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Com nova lei, abrir mais lojas reduzirá lucro

''As empresas devem atuar de forma estratégica este ano'' A retomada da aceleração do ritmo de aberturas de lojas

14/06/2010 00:00:00

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''As empresas devem atuar de forma estratégica este ano''


A retomada da aceleração do ritmo de aberturas de lojas este ano vai reduzir o lucro líquido e a geração de caixa das redes varejistas. Com a entrada em vigor da nova lei contábil, as companhias são obrigadas, a partir de agora, a contabilizar seus gastos pré-operacionais (despesas com aberturas de lojas) no exercício em vigor, ao invés de diluir, como antes, ao longo de cinco anos. Isso está levando as varejistas a priorizarem suas inaugurações no segundo semestre, quando o aumento da receita e do fluxo de caixa minimiza os impactos da nova lei contábil sobre o lucro e o Ebitda anual consolidado.

Mesmo com os anúncios ao mercado no final do ano passado de que pretendem retomar planos mais agressivos de expansão, após a desaceleração vista em 2009, em média menos de 15% das metas das varejistas foram cumpridas no início deste ano, segundo os balanços do primeiro trimestre. No ano passado, quando as alterações da lei 11.638 já estavam em vigor, as despesas pré-operacionais interferiam menos nos resultados das companhias em razão da redução dos investimentos. Para 2010, porém, estes custos vão elevar de forma adicional as despesas com vendas, gerais e administrativas das companhias.

''''Todas as despesas com inaugurações terão de ser reconhecidas neste exercício. Isso vai afetar sensivelmente o lucro e o Ebitda, podendo levar a um cenário de prejuízo, caso o investimento seja alto'''', afirma o sócio-diretor da área de tributos da BDO, Ricardo Bonfá. ''''As empresas devem atuar de forma estratégica este ano, privilegiando as inaugurações no segundo semestre, quando a receita é maior'''', avalia Bonfá.

O J.P.Morgan, em relatório de revisão de recomendação assinado por Andrea Teixeira e João Mamede, reduziu a projeção do Ebitda e do lucro por ação da Lojas Renner para os exercícios 2010 e 2011, pela elevação da previsão de despesas gerais e administrativas, como consequência da nova lei contábil e da retomada da aceleração do ritmo de abertura de lojas. Segundo o documento, a projeção do Ebitda para este ano caiu de R$ 503 milhões para R$ 469 milhões e em 2011 recuou de R$ 600 milhões para R$ 553 milhões. Já a estimativa de lucro por ação foi reduzida de R$ 2,19 para R$ 2,17, neste ano, e de R$ 2,71 para R$ 2,48, no próximo ano.

A expectativa da Renner é inaugurar este ano, pelo menos, 12 filiais do modelo tradicional, com área média de vendas de 2,1 mil metros quadrados, e até 15 outras filiais em 2011, caso o ''''cenário otimista se mantenha'''', diz o diretor administrativo e de Relações com Investidores da Lojas Renner, José Carlos Hruby. Além das unidades tradicionais, a Renner testa a partir deste ano um modelo compacto (entre 1,2 mil e 1,3 mil metros quadrados), que deverá responder pela abertura entre 80 e 100 lojas nos próximos cinco anos. Este novo modelo reduz os investimentos por unidade de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões, gastos nas tradicionais, para algo em torno de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões.

Outra varejista que prevê incremento nas despesas com vendas, gerais e administrativas, conforme o ritmo de abertura de lojas se acelere é a Marisa. Após passar o primeiro trimestre sem abrir novas filiais, a companhia apresentou no período uma retração de 8,8 pontos porcentuais nesse grupo de despesas em comparação à receita líquida.

De acordo com o balanço referente ao primeiro trimestre, acrescido de dados preliminares do segundo trimestre, das 39 inaugurações previstas pela Marisa em 2010, nove aconteceram até 10 de maio. Mas outras companhias seguem caminho parecido. Das 70 previstas, a Lojas Americanas abriu, até 13 de maio, seis. A Hering anunciou a intenção de encerrar 2010 com 325 lojas, porém ao final de março eram 278, representando a adição de duas unidades frente ao total encerrado em 2009.

Fonte: Folha Online

Enviado por: Wilson Fernando de A. Fortunato

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