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Economia

Eleição de Trump esfria acordos bilaterais com os Estados Unidos

Brasil tende a seguir como coadjuvante nas relações comerciais dos Estados Unidos após o início do mandato de Donald Trump, em janeiro de 2017, na avaliação de especialistas.

10/11/2016 13:30:28

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Para a CEO da Amcham, Deborah Vieitas, os Estados Unidos deverão se tornar mais protecionistas, caso se concretize o discurso do candidato republicano em sua campanha eleitoral. No entanto, o país não deixará de ser um importante parceiro comercial brasileiro.

“Os mega acordos comerciais que estão pendentes de aprovação, como a Parceria Transpacífico e o acordo em negociação com a União Europeia, talvez tenham um certo esfriamento, já que as questões internas nos Estados Unidos devem dominar a agenda do novo presidente”, diz.

O Brasil tende a seguir como coadjuvante nas relações comerciais dos Estados Unidos após o início do mandato de Donald Trump, em janeiro do ano que vem, na avaliação de especialistas. Segundo eles, as atenções do novo presidente deverão estar voltadas para a China.

Mas, apesar de não ter feito parte da pauta do futuro presidente na corrida eleitoral, o mercado brasileiro poderá ser afetado indiretamente, caso sejam aplicadas medidas mais radicais de protecionismo mencionadas pelo republicano durante a disputa pela Casa Branca.

Na campanha, Trump criticou a postura comercial chinesa e ameaçou impor tarifas de 45% sobre os produtos importados do país asiático.

"As visões de Trump sobre comércio, até agora, foram terríveis e ingênuas. Erguer barreiras apenas contra importações chinesas ou um grupo específico de países, por exemplo, contraria regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)", lembra Rafael Dix Carneiro, da Universidade Duke, na Carolina do Norte.

"Se optar por impor uma maior taxação às mercadorias vindas da China, o governo Trump afetará a atividade econômica dos asiáticos, o que vai reduzir, por consequência, suas importações de commodities e prejudicará o Brasil", avalia José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

"O mais grave, nesse primeiro momento, é que ele distribuiu incertezas por todos os lados, e a maioria das avaliações dos economistas para os próximos quatro anos contava com Hillary Clinton como presidente. A neblina, agora, precisa ser desfeita pelos republicanos, para que o mercado se programe de forma segura."

A próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em dezembro, deverá determinar a manutenção da taxa de juros, para não assustar o mercado, diz Rubens Penha Cysne, professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse cenário também coloca em dúvida a derrubada dos juros no Brasil.

Fora do palanque

Em seu primeiro discurso após a confirmação da vitória, nesta quarta-feira, 9/11, o republicano adotou um tom conciliador, em que pregava a união nacional e evitava menções ao futuro da política externa americana.

O fato de não ter citado seus planos para o comércio exterior na fala inaugural é emblemático, avalia a economista Zeina Latif, da XP Investimentos.

"Mesmo governando com um Congresso dominado por seu partido e em um momento em que o mundo passa por uma forte onda protecionista, Trump deverá medir bem seus passos iniciais.

Fora do contexto acalorado da campanha, propor a revisão de acordos como a Parceria Transpacífico (TPP) seria absurdo e dificilmente contaria com o apoio dos demais republicanos."

Trump também sofrerá pressão de grandes multinacionais, com fábricas espalhadas em diversas partes do mundo e que teriam seus esquemas de produção em rede global prejudicados, se levada adiante a promessa de sobretaxação de importados e saída de acordos comerciais, diz José Augusto Fernandes, diretor de políticas e estratégia da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO

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