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Mínimo de 2012 vai pressionar a inflação

O governo enfrentará um desafio para trazer a inflação de volta ao centro da meta em 2012. Se os preços subirem nos próximos meses conforme o previsto pelos

18/04/2011 11:31:18

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O governo enfrentará um desafio para trazer a inflação de volta ao centro da meta em 2012. Se os preços subirem nos próximos meses conforme o previsto pelos analistas financeiros, o salário-mínimo será reajustado em 14% - percentual arrendado - no ano que vem. Por um lado, o aumento injetará mais renda na economia e estimulará o crescimento. Por outro, o mínimo agravará o desequilíbrio fiscal e elevará a pressão sobre o custo e os preços.

Na sexta-feira, o governo encaminhou ao Congresso Nacional o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012 com uma previsão de reajuste de 13,09% para o salário-mínimo no ano que vem. O reajuste do salário-mínimo é consequência da fórmula aprovada pelo Congresso e que valerá até 2014. Pela regra, o mínimo será corrigido no início de cada ano pela inflação do ano anterior e pela variação do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Dessa forma, o aumento em 2012 será de 7,5% (crescimento do PIB em 2010) mais a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2011.

O mercado não tem estimativas sobre o INPC, mas trabalha com projeções para a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tem base de dados semelhante ao INPC. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada toda semana pelo Banco Central, o IPCA deve fechar 2011 em 6,26%. Se forem somados o crescimento e as estimativas de inflação, a correção ficaria em pelo menos 13,76%.

“A política de reajuste resultou no pior dos cenários possíveis para o governo, que é de inflação alta combinada com o crescimento extraordinário de 2010”, ressalta o economista-chefe da consultoria Austin Rating, Alex Agostini. Para ele, o reajuste recorde do mínimo acentua a preocupação com o controle da inflação porque injetará um volume considerável de dinheiro na economia num momento em que o consumo e a produção precisam ser desaquecidos.

De acordo com relatório da consultoria LCA, divulgado no início da semana, o aumento do mínimo no ano que vem acrescentará R$ 9 bilhões na economia brasileira. Segundo Agostini, a circulação desse montante poderá até anular os esforços do governo para conter a inflação e agravar a alta no preço dos alimentos. “O mínimo maior vai impulsionar o consumo das classes de baixa renda, que consomem mais itens como alimentos e bens não duráveis. Quando aumenta a demanda, a tendência é que o preço também suba”, explica.

O economista-chefe do banco West LB, Roberto Padovani, ressalta o desequilíbrio fiscal como efeito colateral do reajuste. Isso porque o salário-mínimo corrige os benefícios dos aposentados e pensionistas que recebem o piso. Para cada R$ 1,00 de aumento, a despesa extra é de R$ 184 milhões por ano segundo a própria equipe econômica.

Para os dois especialistas, o governo terá de aumentar o rigor nos gastos públicos e apertar a política monetária (aumentando juros e restringindo o crédito) para impedir que a inflação fuja do controle no próximo ano. “O governo não poderá mais tratar a inflação com medidas paliativas”, diz Agostini. Na avaliação dele, o ideal seria que o corte de R$ 50,7 bilhões fosse aumentado e que o Banco Central reduzisse a postura gradualista no combate à inflação com uma política mais agressiva de alta dos juros.

Padovani acredita que o Banco Central não está tecnicamente errado ao abandonar o centro da meta de inflação neste ano, como anunciado no fim de março. “Quando ocorre um choque de preços provocado por fatores externos, como no caso dos alimentos, os manuais recomendam isso mesmo”, diz.

O economista do West LB, no entanto, afirma que o governo precisa endurecer as políticas fiscal e monetária para mudar as expectativas do mercado, principalmente tendo em conta o impacto do salário-mínimo no próximo ano. “Pode até ser que a inflação tenha condições de convergir para o centro da meta em 2012, mas o governo ainda precisa construir uma reputação de que está lutando contra a inflação”, avalia.

Discussões entre a presidente Dilma Rousseff e equipe econômica têm o mesmo foco

Independentemente do que o Banco Central (BC) venha a decidir em relação à taxa básica de juros, quarta-feira, e o reflexo disso na meta de inflação, as discussões entre a presidente Dilma Rousseff e a equipe econômica têm tido o mesmo foco e redundado sempre na mesma orientação. A meta do governo, hoje, é resumida por esta síntese feita por um ministro: “O governo não vai perder o controle da inflação, mas também não quer derrubar o crescimento ao ponto de gerar aumento de desemprego.”

Essas decisões são tomadas em conversas que reúnem Dilma, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A presidente já começou, também, a falar com “gente de fora” - a ouvir economistas e empresários. O senador Francisco Dornelles (PP-RJ), ex-secretário da Receita (1979-1984) e ex-ministro da Fazenda no início do governo José Sarney (1985), acompanha todos os passos do governo Dilma e tem uma certeza sobre o que acontece com a gestão econômica: “A presidente herdou do governo Lula o encanto da sociedade com o crescimento, geração de empregos e justiça social. Qualquer medida que reduza o crescimento, desempregue e corte na área social vai quebrar o encanto.”

O economista Delfim Netto considera “absurda” a ideia de que Dilma possa perder o controle da inflação. “Não há nenhum risco de a sociedade ver o pior, que seria a inflação voltar”, disse. Delfim aposta que o governo Dilma vai ter um bom desempenho fiscal e elogia a presidente e a equipe econômica pela prudência. Irônico, Delfim aconselha as partes a seguir esta regra: “Na dúvida, quando alguém não sabe direito o que está fazendo, recomenda-se que faça devagarinho”.


Fonte: Jornal do Comércio

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