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Juro no menor nível em 31 anos

A nova redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica da economia, a Selic, fixada ontem em 14,75% ao ano por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom),

20/07/2006 00:00:00

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A nova redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica da economia, a Selic, fixada ontem em 14,75% ao ano por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), levou o juro ao menor patamar da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em julho de 1986. É, ainda, a taxa mais baixa dos últimos 31 anos, conforme levantamento realizado pela consultoria Austin Rating. A menor taxa de juros básica nominal já vigente no País foi de 13,6% anuais, registrada em março de 1975. A decisão de ontem marcou a nona redução consecutiva da Selic, que acumula, desde setembro do ano passado, um corte de 5 pontos percentuais. Ao anunciar a decisão, o BC repetiu o comunicado divulgado em maio: "Dando prosseguimento ao processo de flexibilização da política monetária, iniciado na reunião de setembro de 2005, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic para 14,75% ao ano, sem viés, e acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária". Juro real - Mas se em termos nominais (não descontada a inflação do período) a taxa alcançou mínimas históricas, em valores reais (quando se deduz a inflação) ela ainda está em níveis elevados, na casa dos 10%, um patamar muito alto para os padrões mundiais. A Austin Rating estima que, com a redução de 0,5 ponto, o juro real (descontada a inflação acumulada em 12 meses - com estimativa de 0,35% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, de julho) fecha o mês em 10,2%. Mesmo no governo Lula, o juro real já esteve em níveis menores, como no período de junho de 2004 a janeiro de 2005, quando a taxa descontada a inflação se situou em 10% ao ano. Repercussão - "A decisão do Copom era esperada, embora os indicadores de inflação e do nível de atividade permitissem uma queda mais acentuada", afirmou, em nota, o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo. "O importante agora é que a ata da reunião transmita a continuidade da redução dos juros nos próximos meses, uma vez que as taxas praticadas no Brasil ainda continuam sendo as maiores do mundo e um grande inibidor dos investimentos, da produção e do consumo." A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também via espaço para uma decisão mais ousada do Copom. Isso porque a projeção para a inflação dos próximos meses vem caindo tão rapidamente quanto a Selic, de maneira que a taxa de juros real brasileira permanece estável. "Há, portanto, espaço para queda mais acentuada, só o BC não vê", sustenta a entidade. Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, apesar de a taxa de juros real continuar alta e atrapalhar os investimentos, o fato de a Selic ter rompido a barreira de 15% ao ano deve ser comemorado. "É muito importante porque representa uma redução de custos para o consumidor e para a produção. Um grande passo foi dado", avaliou. Bancos - Logo depois do fim da reunião, dois bancos anunciaram corte de juros de linhas de empréstimos. O Bradesco informou a redução das taxas de juros nas operações para clientes pessoas físicas e jurídicas a partir de hoje. O Banco do Brasil anunciou a redução das taxas de juros para cheques especiais, cartões de crédito, linhas de crédito direto ao consumidor (CDC) e capital de giro às empresas. As novas taxas de juros do Banco do Brasil vigoram a partir do próximo dia 24.

Fonte: Diário do Comércio

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