoria Empresarial, explica as principais causas e dificuldades do encerramento de empresas.

JC Contabilidade - Quais as razões de fechamento?
Charles Tessmann - Se antes a ineficiente gestão empresarial, grande Carga Tributária e a alta concorrência nacional eram os grandes vilões do mercado, hoje se somam a esses o ingresso de empresas globais, alto Investimento nas ferramentas de TI e a necessidade do alto poder de mudanças e inovações.

Contabilidade - Quais as dificuldades nos trâmites?
Tessmann - O fechamento de uma empresa está diretamente ligado ao nível institucional e organizacional desta. Para ser extinta, ela não pode possuir débito constituído, seja ele fiscal, trabalhista, comercial ou judicial. É preciso comprovar através de Certidões Negativas de Débitos (CNDs), nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Contabilidade - Qual a dica para um fechamento sem complicações?
Tessmann - A empresa, desde a sua constituição, deve ser dirigida de forma empreendedora e responsável, tendo durante o período de sua existência cumprido a razão e objetivos de sua criação, para que o encerramento seja feito de acordo e dentro dos prazos e trâmites legais; além, é claro, da escolha de um profissional capacitado.

Contabilidade - Onde os empreendedores estão errando?
Tessmann - Saber e entender a atividade escolhida já não basta no mercado, ficando o empresário obrigado a investir no Capital humano e em ações inovadoras, agregados ao alto nível de gestão empresarial. Trabalhar com as pessoas certas, captar e fidelizar os clientes, dispor de uma boa estratégia de Marketing e possuir excelência na atividade exercida também é essencial.

Fonte: Jornal do Comércio - RS

Enviado por: Wilson Fernando de A. Fortunato

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