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Revolução digital

BC: próxima aposta para personalizar serviços bancários será open banking

Banco Central prevê que sistema open banking estará disponível em outubro de 2021 e deverá ampliar competição.

23/11/2020 10:10:02

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BC: próxima aposta para personalizar serviços bancários será open banking

O Banco Central lançou neste mês o Pix, novo sistema de pagamento instantâneo. Agora, o banco segue rumo a próxima aposta para personalizar serviços bancários e aumentar a competitividade, que é a implementação do “open banking” no Brasil. Todas as funcionalidades estão previstas para estarem prontas em outubro de 2021.

Segundo o BC, o open banking será uma plataforma, desenvolvida pelos participantes do sistema financeiro com regulamentação do governo e supervisão do banco, a fim de permitir que os clientes possam compartilhar dados bancários e históricos de transação com bancos e fintechs .

Atualmente, essas informações ficam em posse somente dos bancos com os quais os clientes trabalham, mas, com a mudança, outras instituições financeiras poderão analisar melhor o risco envolvido nas operações bancárias e oferecer menores taxas de juros para empréstimos, por exemplo, ou um retorno maior para aplicações financeiras — beneficiando o consumidor.

"O mundo se abre a partir da informação [disponibilizada pelo consumidor]. Os produtos passarão a ser mais 'customizados' [personalizados], endereçando a demanda do cliente. O 'open banking' está como foi a internet há 30 anos atrás. No início, achavam que ia ser um instrumento de troca de documentos entre duas universidades. Hoje, a internet é tudo na sua vida, social e profissional", avaliou o diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso, ao G1.

Questionado sobre o possível impacto na redução das taxas de juros cobradas, o diretor do BC afirmou que ainda não tem essa estatística, mas citou o exemplo de aplicativos de transporte, que trouxeram um preço mais acessível que o serviço de táxi, além de facilitar a vida do consumidor.

"Quando se tem muitos carros na praça, o preço tende a cair. Quando tem poucos, o preço tende a aumentar. Então, são as curvas de oferta e demanda tentando encontrar o seu equilíbrio e isso vai acontecer para todos os produtos e serviços financeiros. Hoje, não acontece porque o seu banco não deixa essa informação fluir, você está preso com ele lá", disse.

Na avaliação de Damaso, o "open banking", ao permitir um tráfego maior de informações dos clientes entre as instituições financeiras, vai impactar todas operações de crédito, assim como outros serviços ofertados.

"Vai ser um negócio estrondoso e, daqui a cinco ou dez anos, a gente vai olhar e pensar: 'Não sei como vivia sem o open banking'", declarou.

Vantagens do open banking

O diretor do BC disse que um dos principais problemas do sistema financeiro atual, que dificulta a concorrência, é a chamada "assimetria" de informações, ou seja, quando um participante de sistema possui mais dados sobre um cliente do que os outros bancos, fenômeno classificado por alguns como uma "falha de mercado".

"O 'open banking', um dos pontos que ele atinge é a assimetria de informação. Hoje, todas essas informações estão dentro do seu banco. Essa informação, em tese, se o banco trabalhou, ele sabe seu histórico financeiro todo, detalhado, o que consome, como foi sua vida. Não deve ter usado tão profundamente como deveria. Agora, um terceiro [banco] está louco para ter essa informação e te conhecer", explicou.

De acordo com Damaso, a nova plataforma vai permitir que os clientes abram seus dados para outra instituição financeira, de forma que ela possa oferecer, por exemplo, um crédito mais barato. Mais adiante, afirmou, pode surgir uma inovação que possibilitará ao consumidor abrir seus dados para todos os participantes, e promover, assim, um leilão virtual pelo produto buscado.

"Isso também vai ser trabalhado e, provavelmente, vão surgir inovações nesse sentido", disse.

O diretor do BC explicou que a lógica é que a "informação pertence ao próprio cliente", um princípio que segundo ele, tem predominado em todos segmentos econômicos.

"Ele [cliente bancário] que tem o poder sobre suas informações e ele é quem decide [no 'open banking'] se vai compartilhar ou não e por quanto tempo. A qualquer momento, vai poder cancelar, ampliar o conjunto de informações ou diminuir. É um instrumento seu", afirmou.

Na avaliação do diretor do BC, quando estiver totalmente funcional em outubro de 2021, o "open banking" vai permitir que os consumidores "criem" seu próprio banco, ou seja, que funcione como um banco personalizado.

"O cliente vai poder comprar um CDB em um banco, fazer um seguro em outro, e ter o cheque especial em um terceiro. Tudo isso a partir de uma informação que você vai compartilhar", declarou Damaso.

Com o histórico de produtos comprados, as instituições financeiras também vão poder fazer "ofertas" aos consumidores, a exemplo do que já existe no comércio.

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