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Contabilidade: Dennis Nally vê méritos em propostas como mais informações sobre auditoria.

Dennis Nally certa vez tentou reforçar suas habilidades no golfe praticando Bikram yoga - também conhecido como "hot yoga", uma vez que envolve a realização

04/07/2011 09:58:33

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Dennis Nally certa vez tentou reforçar suas habilidades no golfe praticando Bikram yoga - também conhecido como "hot yoga", uma vez que envolve a realização de 26 posições em 90 minutos sob um calor de 40ºC. "É um treinamento formidável", fala com entusiasmo o presidente do conselho de administração da firma de auditoria e consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). Mas ele não é mais um fã. "Descobri que você desenvolve uma tendência de trabalhar exageradamente os músculos, o que não é bom."

Talvez seja natural o fato de o chefe de uma companhia conhecida como uma das "Big Four" [as quatro maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo] se preocupar com questões como força e tamanho. "Estamos numa verdadeira corrida para continuar sustentando nossa posição de liderança como a maior rede de serviços profissionais do mundo", diz ele em seu luxuoso escritório no centro de Manhattan, com vista para o Empire State Building.

Se a PwC, que emprega cerca de 162 mil em 154 países, vem liderando ou não essa corrida depende a quem você pergunta. Com receitas de US$ 27 bilhões em 2010, a organização está praticamente palmo a palmo com a Deloitte pelo posto de maior do mundo.

Nally, 59, que é presidente do conselho de administração da empresa guarda-chuva que abriga as várias parcerias da PwC desde 2008, não está apenas preocupado com o tamanho, e sim em como organizá-lo. As paredes de sua sala são decoradas com fotografias de pessoas famosas com as quais ele já esteve - Dmitry Medvedev, presidente da Rússia, Bill Clinton, ex-presidente americano, e Condoleezza Rice, ex-secretária da Estado americana -, mas Nally gostaria mesmo é de conhecer o Papa.

Sua própria fé católica tem pouco a ver com isso. Na verdade Nally parece impressionado com a façanha de coordenação que o Papa vem empreendendo. "Quando penso na Igreja Católica, todos os seus problemas, desafios e o que estão tentando fazer, fico imaginando que seria interessante passar um tempo curto, mas valoroso, com uma pessoa como ele", diz.

Com um sorriso irônico, ele menciona "o debate sadio" necessário para fazer todas as partes do império da PwC seguirem a mesma direção. Mas isso é algo que Nally aparentemente faz com prazer. "Em termos de como você movimenta uma organização tão grande quanto a nossa, tudo começa com a estratégia, um bom acordo e alinhamento com o que você está tentando fazer", diz ele.

Segundo de três filhos, Nally provavelmente está acostumado com vozes conflitantes. Nascido em Washington, ele se mudou para Detroit por força do emprego do pai no FBI. Em vez de seguir o pai na luta contra o crime, ele se viu investigando contas corporativas como auditor júnior da PwC. "Minha expectativa era a de que começaria na firma, passaria dois anos lá, conseguiria meu CPA [certificado americano de qualificação em contabilidade] e provavelmente acabaria trabalhando em uma montadora", diz ele. Na época, observa, quando Detroit era a "capital mundial do automóvel", todo mundo parecia acabar no setor.

Mas ele ficou na PwC. "Cresci no mundo da auditoria e me envolvi com algumas das maiores contas da firma, principalmente na área de tecnologia", diz ele.

Hoje em dia, o desafio de coordenar todas as diferentes partes da PwC vem acompanhado do escrutínio que a profissão de contador vem sendo alvo, por parte de autoridades reguladoras no mundo. A crise financeira e a recessão econômica que se seguiu levantaram dúvidas sobre a utilidade dos contadores afinal ou, como colocou Nally em sua carta ao presidente do conselho de administração no ano passado, sobre "a relevância no longo prazo da auditoria e o valor que ela proporciona ao mercado".

Eis um pouco de verborragia administrativa. "O envolvimento em uma discussão com os principais detentores de participações em torno de suas expectativas, e então o que podemos realmente fazer para garantir nossa relevância ou nossa sustentabilidade no longo prazo, é na verdade um diálogo que vale muito a pena ter", diz ele.

E as fraudes ou contabilidade enganosa? Certamente os auditores ficam na linha de fogo quando um caso desses acontece sob sua supervisão. Nally cruza os braços e pela primeira vez assume um ar defensivo. "Há padrões profissionais por aí e uma auditoria não é elaborada sobre esses padrões para detectar fraudes", diz, observando que a detecção de fraudes recai sobre outros indícios que incluem a governança de uma companhia, o tom adotado pela administração e os sistemas de controle.

"As razões disso acontecer dessa maneira são porque, embora sempre tomemos conhecimento de grandes fraudes, o número de situações como essas com as quais você de fato se depara é muito pequeno. Você não faz uma auditoria pela 'exceção' porque, francamente, o custo seria proibitivo para todos do mercado de capitais."

Assuntos quentes à parte, as autoridades reguladoras pairam no ar - ou, conforme coloca Nally com tato, "estão compartilhando suas perspectivas". No ano passado a União Europeia publicou um relatório onde demonstrava preocupações com a independência da profissão de auditor e com o domínio das Big Four. Nally vê méritos em algumas mudanças propostas, como a revelação de mais informações sobre os resultados de uma auditoria, em vez da atual postura aprovado-ou-não. Outras propostas, como o rodízio obrigatório das firmas, têm probabilidade menor de melhorar os padrões, diz.

"Quando você olha para o significado de algumas dessas instituições que auditamos, que realmente exigem conhecimento profundo, mudar os auditores de anos em anos fará você perder esse conhecimento institucional e diríamos que a probabilidade não é de uma melhoria da qualidade das auditorias; na verdade poderá ocorrer exatamente o oposto", afirma ele.

A qualidade da auditoria é uma questão que parece instigar Nally. Ele parece animado explicando: "Quando pensamos nas habilidades necessárias para se fazer uma auditoria hoje, em comparação há dez anos, vemos que elas são fundamentalmente diferentes."

A complexidade das organizações empresariais e a necessidade de conhecimento setorial, além de conhecimentos em escala global, tornou o processo de contabilidade muito mais complexo, afirma ele, e isso, entre outras coisas, levou à formação das Big Four.

Autoridades reguladoras estão agora questionando se essas quatro são na verdade "grandes demais para quebrar". Nally afirma que a importância delas simplesmente reforça a necessidade de gerenciamento de riscos de falência.

E no que ele chama de "um mercado intenso e competitivo", o alcance e os recursos de uma PwC, incluindo os braços de imposto comercial e consultoria, são necessários para atender as demandas complicadas dos maiores clientes de auditoria. Portanto, força e tamanho têm seus benefícios.

Fonte: Valor Econômico

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