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Brasil perde US$ 3,5 bilhões por ano com corrupção no governo

O brasileiro paga caro pelo aumento da corrupção no País. Segundo estudo do coordenador da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV),

03/10/2006 00:00:00

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O brasileiro paga caro pelo aumento da corrupção no País. Segundo estudo do coordenador da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fernandes, a perda de produtividade provocada por fraudes públicas no Brasil alcança os US$ 3,5 bilhões por ano. "Da mesma forma que estradas e portos bem estruturados melhoram a produtividade do País, instituições ineficientes diminuem o ganho da nação", afirma. Ele explica que o prejuízo foi calculado com base em dados do Banco Mundial (Bird) sobre educação e investimentos de 109 países, além de índices de percepção de corrupção da organização não-governamental Transparência Internacional. Na avaliação do professor da FGV - que lançará hoje o livro Ética e Economia, em São Paulo -, com as péssimas qualidades das leis, da governabilidade e do ambiente de negócios, as empresas hesitam em investir no País e deixam de gerar emprego e renda. Obras - Para se ter uma idéia do tamanho do prejuízo, basta comparar os recursos destinados ao Ministério dos Transportes. Até agosto, R$ 5,3 bilhões foram gastos em infra-estrutura de transportes (estradas, hidrovias, ferrovias e portos) -, bem abaixo da perda de produtividade anual calculada em US$ 3,5 bilhões, equivalentes a R$ 7,5 bilhões, convertidos pelo dólar a R$ 2,17. Segundo Fernandes, em apenas dois escândalos recentes da história do Brasil (o superfaturamento do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo e o dos sanguessugas), a população perdeu US$ 150 milhões. "Com esse dinheiro, seria possível construir 200 mil casas populares e abrigar 800 mil pessoas", calcula. Para ele, muito dinheiro que poderia ser investido em infra-estrutura é desviado pela corrupção. Assim, o Estado perde força e suas políticas de investimentos são enfraquecidas. O resultado está no Índice de Competitividade Global 2006-2007 do Fórum Econômico Mundial, divulgado na semana passada. O Brasil caiu nove posições no ranking internacional, de 57ª para 66ª colocação, abaixo dos demais países que formam o chamado grupo Bric (Rússia, Índia e China). Efeitos - De acordo com o Fórum, o desempenho do Brasil se deve, principalmente, a dois fatores: indicadores macroeconômicos e institucionais. "A corrupção traz efeitos graves para a competição dos mercados", afirma o diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Abramo. Segundo ele, o efeito é lamentável, já que menos investimentos significam menos emprego, renda e piora do bem-estar da população. O economista Reinaldo Gonçalves, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acrescenta que a corrupção aumenta o risco e a incerteza no ambiente de negócios do País. "Os preços dos bens e serviços acabam embutindo o custo da corrupção, como se fosse um imposto", diz. Africanização - O professor afirma que, além de aumentar as incertezas, as fraudes públicas elevam práticas oportunistas. "Como alguns cometem atos ilícitos e não são punidos, outros também adotam armas corruptas para competir." Na avaliação dele, há uma fragilidade sistêmica no Brasil, um processo de "africanização". Dados da ONG Transparência Internacional mostram que o Índice de Percepção de Corrupção do Brasil é semelhante ao de países como Belize, Sri Lanka, Peru, Kuwait e Colômbia. Os mais seguros são Finlândia, Dinamarca, Cingapura e Suíça. Os piores no quesito fraude pública são Bangladesh, Paraguai e Indonésia. Para o professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp, Roberto Romano, um fator que eleva a corrupção no Brasil é o número de mediadores no sistema. Da União até o destino, o dinheiro passa por várias mãos, facilitando a fraude.

Fonte: Diário do Comércio

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