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Balanço de limitada pode melhorar concorrência

Algumas companhias de capital aberto estão comemorando o projeto de lei 3.741/2000, que pode vir a obrigar empresas fechadas de grande porte a publicarem seus balanços.

06/06/2005 00:00:00

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Algumas companhias de capital aberto estão comemorando o projeto de lei 3.741/2000, que pode vir a obrigar empresas fechadas de grande porte a publicarem seus balanços. Para elas, a concorrência se tornará mais justa se todos os competidores revelarem seu estado financeiro. A Câmara dos Deputados deve encaminhar o projeto neste mês à Comissão de Finanças e Tributação. Esse é o caso da Grendene. Na divulgação dos resultados do primeiro trimestre deste ano, a fabricante de calçados reduziu o volume de informações divulgadas ao mercado, como a segmentação por tipos de sapatos. "Depois que abrimos o capital e os concorrentes viram o quanto do mercado de calçados infantis temos, muitos passaram a imitar a estratégia de vendas da Grendene", diz Doris Wilhelm, gerente de relações com investidores da calçadista que estreou na bolsa em novembro do ano passado. O setor de calçados brasileiro é formado por cerca de 7 mil indústrias, das quais apenas três divulgam abertamente seus resultados: Azaléia, Grendene e São Paulo Alpargatas. "Se todas as empresas tivessem acesso às mesmas informações, ficaria mais fácil traçar um panorama da indústria", afirma Wilhelm. Pela proposta de mudança na Lei das Sociedades Anônimas, companhias fechadas com uma receita bruta anual de R$ 300 milhões e ativos superiores a R$ 240 milhões publicariam seus demonstrativos financeiros da mesma forma que as empresas de capital aberto fazem hoje. A Duratex, que faz coberturas de madeira, louças e metais sanitários, também gostaria de saber como está a saúde financeira dos seus concorrentes. "A concorrência se tornaria muito mais saudável. Até os fornecedores saberiam com quem negociam", diz Plínio do Amaral Pinheiro, diretor-executivo da Duratex. Mas, para Pinheiro, o piso mínimo de R$ 300 milhões de faturamento anual ainda é alto. O ideal, segundo ele, seria algo em torno de R$ 20 milhões, para abranger um universo muito maior de companhias brasileiras. Para a Iochpe-Maxion - fabricante de rodas, chassis, vagões e componentes automotivos - a publicação de balanços pelas empresas fechadas daria maior poder de argumentação com os clientes. "Hoje, toda vez que a Iochpe tem lucro, as montadoras reclamam que elas não têm o mesmo resultado que a gente. É o poder de barganha delas", explica Oscar Becker, diretor financeiro da companhia. "Eu tenho de comer na mão delas. Gostaria de ver o resultado delas também." Mas não são todas as empresas de capital aberto que concordam com essa idéia. A Abrasca, entidade que as representa, tem uma posição contrária. "Deve haver um diferencial entre as empresas que captam recursos do público das que não captam", afirma Alfried Plöger, presidente da Abrasca e sócio da Melhoramentos. Para Plöger, não haverá benefício para a sociedade com a publicação das demonstrações financeiras. "Isso interessa aos acionistas das limitadas, que em geral são poucos", afirma ele

Fonte: Valor Econômico

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