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Centrais sindicais admitem negociar salário mínimo abaixo de R$ 580

SÃO PAULO - Diante da posição taxativa da presidente Dilma Rousseff, as centrais sindicais já admitem a possibilidade de aceitar um reajuste do salário mínimo

04/02/2011 10:14:54

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SÃO PAULO - Diante da posição taxativa da presidente Dilma Rousseff, as centrais sindicais já admitem a possibilidade de aceitar um reajuste do salário mínimo abaixo de R$ 580.

Em contrapartida, esperam que o governo federal abra negociações em torno de outras reivindicações, como a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) e o reajuste do piso salarial para os aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo. Não se trata de trocar uma proposta pela outra, explicou um dos sindicalistas envolvidos nas negociações.

Segundo a fonte, a hipótese de discutir um mínimo inferior a R$ 580 só será levada adiante se o governo abrir as negociações para as outras duas reivindicações, mesmo que as propostas não atendam aos valores exigidos pelos sindicalistas.

“Sem aumento real, não tem discussão. Dar só a inflação é muito pouco. Agora, o teto é R$ 580. Podemos avaliar um reajuste inferior se a outra parte ceder e apresentar propostas para as outras áreas”, afirmou.

O assunto deve ser discutido amanhã durante reunião, na capital paulista, entre as centrais sindicais e os ministros Guido Mantega (Fazenda), Carlos Lupi (Trabalho) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República).

Até o momento, o Executivo insiste em reajustar o mínimo de R$ 510 para R$ 545. Em relação à tabela do IR, sinaliza que pode oferecer algo próximo a 4,5%. Os sindicalistas, no entanto, exigem a correção com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2010, que foi de 6,46%, além de um reajuste de 10% para os aposentados que ganham mais do que o mínimo.

Com o objetivo de garantir um aumento real, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, também admitiu a possibilidade de antecipar uma parcela do reajuste programado para 2012, que deve ser muito maior ao deste ano. “Mas sem propostas, fica difícil”, criticou.

O modelo atual de cálculo de reajuste do mínimo, que vale até 2023, garante a correção anual pela inflação e tem também como base o percentual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior ao envio da proposta orçamentária ao Congresso, que nesse caso seria o de 2009.

Os sindicalistas, no entanto, reivindicam uma correção diferenciada para 2011, pois, em 2009, por causa dos efeitos da crise financeira mundial, o crescimento do PIB foi praticamente nulo.

Apesar de criticar a ideia de Paulinho, o presidente da CUT, Artur Henrique, avaliou que o processo de negociação é dinâmico e pode resultar em um acordo caso o governo aceite ceder em alguns pontos, especialmente se o Executivo apresentar um projeto de política permanente de valorização do salário mínimo, além de condições satisfatórias para a correção da tabela do IR.

Cético em relação ao encontro desta sexta-feira, o presidente da UGT, Ricardo Patah, declarou que, se as reivindicações não forem atendidas da forma como foram apresentadas, não terá acordo e as negociações serão tratadas apenas no Congresso Nacional.

(Fernando Taquari | Valor)

Fonte: Valor Econômico

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