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Medidas do governo para deter o real forte fizeram o País ‘importar’ inflação

Antes de adotar medidas para evitar a valorização do real, a chamada âncora cambial tinha o efeito de compensar os aumentos das commodities As medidas do governo

10/02/2011 10:25:13

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Antes de adotar medidas para evitar a valorização do real, a chamada âncora cambial tinha o efeito de compensar os aumentos das commodities

As medidas do governo para conter a valorização do real adicionaram mais lenha na fogueira da inflação. O real forte atuava como um amortecedor interno do aumento dos preços das matérias-primas no exterior. Agora, a contaminação se tornou direta e já acendeu um sinal de alerta no Banco Central (BC) e no mercado. Em economês, se diz que o País perdeu, ao menos momentaneamente, a chamada "âncora cambial".

"Desde que o ministro da Fazenda (Guido Mantega) falou em guerra cambial (em outubro do ano passado ), vemos uma clara inconsistência entre a política monetária e a política cambial no País", afirmou o economista-chefe do banco Santander e ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman. "A monetária tem como objetivo baixar a inflação, mas a cambial pressiona a inflação para cima." Procurado pela reportagem, o ministro Guido Mantega não quis se pronunciar sobre o tema.

Durante todo o governo Lula, a valorização do real sempre contrabalançou os momentos de alta das commodities. Entre janeiro de 2009 e julho de 2010, por exemplo, o índice CRB (Commodities Research Bureau, espécie de síntese das oscilações das principais commodities) subiu 32% em dólar, mas só 1% em real. Nesse período, o dólar saiu de R$ 2,40 para R$ 1,77. "O câmbio compensou a alta das commodities", disse o economista do JP Morgan, Júlio Callegari.

Intervenções. Graças às intervenções do governo brasileiro no mercado cambial, que se intensificaram a partir de outubro, com o aumento da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o real praticamente se estabilizou. Valia R$ 1,679 em 1.º de outubro e R$ 1,674 em 31 de janeiro, ou seja, praticamente não oscilou durante quatro meses.

Além das altas sucessivas do IOF, outras medidas para conter a apreciação do câmbio incluem compra de reservas e redução das posições vendidas dos bancos em dólar futuro. Resultado: o amortecedor cambial quebrou e o índice CRB acelerou 26% em dólares e 19% em reais considerando o intervalo de julho de 2010 a janeiro de 2011.

Um indicador do próprio BC mostra que a situação pode ser ainda mais grave. A autoridade monetária começou a divulgar há dois meses um índice de commodities que inclui apenas os produtos que interessam ao Brasil. O IC-BR subiu, em reais, 9,7% entre janeiro de 2009 e julho de 2010 e expressivos 33,8% de julho de 2010 a janeiro deste ano.

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os diretores do BC reconheceram que estão preocupados com o assunto. "Os preços das commodities se elevaram, sem a contrapartida de movimentos, em sentido contrário, de ativos domésticos", informava o documento. Por ativos domésticos, leia-se taxa de câmbio.

Raquel Landim e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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