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Empresas querem voltar ao cartão ponto

Investimentos para a implantação do sistema seriam incompatíveis com o faturamento de micros e pequenas empresas Micros, pequenas e médias

05/07/2010 00:00:00

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Investimentos para a implantação do sistema seriam incompatíveis com o faturamento de micros e pequenas empresas


Micros, pequenas e médias empresas de Londrina e região estão mesmo optando por voltar para o sistema manual de ponto. As empresas de contabilidade de Londrina já estão sendo avisadas da decisão pelos clientes. E o Sescap Londrina estima que mais da metade das empresas de pequeno porte vai reimplantar o antigo sistema até o início de setembro, quando termina o prazo para as empresas se adequarem à Portaria 1.150/2009, que estabelece novas normas para o controle do ponto eletrônico.

''''A volta ao livro ponto é um retrocesso se avaliarmos a perda de agilidade no processamento e organização dos dados. Mas é uma alternativa permitida pela Portaria e que dá fôlego aos empresários'''', afirma a diretora do Sescap Londrina, Marisa Ribeiro Furlan. Para implantar as normas ditadas pela Portaria é necessário um novo programa e como ele não aceita os equipamentos que estão sendo utilizados para controle do ponto eletrônico, as empresas têm de comprar novos computadores e impressoras especiais.

O custo inicial do kit varia de R$ 3,5 mil a R$ 5 mil, de acordo com pesquisa feita pela diretora da entidade. E, dependendo do número de funcionários, há necessidade de mais de um kit. Marisa Furlan ressalta ainda que o custo da implantação é maior porque precisa considerar a burocracia e a manutenção do sistema.

Este, porém, é apenas um dos problemas que o setor produtivo evidencia. A diretora do Sescap Londrina, acredita que o principal obstáculo para a aceitação das exigências da Portaria seja a fragilidade do sistema operacional. Ela explica que as empresas temem ter que parar a cada problema que o novo sistema venha apresentar. Em caso de defeito ou mau funcionamento todo equipamento precisa ser mandado para o fabricante.

A alegação do Ministério do Trabalho, que vê no novo sistema a saída para reduzir os conflitos legais entre trabalhadores e empresas, é rejeitada pelo setor produtivo. ''''Os meios definidos pela Portaria estão sendo questionados inclusive pelas entidades que representam os trabalhadores. O setor produtivo é sério e existem meios eficientes para evitar a ação de fraudadores'''', afirma o presidente do Sindimetal de Londrina, o industrial Valter Orsi.

Para ele a adequação ocorrida no Software foi necessária, mas a exigência de mudar todos os equipamentos eletrônicos, sem nenhum tipo de aproveitamento, e a obrigatoriedade da emissão dos comprovantes em todos os registros de ponto, foram radicais.

Segundo o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante a portaria não considera o problema que a mudança irá causar para o setor. ''''O Ministério do Trabalho precisa entender que o custo dessa mudança é incompatível com o faturamento das micros e pequenas empresas. Além disso, o Ministério parte do princípio de que uma parcela dos empresários descumpre a lei, o que não é verdade'''', diz Esquiante.

A estimativa das entidades é de que 1 milhão de equipamentos serão descartados nesse processo. Segundo as empresas fornecedoras dos equipamentos de ponto eletrônico, serão necessárias mais de 1,5 bilhão de bobinas de papel só para dar inicio às exigências da nova portaria. Pelas normas a empresa tem que fornecer comprovante eletrônico a cada saída e entrada do funcionário.

Como referência basta considerar que os comprovantes de cartão de crédito geram hoje um gasto de R$ 2,5 bilhões/anual. A previsão é que seria necessário derrubar mais de 400 mil árvores por ano para suprir o consumo do papel necessário à impressão dos registros de ponto. ''''Um custo operacional e ambiental incoerente e inaceitável'''', afirma Orsi.

O empresário defende uma regulamentação mais adequada capaz de dar segurança aos trabalhadores e às empresas, sem que ambos sejam prejudicados. Mesma reivindicação apresentada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Fonte: Folha Online

Enviado por: Wilson Fernando de A. Fortunato

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