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Brasil precisa de medidas fiscais, diz agência de classificação

A presidente da agência de rating Standard&Poors do Brasil, Regina Nunes, afirmou ontem que o governo federal poderia ter reduzido mais, nos últimos

19/05/2010 00:00:00

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A presidente da agência de rating Standard&Poors do Brasil, Regina Nunes, afirmou ontem que o governo federal poderia ter reduzido mais, nos últimos meses, as medidas anticíclicas que adotou durante a crise, embora tenha considerado positivo o corte adicional de R$ 10 bilhões do Orçamento da União neste ano, anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O governo precisa tomar medidas tanto monetárias quanto fiscais. E eu acredito que o governo vai conseguir conter os gastos. Os custos de se crescer a um ritmo de 7,5% ao ano, como vem sendo projetado por parte do mercado, seriam muito altos, como a inflação afirmou Regina, que participou ontem no Rio de um seminário em comemoração aos 40 anos da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec).

Os gastos do governo são uma das razões para a S&P não melhorar sua avaliação para o Brasil, que permanece com grau de investimento de BBB desde maio de 2008 pela agência de risco. Outros motivos são o aumento da dívida liquida do governo e os juros altos, além de barreiras estruturais para o investimento e o crescimento.

Os motivos que levaram o Brasil a conseguir o grau de investimento são os mesmos que o impedem agora de ter um rating melhor acrescentou Regina.

Segundo cálculos da S&P, a economia brasileira deve crescer 6% neste ano, e a inflação pelo IPCA deve ficar em 5,2%.

Nas contas da S&P, o Brasil precisaria investir pelo menos US$ 500 bilhões ao ano para sua economia conseguir crescer a um ritmo de 5,5%, considerado sustentável por não gerar inflação e desequilíbrios econômicos. Regina explica que o valor não considera investimentos específicos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Para Bird, crescimento pressiona taxa de câmbio
Regina acredita que o Brasil não será contaminado pela crise europeia, a menos que os problemas fiscais da Grécia se transformem em uma crise bancária de proporções mundias. Para Regina, os riscos estão concentrados na capacidade de a Grécia executar seu plano de austeridade fiscal.

O pacote é um remédio para a febre, mas o vírus temos de esperar passar. Então vai haver volatilidade, instabilidade das moedas e de preços.

Em entrevista à agência Dow Jones, a vice-presidente do Banco Mundial (Bird), Pamela Cox, alertou que alguns países da América Latina estão crescendo aceleradamente, o que pode superaquecer a economia e formar bolhas acionárias na região. Segundo ela, um eventual superaquecimento será especialmente ruim para os países com melhores desempenhos, sobretudo Brasil e Argentina. Ela acrescentou que México e Peru também poderiam se prejudicar.

Pamela afirmou que o crescimento econômico desses países está exercendo uma pressão sobre as taxas de câmbio.

Também estamos preocupados com bolha de ativos disse a executiva do Bird.

Pamela está preocupada particularmente com uma possível bolha na bolsa de valores ou no mercado imobiliário brasileiro: Não é uma grande preocupação, mas creio que devemos observar (a situação).

A taxa de câmbio é bastante forte no Brasil, o que atrai a entrada de muitos capitais.

O Banco Mundial prevê um crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) para a América Latina este ano. Para o Brasil, a projeção é de um PIB acima de 5%, provavelmente perto dos 6% em 2010. México deverá crescer cerca de 5% e o Chile, entre 4% e 5% este ano.

Fonte: O Globo

Enviado por: Wilson Fernando de A. Fortunato

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