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Valor da refeição fora de casa sobe 10,62% em 2010

Os brasileiros que têm o hábito, ou necessidade, de comer fora de casa gastam cada vez mais em restaurantes. A combinação entre a alta dos alimentos e a mudança

16/02/2011 09:53:32

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Os brasileiros que têm o hábito, ou necessidade, de comer fora de casa gastam cada vez mais em restaurantes. A combinação entre a alta dos alimentos e a mudança da rotina dos trabalhadores contribuiu para a cobrança de preços abusivos em refeições diárias. Os dados de um estudo da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert) apontam que a média nacional do valor desembolsado em um prato é de R$ 21,11. A capital federal ficou em 3ª colocação no ranking de cidades mais caras. Em Brasília, o prato custa R$ 22,77; valor inferior apenas ao pago pelos moradores do Rio de Janeiro (R$ 26,57) e de Santos (R$ 26,34).

No ano passado, os alimentos e as bebidas foram os vilões da inflação, com elevação de 10,39% em 2010. O item refeição fora de casa, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, fechou o ano passado com alta de 10,62%, taxa maior que a geral de mantimentos. Segundo especialistas, o preço da alimentação fora do lar acompanha o custo de vida e o poder aquisitivo de cada região. Brasília, por ser uma cidade com grande quantidade de servidores públicos e também por possuir a renda per capita mais elevada do país, ocupa o topo dos preços altos.

A brasiliense Cláudia Campos, 42 anos, gasta mais de R$ 15 por dia com o almoço. “Além do tempo, há a questão da comodidade. Eu moro há 20km do meu trabalho, então não compensa ir para casa almoçar. Também não gosto de cozinhar e lavar louça. Pago mais pela comodidade”, admitiu. No entanto, a bióloga reclama da qualidade da comida consumida em restaurantes. “Realmente, refeições em casa são mais saudáveis”, frisou.

A secretária executiva Lívia Caixeta Queiroz, 35 anos, também se queixa dos valores cobrados em restaurantes. “Nos fins de semana eu como em casa e sinto a diferença. Pago mais barato do que na rua e acabo comendo melhor”, disse. Ela conta que gasta em restaurantes por falta de tempo. “Se eu tivesse mais horas no almoço, por exemplo, iria para casa com certeza.”

O empresário Luiz Paulo Leal, 21, e o colega, Bruno Cruz, 22, estudante, costumam almoçar fora de casa e também sentem o peso no bolso. “Nós optamos por qualidade em detrimento do preço. Gasto, em média, R$ 50 por refeição, incluindo bebida e sobremesa. É um absurdo de tão caro”, reclamou Leal. O amigo concordou. “Na minha casa praticamente não tem comida. Moramos eu, minha mãe e meu pai, mas os dois trabalham o dia todo, então, ninguém tem tempo de cozinhar. Assim, eu acabo comendo frequentemente em restaurantes e lanchonetes e desembolso uma boa quantia com isso”, relatou.

O presidente da associação, Artur Almeida, explica que a inflação e a urbanização estão entre as principais causas desta elevação. “As pessoas estão trabalhando mais, as mulheres estão no mercado de trabalho e o número de pessoas por família é reduzido. Todos têm dificuldade com locomoção e sofrem com a falta de tempo. Isso tudo faz com que, pelo menos o almoço seja feito na rua”, analisou. Para ele, a diminuição da pobreza e a mobilidade social também fizeram a diferença. “Os trabalhadores agora têm dinheiro para comer fora, principalmente a classe C”, frisou.

O percentual de despesas com refeições em restaurantes já representa 31,1% do total de gastos familiares com alimentos, segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este setor movimenta uma média de R$ 180 bilhões por ano. “Isso é resultado do crescimento da demanda e do aquecimento da economia. A área cresceu 13% nos últimos 12 meses”, acrescentou o Almeida.

Aqueles que moram sozinhos são o grupo que menos cozinha e, por isso, lota os estabelecimentos deste setor. O treinee Rafael Polezzi, 22 anos, almoça todos os dias na rua por falta de opção. “Acabei de chegar a Brasília e moro em hotel, então não tenho opção. Mas nada se iguala à comidinha da mamãe”, destacou.


Preço indigesto

Valor das refeições nas 10 cidades brasileiras mais caras

1º Rio de Janeiro - R$ 26,57
2º Santos - R$ 26,34
3º Brasília - R$ 22,77
4º Campinas - R$ 22,26
5º São Paulo - R$ 22,26
6º Vitória - R$ 21,57
7º Ribeirão Preto - R$ 20,97
8º São José dos Campos - R$ 20,90
9º Cuiabá - R$ 19,83
10º Florianópolis - R$ 19,82

Fonte: IBGE

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